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2011-10-08

Rancor

Se para muitos pode ser considerado um defeito, para mim é uma qualidade muito apreciável.
Como já devem ter reparado tenho uma obsessão, chamada coerência, para a qual ainda não encontrei um aspecto da vida no qual não fosse aplicável.

Nestas coisas da interacção social gosto de gravar na memória, com um ferro em brasa, as pessoas que me fizeram algum dói-dói, que o tentaram fazer ou o que fizeram a terceiros. Ainda que não sendo um tipo dado a vinganças, prezo a reciprocidade: se me dão um pratinho de merda para eu papar, não servirei caramelo em retorno.

Assim como a capacidade de mudar de opinião é uma demonstração de inteligência, ter uma opinião volátil é simplesmente de uma pobreza de espírito que me atormenta a alma.
Toda a gente tem o potencial e o direito de mudar e de se tornar uma pessoa melhor, de ser perdoado(a),  mesmo que tenha tido um historial como facínora. Aceito isto mas não tenho um pingo de paciência para aqueles que hoje odeiam, amanhã estão a tomar o pequeno-almoço e a rir com o alvo do ex-ódio e que no dia seguinte estão novamente a destilar veneno.

Sejam genuínos, deixem que o ódio se instale nas vossas vidas e sejam felizes.

Nota - Esta mensagem é subscrita pela maioria dos líderes religiosos. Antes de iniciar o consumo de ódio consulte o seu médico assistente.

2011-09-20

Pinta de porca

(Advertência: este post pode ser considerado o produto de uma mente extremamente retrógrada pela única e exclusiva razão de ser escrito por um homem.)

Há muito que quero escrever sobre este tema mas a sua elevada complexidade e indefinição têm-me afastado do mesmo.

O que é?
Antes de chegar à identificação dos sinais que definem uma mulher como porca há um problema a montante que é necessário resolver: o que é uma mulher porca?
Não podemos considerar que seja uma mulher com uma excelente expressividade no leito. Essa é uma qualidade e nunca uma característica a desprezar.
Também não será prudente da minha parte afirmar que é uma mulher que se entrega aos prazeres da carne como quem troca de meias. Aprendi ao longo dos anos que esta é uma opinião que um homem não pode emitir. O conceito de emancipação sexual da mulher só se aplica quando o objecto de estudo é a própria conduta de quem o invoca ou quando é necessário adjectivar um homem como sendo um "porco-machista".

Será então uma mulher vulgar? Também não podemos ir por aí. Há muita mulher vulgar e profundamente desinteressante que não se envolve com pelotões das forças de segurança.
É basicamente uma pessoa que não me interessa e, estranhe-se, não interessa a muito homem sem ser para efeitos carnais ou para testar poderosos insecticidas.

Como se identifica?
Mostrei algumas fotografias de forma aleatória a uma amiga sem lhe dizer qual a minha opinião acerca das moças. Em 8 exemplos concordámos em 7.
À falta de uma capacidade mais precisa de racionalização deste 6º sentido para a javardice, eu diria que o meu maior ponto de referência, ainda que de forma involuntária, são as sobrancelhas.


Estou a partir deste momento disponível para receber a vossa ira e distorção das ideias que aqui apresentei.

2011-09-18

Nostalgia para débeis mentais

Deparei-me noutro dia com este texto (não é obra do autor desse blog) e tenho algumas coisas a dizer acerca do conteúdo.

Nada tenho contra a nostalgia do momento. É engraçado recordar um pouco daquilo que faz de nós o que somos hoje em dia. O que já não me agrada tanto é aquele tom repetitivo e escalado de geração para geração que dita que "no meu tempo é que era", que anuncia uma geração medíocre, perdida e claramente inferior à que pertence o autor do texto.

Ao traçar uma linha que divide os que nasceram antes de 1986 e os que nasceram após essa data, ainda que de uma forma pouco vincada, o bolinha de esterco (estou a assumir que foi um homem) separa os maus dos piores.

Uma vez mais o português tenta validar-se não por aquilo que é mas por aquilo que os outros são ou deixam de ser.
Uma vez mais, surpresa das surpresas, o tuga varre o problema para cima dos políticos, toma um chá e esquece-se daquele detalhe tão relevante que é o facto de que as gerações pré 1986 SÃO AS RESPONSÁVEIS PELA EDUCAÇÃO DAS PÓS 1986.

Será que li mais do que aquilo que estava escrito? Estarei muito sensível à mediocridade?

O que é que é preciso para que a nossa geração pare de acenar com a merda dos problemas e comece a acenar e a EXECUTAR  as soluções?

2011-09-13

Heróis

O mundo precisa de heróis.
A comunicação social precisa de heróis.
Eu vomito-me todo cada vez que alguém é colocado num ponto elevado sem que tenha feito nada por isso.

"Mãe doa heroicamente um rim ao filho!"
Heroicamente? Só pelo facto de estar no "Fátima" ou no "Você na TV" a vangloriar-se pelo seu acto podemos de imediato considerar esta pessoa como sendo uma grandessíssima cavalgadura. Desde quando é que doar um rim a um filho é um acto heróico, altruísta?
O puto carrega os genes da mãe! O "amor" em questão é biológico e incontornável. Se a criança não sobreviver os genes da égua que a pariu não vão a lado nenhum!
A "heroína" não está a fazer mais que a sua obrigação.

Rapaz cego e paraplégico diz em talkshow "Sou abençoado por ser assim, não há nada que eu não consiga fazer." (todos batem palmas)Isto de fazer de qualquer deficiente físico ou mental um "herói", também me parece uma hipocrisia de merda.
Será que o puto acreditava mesmo no que estava a dizer? É certo que ele tinha um talento especial para a música mas estou para crer que se lhe pedisse para me mudar a lâmpada de um candeeiro no tecto, ele era capaz de mudar de ideias...
É grave quando as pessoas começam a dizer barbaridades só porque sabem que é aquilo que vai puxar o aplauso de quem nos ouve. É grave e mete um bocado de nojo.

Gosto muito quando uma qualquer pessoa se dirige a mim com uma típica conversa-em-que-demonstra-indignação-e-se-vangloria-por-ser-quem-é. Gosto muito porque não vou perder a oportunidade de fazer aquilo que a outra pessoa não espera de mim: dizer o que penso. É mais que certinho que a conversa vai ser curta porque a pessoa é apanhada de surpresa. Aquele que devia nutrir o seu ego (eu) está, calmamente e à sua frente, a baixar as calças e a cagar em cima do mesmo.
A pessoa afasta-se meio abananada e prepara-se para começar a falar mal de mim ao próximo que encontrar.

Já mencionei que não tenho uma carteira de amigos muito vasta?



Nota: Agradecimentos a Mariam pela correcção do meu estúpido "houve".

2011-09-02

Fome em África

Este é um problema que incomoda mas que não é tão trágico como o desconforto que sinto quando se regista uma assincronia no número de beijinhos utilizados para cumprimentar uma pessoa. É uma matéria para mim desconcertante e que deveria ser alvo de regulamentação internacional.

Não tenho qualquer tipo de preconceito pelo facto das pessoas que nasceram em famílias "de bem" pouparem nos beijinhos. É um acto simbólico para o qual não há propriamente o correcto ou o incorrecto. O que gera um incómodo é a falha de timing criada pelo facto de nenhum dos intervenientes antecipar o que aí vem. Há sempre alguém que fica momentaneamente no ar à espera da réplica e que, ao aperceber-se da falha protocolar, recua ao mesmo tempo que a outra parte, que também já identificou a falha, avança. Gera-se um impasse semelhante àquele que ocorre quando uma pessoa está na eminencia de um choque frontal e se desvia para o mesmo lado que a outra pessoa umas três ou quatro vezes.

Nestas coisas embora prefira ceder nunca o consegui fazer com sucesso. Depois do primeiro episódio com pessoa X e devido à carga traumática associada,  a outra parte assume sempre que "com este pobre nojento tenho que ir ao segundo".

Subjugo estas pessoas de forma involuntária aos meus hábitos e vivo em sofrimento.

Nota: As pessoas que tratam os filhos por "você" podem morrer o quanto antes.

2011-08-23

Experiência social

Precisava que alguém me emprestasse um carrinho-de-mão para levar a cabo as seguintes alterações:
  • Colocar a polícia Síria em Londres
  • Colocar a polícia londrina em Madrid
  • Polvilhar a polícia madrilena pela Síria
  • Trocar a população portuguesa pela síria
  • Crucificar o Papa de pernas para o ar em cima de uma fogueira e servir o resultado em pão-pita
Para os menos hábeis passo a explicar quais as vantagens destas pequenas mudanças:
Churrasco de Papa não é mais do que uma manobra de pedagogia preventiva para os seus potenciais sucessores.
Eu tolero sem problema a fé alheia em Deus e Cristo, o meu verdadeiro problema é com a Igreja. Este senhor, uma fofura sem limites, disse:
"Seguir Jesus na fé é caminhar com Ele na comunhão da Igreja. Não se pode, sozinho, seguir Jesus."

E o molho, senhores, é divinal.

2011-08-10

As crianças estão aborrecidas - London Riots


Eu sou uma prostituta noticiosa e nestas coisas tenho uma necessidade quase sexual de estar actualizado. Por esta razão desde Segunda-feira à noite tenho consumido alarvemente Sky News. Esta estação noticiosa tem um sabor agridoce. Se por um lado levamos com os separadores que têm uma música que faz lembrar a TVI, por outro estamos descansados pelo facto de não haver nem uma única aparição de Nuno Rogeiro, que é uma das únicas pessoas no mundo que se especializaram em tudo (o outro é Moita Flores).

Quanto aos jovens que estão aborrecidos e que por causa disso precisam de plasmas e de vários artigos de  electrónica dispendiosa, não sei bem o que pensar.
O fogo tem proporcionado espectáculos bem bonitos e como eu sou um pirómano em potência e grande adepto do caos, deveria ficar-lhes muito agradecido. Por outro lado, sabendo da quantidade de inocentes que estão a ser afectados por estes actos, não me resta alternativa que não seja apoiar a abertura compulsiva de crânios de adolescentes. Estão a precisar de umas chapadas com ancinho.

Deste evento de beleza extrema fica pelo menos uma lição: se adolescentes armados apenas com telemóveis e com muita falta de estrutura moral conseguem tomar de assalto a capital de um dos países mais poderosos do mundo, talvez esteja na hora de prestar atenção às motivações desta gente.

Em Portugal podíamos juntar polícia, exército, marinha, e a Júlia Pinheiro e mesmo assim não teríamos qualquer hipótese de controlar uma situação semelhante. É certo que enquanto estivessem a agredir a Júlia ganharíamos algum tempo mas, ainda assim, um desfecho trágico seria inevitável.


Nota: Agredir a Júlia Pinheiro conta como auto-defesa com retroactivos. Não é crime.

2011-07-28

Nação polida - Aí tá o miolo!

Ano após ano vamos assistindo à suavização de ideias, expressões, palavras, correntes pedagógicas e tudo mais. Estamos a tornar-nos numa nação ainda mais polida do que aquilo que já éramos e, no entanto, toda a gente alega que é muito frontal e que diz tudo na cara.
Os que são brutalmente genuínos são os ignorantes, que falam muito mas que não sabem do que falam e os bem informados são os que substituíram as mentiras pelas inverdades.
Já não é possível dar uma palmada numa criança porque isso é ilegal e traumatizante e no entanto usar bebés como cinzeiros é algo que se tornou mais comum.
Eu giro as minhas relações tanto a nível profissional como pessoal no limite da má educação. Faço uso de um tratamento cordial mas nos níveis mínimos. Sou um tipo com um stock de calor muito reduzido e não gosto de desperdiçar nada. Até prova em contrário, não há cá simpatia extra.
Detesto esta ideia de que tudo tem que estar muito polidinho para que ninguém se magoe, para que nunca se faça sangue. Neste campo estamos a tornar-nos numa sociedade norte-americanizada e, consequentemente, ridícula.
Sou um grande adepto de vértices virtuais espalhados aleatoriamente pela sociedade. É essencial que tenhamos à mão pontos aguçados onde possamos enterrar a cabeça de uma série de filhos-da-puta que nos fazem a vida negra ou que, simplesmente, nos irritam com coisas mínimas.
Por favor espalhem-me alguns vidros pelo chão. Não suporto viver num ambiente seguro.

2011-03-01

Tirem a cabecinha da areia

(Este post estava agendado para daqui a mais de uma semana mas, como estou já li várias opiniões semelhantes à minha e estou a perder relevância, cá vai disto.)

Tenho 26 anos e desde os 14 que trabalho. Entre part-times e full-times, sempre consegui preencher o meu tempo livre com uma ou outra forma simpática de ganhar dinheiro.
Pela primeira vez nestes últimos 12 anos estou sem fazer rigorosamente nada há cerca de 2 meses. Não porque não consiga trabalho, nada disso. Ele anda por aí e é abundante para quem tem a minha idade.
Estou a fazer esta pausa porque, tirada que está a conclusão de que muito provavelmente não quero trabalhar na área de influência do meu curso, estou a tentar perceber o que quero fazer da vidinha.

Esclareçam-me uma coisa acerca desta manifestação porque tenho andado distraído.
Esta é a tal manifestação em que participam os jovens licenciados que acham que o país tem a obrigação de lhes dar emprego na área em que estudaram só porque isso lhes traz felicidade e dinheiro? Onde participam pessoas que acham que o país tem que pagar pelas suas escolhas académicas?
É a manifestação onde participam jovens não-empreendedores que preferem não fazer nada a aceitar um emprego de imigrante no McDonalds ou nas obras?
É o tal movimento social que acha que a sociedade se faz sem a ajuda de uma mulher-a-dias ou de um varredor de ruas?

Lamento que Deus não exista caso contrário encomendava um filho-da-puta de um dilúvio que  lavasse a merda toda até ao Tejo.

Não tenho pena dos recém-desempregados que foram corridos de uma fábrica mas que no passado, tendo  hipótese de escolha decidiram que já não lhes apetecia estudar, assim como não tenho pena dos que quiseram estudar e que acharam que isso lhes dava um direito especial a viverem no país das maravilhas.

Há toneladas de licenciados para gramas de vagas. Estão à espera que os empregos sejam criados do nada? Mexam-se! Criem o vosso próprio posto de trabalho ou enfrentem a responsabilidade de terem escolhido uma formação para um mercado que já estava saturado.

Lei da oferta e da procura? Alguém ouviu falar disso?
Portugal não é um país rico e espera a minha geração que se pague 100 quando há milhares de pessoas que aceitam trabalhar por 10?

Tirem a puta da cabeça da areia!

2011-01-10

A mais pura definição de ironia

  • Trocando apenas uma vogal o apelido do senhor torna-se numa ordem.
  • É engraçado que um tipo que viveu a vida a escavar a vida dos outros tenha direito a uma morte pacata, reservada, enfim, gozando de total privacidade.
  • É no mínimo curioso que tenha dado estas respostas a um questionário que lhe foi feito horas antes de esticar o pernil.

2010-06-11

Eu sou uma pessoa má porque... - III

... acho que a expressão "uma beca" é apenas utilizável por pessoas com um severo atraso mental.

2010-05-28

Sou uma pessoa má...

... porque fico irritado com uma coisa tão simples quanto receber uma mensagem, oral ou escrita, em que começam pelo meu nome.
Quando envio uma sms ou e-mail a alguém admito que não o estou a fazer para um telemóvel/e-mail comunitário.

Sou realmente detestável e volátil.