É uma obrigação quase legal de todos os portugueses a demonstração constante de indignação. O tuga, essa raça que devia ser abatida por esmagamento dos membros, nem sequer tem capacidade de se indignar por inteligência própria. O tuga papagueia o que ouve na televisão.
Na quarta-feira, creio eu, cheguei a casa a más horas e liguei a televisão. Tive a grande sorte de apanhar na mesa de uma qualquer gala, José Eduardo Moniz e sua esposa. Este grande director de programas sai-se com algo semelhante a isto:
- Podem ligar para este número à vontade. O vosso dinheiro será bem entregue, não é para salvar nenhum banco.
A esposa da criatura demora algum tempo simulando uma expressão de intriga, como se estivesse a apreender o conteúdo de piada tão profunda, e depois começa a bater palmas e a libertar sonoras gargalhadas.
É a indignação do momento: o BPP.
Aparentemente todos os que são ricos enriqueceram porque são vigaristas, não há quem o tenha conseguido por sorte ou por ter trabalhado bem (a sorte também deve ser crime).
Aparentemente, as pessoas que são multimilionárias por mérito, têm a obrigação de sustentar o país no meio de uma crise. Não têm direito a ter o fruto do seu trabalho salvaguardado.
Aparentemente, embora o tuga não seja propriamente um entendido em economia de grande escala, como aprendeu a dizer "já chegou à economia real" acha que faz a mais pequena ideia das consequências que pode ter o fecho de um banco tão pequeno quanto o BPP.
Aparentemente ninguém ouviu aquela parte em que se diz que "o banco de Portugal não deu os fundos pedidos pelo BPP mas arranjou uma alternativa usando o dinheiro dos outros bancos".
Aparentemente o tuga acha que o estado depois ter dito que ia apoiar os bancos que pedissem ajuda pode, de repente, discriminar e dar o apoio dependendo do tipo de clientes que esse mesmo banco tem.
Aparentemente o tuga não percebe que quem lhes dá emprego são alguns dos clientes do BPP...
Aparentemente o tuga NÃO PENSA, limita-se a repetir tudo o que ouve.
Aparentemente o tuga devia levar com uma barra de ferro nos rins até que a mesma formasse um pentágono / partisse (não importa o que acontece primeiro desde que doa muito no processo).
Nota: É que nem se atrevam a dizer que sou rico. Peço-vos logo um empréstimo para comprar uma pastilha elástica.