Imaginem que um moço conheceu uma moça há muitos anos atrás e que ela tinha um blog.
Imaginem que falaram durante muitos meses, apenas pela internet, e que nunca se chegaram a encontrar porque a moça, ao perceber que o moço estava a ficar apanhadinho, cortou o contacto.
Imaginem que anos mais tarde ele cria um blog e, esporadicamente, comenta o blog dela com a sua nova e insuspeita identidade, sem qualquer pretensão de maior.
Imaginem que 6 anos mais tarde ela começa a comentar o blog dando a entender claramente que sabia o seu verdadeiro nome. Ele percebeu que era inútil fazer-se parvo quando ela lhe bateu à porta do Facebook como quem diz "sei o que fizeste no Verão passado".
Imaginem que retomam o contacto, que voltam a falar durante longas horas e que o moço fraqueja ao perceber que o que fazia sentido há um tempo atrás mantém-se inalterado.
Imaginem agora que o moço é forçado a ser juiz em causa própria e, dotado de uma capacidade de desprendimento emocional ou de acefalia grave, distribui conselhos sentimentais contrários aos seus próprios interesses (comportamento já observado em casos anteriores).
Este tipo deve sofrer uma lobotomia ou deverá antes ser certificado como dador vivo de órgãos?