2011-10-09

Jake Tyler Brigance

Imaginem que um moço conheceu uma moça há muitos anos atrás e que ela tinha um blog.
Imaginem que falaram durante muitos meses, apenas pela internet, e que nunca se chegaram a encontrar porque a moça, ao perceber que o moço estava a ficar apanhadinho, cortou o contacto.
Imaginem que anos mais tarde ele cria um blog e, esporadicamente,  comenta o blog dela com a sua nova e insuspeita identidade, sem qualquer pretensão de maior.
Imaginem que 6 anos mais tarde ela começa a comentar o blog dando a entender claramente que sabia o seu verdadeiro nome. Ele percebeu que era inútil fazer-se parvo quando ela lhe bateu à porta do Facebook como quem diz "sei o que fizeste no Verão passado".
Imaginem que retomam o contacto, que voltam a falar durante longas horas e que o moço fraqueja ao perceber que o que fazia sentido há um tempo atrás mantém-se inalterado.

Imaginem agora que o moço é forçado a ser juiz em causa própria e, dotado de uma capacidade de desprendimento emocional ou de acefalia grave, distribui conselhos sentimentais contrários aos seus próprios interesses (comportamento já observado em casos anteriores).
Este tipo deve sofrer uma lobotomia ou deverá antes ser certificado como dador vivo de órgãos?

2011-10-08

Rancor

Se para muitos pode ser considerado um defeito, para mim é uma qualidade muito apreciável.
Como já devem ter reparado tenho uma obsessão, chamada coerência, para a qual ainda não encontrei um aspecto da vida no qual não fosse aplicável.

Nestas coisas da interacção social gosto de gravar na memória, com um ferro em brasa, as pessoas que me fizeram algum dói-dói, que o tentaram fazer ou o que fizeram a terceiros. Ainda que não sendo um tipo dado a vinganças, prezo a reciprocidade: se me dão um pratinho de merda para eu papar, não servirei caramelo em retorno.

Assim como a capacidade de mudar de opinião é uma demonstração de inteligência, ter uma opinião volátil é simplesmente de uma pobreza de espírito que me atormenta a alma.
Toda a gente tem o potencial e o direito de mudar e de se tornar uma pessoa melhor, de ser perdoado(a),  mesmo que tenha tido um historial como facínora. Aceito isto mas não tenho um pingo de paciência para aqueles que hoje odeiam, amanhã estão a tomar o pequeno-almoço e a rir com o alvo do ex-ódio e que no dia seguinte estão novamente a destilar veneno.

Sejam genuínos, deixem que o ódio se instale nas vossas vidas e sejam felizes.

Nota - Esta mensagem é subscrita pela maioria dos líderes religiosos. Antes de iniciar o consumo de ódio consulte o seu médico assistente.

2011-10-04

Exibicionismo

Eu, que nunca coloquei fotografias minhas no blog, fui hoje mesmo instado a fazê-lo.
As provocadoras em questão, Luna e Juanna, fizeram-no no âmbito da história de uma louca que se passou da cabeça e, depois de debitar quilos de comentários num post acerca da Scarlett Johansson (o ódio pessoal de Luna), decidiu publicar uma troca de e-mails privada com uma finalidade até à data desconhecida.

Tendo em conta que o mote inicial do post que causou a ira da senhora era a privacidade da menina Scarlett, Luna e Juanna lançaram a dúvida: será que a perturbada criatura apenas tem restrições morais no que toca à divulgação de fotografias com nudez?

Meninas, ouvi o vosso apelo e aqui estou, qual mártir da Playboy, pronto a servir como cobaia.

Aqui me exponho, tal como vim ao mundo.

2011-10-03

"Posts engraçaditos"

Há aqui uma coisa à direita do blog que se chama "Posts engraçaditos".
Quero esclarecer que só hoje me apercebi das figuras tristes que ando a fazer há anos.
Aqueles são posts que partilho através do Google Reader e não são obrigatoriamente coisas a que eu acho especial piada. Muitos deles são partilhados juntamente com um comentário meu que SÓ ESTÁ VISÍVEL PARA QUEM CARREGA EM "VIEW ALL".

Este pequeno detalhe que eu desconhecia causou, certamente, danos irreparáveis à minha já frágil reputação.
Apaguem da memória todos os posts queridos que ali viram. Certamente havia uma boa e azeda razão para os ter partilhado.

2011-10-02

18 gramas

Preocupado com a velocidade a que me aproximo de me tornar num mendigo ou outra qualquer forma de individuo socialmente isolado, confessava a uma amiga que começava a acreditar que a minha falta de empatia familiar não se deveria apenas ao meu feitio intragável mas também a um real desequilíbrio mental, algo de físico-químico que me deveria acompanhar desde a mais tenra idade. Comentava também que nem me atrevia a expressar este tipo de desabafo no blog porque, depois de eventos recentes em que serial killers escreveram muita coisa na net, as quais não foram levadas a sério, este tipo de revelação poderia dar um novo significado a alguns textos que debitei ao longo dos anos.
Sempre pronta a dar-me apoio e portadora de uma grande capacidade de apaziguação emocional interrompe-me e com a maior calma do mundo diz-me, como quem dissipa inseguranças tolas:

- Precisas de terapia.

2011-10-01

Corrente-de-ar

Ainda há mulheres que sofrem por Amor com as pernas fechadas.
Ainda há homens que não lavam as mãos antes de sair da casa-de-banho.

2011-09-30

Divergência estética

Ainda acerca disto tenho a dizer que há aqui um profundo equivoco. O mais relevante não é volume mas sim o design de uma zona muito específica. Isto é de tal forma importante que advogo a criação de um manual de normas com direito a referências Pantone e tudo.

Fuga para a frente

Numa recente conversa pelo Facebook, eu, armado em campeão porque tinha acabado de aceder a uma informação importante, saio-me com esta maravilha como quem diz "se não me fazes as vontades conto tudo":
 - Trás-me torradas e chá

Depois de sofrer ameaças da parte da interlocutora alegando que a qualquer momento ia utilizar a minha burrice ortográfica para me humilhar, serve este post para cortar-lhe todo o eventual prazer que poderia obter com este meu lapso.

Nota - Estou familiarizado com as diferenças entre "traseiras" e "trazer". Não percebo porque razão me ando a espalhar com tanta frequência nos últimos dias.

2011-09-27

Bola de neve

Sabem quando alguém faz algo que vos desagrada e vocês se interrogam até que ponto é que estão no direito de sentir indignação/raiva/instintos-homicidas-com-requinte-de-sadismo-extremo ou se estarão a exagerar um pouco?
Sabem aquelas horas seguintes em que vocês oscilam de ponto oposto para ponto oposto, sendo que o lado mais vil começa a ganhar terreno e às duas por três já estão certos de que a única forma de repor a justiça no mundo é pegando num trem de aterragem e batendo com ele na origem do vosso problema até que a mesma consiga cantar ópera ou que o seu crânio faça faíscas no alcatrão?

Não sabem? Mentirosos/deprimentes.

2011-09-25

Ripple effect

Tendo em conta isto, isto e isto, apraz-me escrever isto:

Eu, que não sou um tipo nada alto, compreendo e aceito que as mulheres prefiram homens de estatura superior. Mais que não seja é o instinto de necessidade de protecção a funcionar. A atracção por determinadas características físicas faz sentido.
Não me parece que seja justo dizer-se que um homem prefere passar o resto da sua vida com uma moça porque ela tem as mamas maiores ou porque é menos inteligente e mais fácil de controlar. Digo isto não como uma mera opinião/gosto pessoal mas também em relação ao que acho que é a opinião da maioria dos homens. O inverso faria muito mais sentido: a apetitosa para brincar e a que tem uma boa estrutura mental para constituir família.

Imaginemos que isto é mesmo verdade e que há uma razão biológica que se sobrepõe a todas as outras. Lamentam que esse tipo de macho as rejeite?

2011-09-24

Eu sei

Estimados leitores,

Tenho a perfeita noção de que sou uma besta com esta mania de analisar tudo e de estar preso a um constante sentido prático e lógico em relação ao que me rodeia.

Ainda que tendo algum orgulho na minha capacidade de racionalização, sei perfeitamente que é socialmente devastador e que seria provavelmente muito mais feliz se não contasse com esta encantadora característica no meu dia-a-dia. Acontece que isto não é propriamente um comportamento opcional ou forjado para fins blogosféricos. O animal funciona mesmo assim, tem isto no sangue e não vislumbra uma solução para tal problema.

Sei que muito do que escrevo é fruto de uma intolerância desproporcionada e pouco recomendável mas é o que tenho para vos servir.

2011-09-20

Pinta de porca

(Advertência: este post pode ser considerado o produto de uma mente extremamente retrógrada pela única e exclusiva razão de ser escrito por um homem.)

Há muito que quero escrever sobre este tema mas a sua elevada complexidade e indefinição têm-me afastado do mesmo.

O que é?
Antes de chegar à identificação dos sinais que definem uma mulher como porca há um problema a montante que é necessário resolver: o que é uma mulher porca?
Não podemos considerar que seja uma mulher com uma excelente expressividade no leito. Essa é uma qualidade e nunca uma característica a desprezar.
Também não será prudente da minha parte afirmar que é uma mulher que se entrega aos prazeres da carne como quem troca de meias. Aprendi ao longo dos anos que esta é uma opinião que um homem não pode emitir. O conceito de emancipação sexual da mulher só se aplica quando o objecto de estudo é a própria conduta de quem o invoca ou quando é necessário adjectivar um homem como sendo um "porco-machista".

Será então uma mulher vulgar? Também não podemos ir por aí. Há muita mulher vulgar e profundamente desinteressante que não se envolve com pelotões das forças de segurança.
É basicamente uma pessoa que não me interessa e, estranhe-se, não interessa a muito homem sem ser para efeitos carnais ou para testar poderosos insecticidas.

Como se identifica?
Mostrei algumas fotografias de forma aleatória a uma amiga sem lhe dizer qual a minha opinião acerca das moças. Em 8 exemplos concordámos em 7.
À falta de uma capacidade mais precisa de racionalização deste 6º sentido para a javardice, eu diria que o meu maior ponto de referência, ainda que de forma involuntária, são as sobrancelhas.


Estou a partir deste momento disponível para receber a vossa ira e distorção das ideias que aqui apresentei.

2011-09-18

Nostalgia para débeis mentais

Deparei-me noutro dia com este texto (não é obra do autor desse blog) e tenho algumas coisas a dizer acerca do conteúdo.

Nada tenho contra a nostalgia do momento. É engraçado recordar um pouco daquilo que faz de nós o que somos hoje em dia. O que já não me agrada tanto é aquele tom repetitivo e escalado de geração para geração que dita que "no meu tempo é que era", que anuncia uma geração medíocre, perdida e claramente inferior à que pertence o autor do texto.

Ao traçar uma linha que divide os que nasceram antes de 1986 e os que nasceram após essa data, ainda que de uma forma pouco vincada, o bolinha de esterco (estou a assumir que foi um homem) separa os maus dos piores.

Uma vez mais o português tenta validar-se não por aquilo que é mas por aquilo que os outros são ou deixam de ser.
Uma vez mais, surpresa das surpresas, o tuga varre o problema para cima dos políticos, toma um chá e esquece-se daquele detalhe tão relevante que é o facto de que as gerações pré 1986 SÃO AS RESPONSÁVEIS PELA EDUCAÇÃO DAS PÓS 1986.

Será que li mais do que aquilo que estava escrito? Estarei muito sensível à mediocridade?

O que é que é preciso para que a nossa geração pare de acenar com a merda dos problemas e comece a acenar e a EXECUTAR  as soluções?