Sim, é isso mesmo. Encontrei-o na semana passada. É estúpido dizer que o perdi quando na verdade agora sei com toda a certeza onde está e onde vai sempre estar.
Se chorei? Conseguirei responder melhor a essa pergunta se conseguir definir o que é a fronteira entre o choro e o não choro:
- Voz estranha - confirmo
- Olhos no limite de escarrar uma água salgada - confirmo
- Soluçar e fungar desesperadamente - não se verificou
Consegui produzir algum humor negro ainda que com a sensibilidade mínima de não o fazer na presença daqueles que mais estavam em sofrimento. Não consigo perceber se isto prova a existência de alguma emoção ou não.
Consegui também irritar-me em quantidades consideráveis com quem, apesar de estar a experimentar dor real, consegue fazer o cabrão do exercício de pensar no que fica bem ou fica mal na etiqueta de um funeral (que poético).
Aquele que já não volta a abrir os olhos não se está a cagar nem a tecer qualquer tipo de opinião acerca do número de flores que lhe são oferecidas ou até mesmo se alguém lhe mija na campa.
O funeral não é para o defunto, é para os que ficam. É para eles que devem ir as verdadeiras preocupações e cuidados.
Gostaria também que me ajudassem a validar a seguinte falha que creio que tem que ser erradicada deste país: "Eterna saudade de seu(s) xpto" não soa totalmente a uma frase que foi escrita num telegrama? Quando se coloca uma fita destas numa coroa isto quer dizer que a mesma representa a saudade? E vão deixar a saudade a apodrecer num cemitério? Há algo que me irrita nesta construção frásica. Ajudem-me por favor.
Para terminar gostava de sugerir novos nomes para as agências funerárias. Não me agrada nada aqueles nomes carregados de sobriedade. Sugiro coisas como "Taxi para a quinta dos calados" ou "Agência Tu já não danças o cancan".