Humilhação assistida por motor
Faz hoje uma semana que, acabadas as aulas (às 23:00), me dirijo para o meu veículo de duas rodas e me agasalho para fazer frente ao frio. Visto o meu segundo casaco, coloco o capacete e calço as luvas. Estou pronto e a minha postura emana altivez. Sento-me na mota, coloco a chave na ignição e vá de pôr o motor a trabalhar. A mota ruge de forma imponente. Mesmo ao meu lado encontra-se o bar da universidade. Os poucos alunos que estão na esplanada olham para mim maravilhados, como se eu fosse um Deus (ou então coçam os tomates e bebem cerveja ignorando-me totalmente).
Volto o guiador para a esquerda e acelero a fundo, malhando 20 centímetros depois de arrancar.
Em menos de nada tinha um simpático vigilante ao pé de mim a perguntar se precisava de ajuda.
Está o estimado leitor a pensar "este gajo é um nabo!". Não que não seja verdade, mas passo a explicar o que se passou.
Nesta feliz ocasião, do ponto de vista do entretenimento, esqueci-me mais uma vez (longe de ser a primeira) de tirar o cadeado que se põe no disco de travagem na roda da frente (o meu não tem o tal "fio de telefone").
Quando se arranca a direito ainda dá para controlar a travagem forçada. Arranques a curvar... O resto é história! Focinheira no chão.
Que faz um verdadeiro motard depois de proporcionar ao seu público tal momento de diversão? Olha apenas e somente para a mota, enquanto a levanta (para evitar cruzamento de olhares com os que nos observam com elevado nível de gozo). Não se mostra minimamente afectado (um homem não chora!) e raspa-se o mais rapidamente possível.
Já perceberam para que serve o fio a que me referi no inicio do post? Serve para vocês o removerem sempre que o virem colocado num qualquer punho e para que se divirtam quando o motard não se recordar de remover o cadeado.
Enviem fotos!
