2020-03-17

O doce aroma a final dos tempos

A pandemia está a ter um efeito muito estranho e nulo: religiosos passam a confiar na ciência, ateus passam a histerismo irracional.

Em tempos anormais, de desafio, em vez de união verifica-se apedrejamento. União no apedrejamento.
A solução é consensual no que ao povo concerne e bem diversificada no que respeita a quem foi eleito para governar. Todos os governantes são estúpidos, o povo é que sabe.

Os especialistas, doutorados em tudo pela universidade Sailor Moon, dizem de forma inequívoca:
- Que se feche o país!
- Já deviam estar tudo fechado há 2 meses!
- Como é que não temos um ventilador para cada português!

A noção de recursos finitos não parece ser algo aplicável ao Estado.
Queremos tudo, de todas as formas, na máxima força e já. Primeiro faz-se, depois logo se vê se fazia sentido.
Não queremos passar fome, queremos comida barata porque vamos passar dificuldades financeiras, e queremos o país fechado. Também queremos que as encomendas da Amazon cheguem e que a Linha Saúde 24 esteja funcional a 400% do que seria a carga normal, sem falhas, sem demoras, perfeita.

Queremos tudo e sabemos tudo. Queremos a imediata suspensão do pagamento de rendas, electricidade, gás, tudo. Também queremos que o sector cultural seja fortemente apoiado. Queremos tudo, ao mesmo tempo, imediatamente.
Em tempos mais exigentes do que os de guerra, queremos o que não temos em tempos normais.

Fecharam o país há dois meses? Estava-se mesmo a ver que isto era só para vender máscaras, destruíram a vida de milhares de pessoas, destruíram a economia.

É fácil governar no sofá quando não se tem que lidar com as consequências dos nossos palpites e das nossas palpitações.

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