Há uns dias atrás enquanto tentava navegar através do lixo televisivo que nos servem nas madrugadas de Agosto, deparei-me com
um filme que contava a história de um jovem moço que, após um desgosto amoroso, tinha decidido entregar-se temporariamente ao celibato.
Os amigos e colegas de trabalho olhavam-no com admiração e faziam apostas em como ele ia falhar. Ninguém acreditava que fosse possível passar 40 dias sem sexo.
Por esta altura o filme tinha ganho o meu desprezo. Ou eu era uma triste aberração ou esta breve abstinência não era nada de especial. Eu faria aquilo com uma perna às costas e, como tal, o argumento deste filme era merda.
A coisa complica-se um pouco mais quando ele conhece uma garota de bom aspecto pela qual se apaixona. É correspondido mas como está no seu período puro esta besta não lhe toca. The plot thickens e o meu interesse cresce.
Não tendo começado a ver o filme desde o início parecia-me completamente ridícula a perda de juízo, os suores frios e todos os outros sintomas que o tipo estava a experimentar. Um completo exagero.
Afinal a abstinência não se limitava à mera relação sexual. Toda e qualquer auto-gratificação estava fora de questão.
Estremeci. A partir desse momento aquela era uma personagem que eu poderia admirar, um ídolo. Tinha-se proposto a fazer algo que implicaria uma luta feroz com as suas próprias hormonas. Será que eu o conseguiria fazer? Isto sim é um desafio, algo que nunca fiz.
Assumindo que o número anual de mulheres pela qual gero algum interesse situa-se nos 0.5 e que creio que já esgotei o plafond de 2011, este parece-me um projecto que poderei abraçar com a concentração necessária.
Se eu obtiver os níveis de irritação que prevejo que vou obter não só a actividade abrasiva deste blog vai aumentar como os motins em Londres serão importados pela mão de um só individuo.