Foi neste local que hoje me transformei no primeiro flamingo andante.
Flamingo, porque ergui uma patita.
Andante, porque o fiz entre um e outro passo, parecendo um completo anormal.
10 minutos antesEstava eu numa reunião relativamente informal, quando começo a sentir uns calores. Olhei para o chão. Verifico que o meu pénis encontrava-se adormecido, não tinha ido brincar para perto do aquecedor que estava naquela sala. O problema era outro. Os meus intestinos estavam a precisar de libertar alguma coisa. Visto que a reunião era bem curta, não quis interromper e fazer uso da casa-de-banho. Certamente que logo que me levantasse a pressão ia diminuir e a crise era sustentável até chegar a sanitário mais familiar.
Abandono o edifício e sinto que a situação está a acalmar.
Poucas dezenas de metros mais à frente, começo a sentir contracções.
O homem bomba estava activado. Será que iria conseguir cortar o fio a tempo?
A situação estava critica. Estava de 9 meses e não havia sala de partos por perto. Quer dizer... Passei por algumas, mas pensei:
- Tu aguentas. Não há necessidade de entrar disparado por um restaurante adentro. Vais ouvir bocas de merda da parte do proprietário e vais ter um dia miserável. É preferível que te borres em plena praça pública e que ouças, de qualquer das formas, bocas de merda.
E lá fui eu, todo contente (ou não), a contorcer-me, LITERALMENTE, rua abaixo chegando a levantar a patita, tal e qual um flamingo (juro), olhando para todas as entradas onde me pudesse sentar ou para restaurantes onde pudesse executar a minha missão prioritária. Consegui aguentar. Estava quase a chegar ao meu porto seguro subterrâneo (estacionamento do Martim Moniz).
Passo por umas quantas putas (às 12:30 ainda estavam em serviço) e, com a situação mais calma, respiro de alivio. Consegui chegar ao meu pópó. Se houvesse algum acidente, podia conter o crude dentro do meu veiculo. Isto se eu o conseguisse encontrar...
Não há tempo para mais procuras. As contracções retomam e em força. Procuro a casa-de-banho. A sanita sorri para mim. Eu sorrio para a sanita. O casaco, que até é grande, não sorri para mim. Tiro-o e em vez de o pousar no chão, completamente mijado, meto-o por cima do braço e dou inicio à actividade
(usando a técnica de levitação).O parto foi fácil. O feto nasceu de 10 meses e mesmo assim estava mal formado. Enquanto termino, sinto que estou a pressionar inadvertidamente os botões do telemóvel, que estava no bolso do casaco.
Dou por encerrada a sessão e agradeço à Bragaparques todo tempo que dedicaram aos vereadores da câmara municipal de Lisboa. Sem eles nada disto tinha sido possível.
Nota: O telemóvel estava bloqueado. Queriam que me humilhasse ainda mais? Queriam?