Muita gente já me interrogou acerca da génese deste nome (mais precisamente zero pessoas).
Para que se note que sou uma pessoa extremamente sensível e altruísta, vou passar a contar a breve história que conduziu a este achado.
Faz mais ou menos um ano que uma amiga me convidou para tirar um curso de nadador-salvador com ela. Aceitei de imediato. Embora não tivesse os dentes podres, não gostasse de passar muito tempo a torrar a pele, não praticasse surf, não tencionasse exercer a profissão, nem achasse que era uma excelente forma de engatar miúdas, a minha intensa vontade de fazer o bem fez com que me fosse inscrever de imediato.
A parte prática foi cagada. Já tenho uns anitos de natação no lombo e desde o primeiro dia que consegui fazer os tempos necessários para ficar aprovado (palmas para mim).
Na parte teórica a coisa não correu tão bem. Tive que dar algumas faltas e no que toca a exames... Rés-vés! Se tenho falhado mais uma pergunta ficava chumbado.
Gostava que estivessem todos conscientes que há por aí muito nadador-salvador que tem tanta capacidade (física, técnica e psicológica) para desempenhar a função como um elefante autista e estrábico. Os testes são muito pouco exigentes e a quantidade de gente em avançado estado de parolice que surge nestas formações é praticamente de 100%. Qualquer pessoa que queira ser o herói do grupo de trabalho, só tem que subornar os colegas com sugos ou plasticina. Felizmente têm-me a mim, cidadão e profissional aplicado e competente (quero ouvir mais palmas).
Mas chega de denegrir pessoas que não têm oportunidade de se defenderem (são estúpidas demais) e vamos a talhar (peguem no cutelo).
No Verão seguinte, esporadicamente e só para substituir alguém que estivesse de folga, lá ia o Jorge brincar aos nadadores-salvadores.
Numa dessas ocasiões, a que interessa para o post, fui parar à Praia Grande (para quem não sabe é uma praia com umas ondas pequenitas e que nem é nada perigosa...). Quem é que estava lá para me ajudar na importante tarefa de proteger os banhistas da sua própria conduta merdosa? Um velhote que envergava uma t-shirt onde se podia ler "Banheiro". Estava-se mesmo a ver que este Sr. estava lá para quatro coisas:
- Almoçar e destruir um bom tintol
- Montar e desmontar toldos
- Cobrar a dinheiroca inerente
- Fazer em papa o meu cérebro
Entregue que estou a minha sorte, coloco uma cadeira próximo do mar e lá me sento a (tentar) ler um livro enquanto deito um olho aos suicidas (o facto de estar bandeira vermelha é coisa de que não fazem grande caso).
Com o passar do dia o solitário velho faz conversa comigo. Fala, fala e fala mais um pouco. Eu vou sorrindo e acenando de forma quase automática. Em menos de nada está a usar termos bem jocosos e a comentar a carne que se vai passeando.
Depois de muitas horas a absorver informação, de responder com "humm humm" e de receber uns empurrões laterais (que mania parva que havia de ter) houve uma coisa que ficou bem gravada. Do nada (não me lembro de que estava a falar) sai-se com um "O piston é a cabeça do homem!"
Alguns meses mais tarde, depois de rejeitar um outro nome, que embora tivesse nascido antes dos "Gato Fedorento" podia soar a colagem, vá de usar a frase deste meu companheiro de um só dia.
Muito obrigado senhor banheiro!