O Tom Hanks que não há em nós
- Está na altura de ignorar que há milhares de pessoas que caíram no desemprego e que não voltarão a fazer parte da população activa, com todos os problemas financeiros e de auto-estima que isso acarreta.
- Está na altura de ignorar que há milhares de pessoas que passaram dezenas de anos a pagar o empréstimo que contraíram para a compra da sua casa e que, tendo pago de 80% da mesma, vêem-se incapazes de pagar o restante, perdendo assim todo o dinheiro despendido e o telhado que os protegia.
- Está na altura de sermos pragmáticos e de ignorarmos todo o sofrimento alheio porque, na verdade, ele não é real, não nos toca, não nos diz respeito.
- Está na altura de continuarmos a cavar um pouco mais o fosso social que conduzirá à desintegração da pirâmide onde confortavelmente alapámos o rabo.
Contracenando com uma verdadeira médica da marinha norte-americana, com nenhuma experiência como actriz e que no primeiro take estava de tal modo em pânico que não conseguiu desenrascar uma interpretação minimamente aceitável, Tom Hanks faz, logo ao segundo take aquilo que provavelmente não é inteligível para quem não viu o resto do filme ou para quem demonstrou publicamente uma grande indignação pelos "ataques" da Pepsi em relação Cristiano Ronaldo.
