Sexo sem compromisso é algo de banal nos dias de hoje. Há muito que o homem não precisa de se esforçar para conseguir tal coisa.
A mulher emancipou-se, assume que gosta de sexo apenas pelos impulsos eléctricos e tira um proveito do seu corpo, livre de complexos.
Eu, que durante bastante tempo fui muito acanhado no que toca a esta matéria, achando que mostrar apetites com origem na zona abaixo do equador, em relação a uma mulher alvo do meu interesse, poderia ser repulsivo, continuo a ter aqui uns problemas em registar a evolução exponencial deste "mercado".
Sexo no primeiro encontro (que muitas vezes é o único), também começa a ser banal.
Fellatio, o ex-santo-graal, bem ou mal feito, também já há umas décadas que deixou de ser um prato exclusivo da prostituição.
O que me causa neste momento alguma perplexidade são os dados estatísticos amadores que me chegaram à mesa de trabalho: sexo oral no primeiro encontro começa também a ser relativamente vulgar, tal como o 68*.
Tinha para mim que este tipo de contacto intimo ainda estava reservado para relações que são realmente intimas, aquelas em que há duas mentes a funcionar e que se sentem envolvidas uma pela outra por mais do que fortuito instinto animal. Quando é que isto mudou e porque é que ninguém me avisou?
A facilidade com que se conseguem obter estes kits IKEA de estroinice espanta-me. Fáceis de transportar e de montar, embora deixem a desejar no que toca a qualidade.
O homem depara-se nos próximos anos com um problema criativo de grande dificuldade: quando o engolir, o anal e ménage à trois, passarem a ser tão difíceis de obter como um copo de água, o que é que havemos de inventar? Nós precisamos de um objectivo, algo de proibido com o qual possamos sonhar.
Porque é que querem destruir o nosso mundo de fantasia, a nossa infância, porquê?
Porque é que nos arrastam para dura realidade que é não ter mais nada para onde possamos orientar a nossa ambição?
Não quero passar a ideia de que isto é um ponto de vista machista ou misógino em relação à mulher contemporânea, vocês continuam a mandar totalmente no jogo de sedução, o problema é que me parece que começaram a abdicar do mesmo.
E o que procura a mulher na mecânica da coisa? Um cunnilingus feito em condições e que não sejam esquecidos todos os pontos erógenos? E mais?
Já que estamos a falar de carnalidades, às vezes quando me levanto da sanita fico na dúvida se evacuei ou se produzi uma derrocada.
* É exactamente o mesmo que um 69 mas neste caso um dos parceiros fica a dever