O plasma que destruiu uma civilização
Para enfrentar a crise económica precisamos de uma guerra com urgência.
Acho mesmo que não há volta a dar. Precisamos de mortos, pedaços de corpos espalhados pela rua, insegurança, medo, famílias destruídas, cidades arrasadas, estruturas de saneamento básico, electricidade e água devastadas, metade das pessoas que conhecemos enterrada e a outra metade em vias disso.
Por todo o mundo o ser humano se queixa da crise justamente quando chegámos à época em que:
- Pagamos uma mensalidade no ginásio para perdermos aquilo que comemos a mais.
- Pagamos para ter comprimidos que nos ajudem a perder aquilo comemos a mais.
- Pagamos para ter comprimidos para nos livrarem da tristeza que é viver sozinho, atrás de um computador ou de uma personalidade intolerante que à mínima contrariedade "despede" uma pessoa da sua vida.
- Pagamos para ir ao cinema ver a vida maravilhosa de outras pessoas, as que têm coragem para mudar o mundo e que, depois de desligadas as câmaras, vão tomar antidepressivos para o camarim.
- Pagamos para ter sexo.
- Pagamos para ter medicina que nos livre das doenças que contraímos a trabalhar 10 horas por dia.
- Pagamos para que alguém tome conta daqueles que amanhã vão ser "uns mal agradecidos" porque trabalhámos para lhes dar tudo (materialmente) o que têm.
- Pagamos a mensalidade de um carro que em vez de trabalhar para nós pôs-nos a fazer o contrário.
- Pagamos para sermos bonitos, atraentes, para conseguir sacar um bom companheiro(a) porque não somos suficientemente interessantes para o fazer de outra maneira.
- Pagamos por cultura para nos tornarmos interessantes, para podermos beber aquilo que os outros tiveram coragem de experimentar ao vivo e a cores.
- Pagamos por um telemóvel que tenha câmara de 30 mega pichas, porque é muito importante tirar fotos de todo e qualquer cagalhão que encontremos na rua.
- Pagamos a prestações um plasma (que geralmente é um LCD mas "plasma" dá uma erecção maior) porque o que precisamos mesmo é de ter cinema em casa, independentemente do número de cáries que possa ter a boca do puto.
Quando digo que precisamos de uma guerra, não me refiro a brincadeiras como no Iraque. Refiro-me a uma terceira guerra mundial. Uma guerra onde não se lute por interesses económicos mas sim por pura sobrevivência.
Uma guerra onde Cristiano Ronaldo terá que vender os brincos para comprar meia carcaça.
Uma guerra onde de nada valerá um iate porque não dará para trocar por comida.
Uma guerra em que o Major Valentim Loureiro fique com merda a escorrer pelas pernas só de ouvir um morteiro.
Uma guerra onde o preço da gasolina vai deixar de ser importante simplesmente porque não sabemos dos nossos amigos há meses.
Uma guerra em que seja tolerável comer a Lili Caneças porque os talhos estão vazios.
Uma guerra em que se consiga uma carnificina apenas por lançar um saco de pão para o meio de 1000 pessoas esfomeadas.
Uma guerra em que o Manuel Luís Goucha seja forçado a vender o seu guarda roupa apaneleirado para o fabrico de tendas.
Crise económica? Será que a classe média não se apercebe que não é o governo mas sim o mundo que está a atingir a saturação por excesso de arrogância (a da própria classe média)?
Acredito que haja muita gente a passar genuínas dificuldades mas acho que é quase pornográfico que um gajo com um plasma em casa se queixe por tudo e por nada.
Um dia hás-de barrá-lo com manteiga e vais enterrá-lo no cu (porque não o podes comer de outra maneira).
BAIXA A BITOLA MEU COIRÃO CHUNGA! Tu não tens direito a viver só porque respiras!
Vê lá se te faz mal à mioleira ver o Benfica a perder num ecrã de 55 centímetros.

