2015-09-20

Peripécias dos fachos em PT

Esta maravilhosa página de Facebook fechou, creio eu, porque foi reportada por muitos fachos que andavam metidos em peripécias.

Tendo em conta o grande serviço que nos estava a prestar estou hesitante no que toca a tentar deitar a mão ao maior número possível de fotografias e a guardá-las neste cantinho.

Não sei o que hei-de fazer.















Como tenho vergonha deste país.


2015-09-07

Uma peça de roupa branca: como eram as redes sociais em 1991


É com surpresa que descubro que a xenofobia é, nos dias de hoje, um sentimento que não vive escondido na penumbra das mentes mais tacanhas mas que é ostentada com orgulho.

Pelas redes sociais e blogues a fora lêem-se opiniões tremendamente embaraçosas no que toca à crise dos migrantes. Tenta-se comparar os portugueses que vivem em imensas dificuldades económicas aos sírios que fogem para sobreviver.

Haverá muitos portugueses que consigam realmente compreender o que é não poder estar no seu próprio país temendo que a qualquer momento a morte chegue através de um qualquer bombardeamento ou investida feita pelo Estado Islâmico ou pelo governo que se recusa a sair do poder?
Conseguirá alguém tangencialmente perceber o que é estar num cenário de guerra em que ambas as partes são maléficas?

Em 1991, como não havia redes sociais para esfregarmos na cara uns dos outros o quão fantásticos éramos, Portugal aderiu em massa ao apelo para que se utilizasse uma peça de roupa branca como forma de condenar a invasão de Timor que era protagonizada pela Indonésia. O massacre no cemitério de Santa Cruz chocou o mundo e os portugueses pensaram:
- Só uma peça de roupa? Não tenho que gastar dinheiro nem fazer qualquer esforço físico e ainda fico bem na fotografia? Vamos a isso!

O país ficou muito orgulhoso e achou que teve uma real influência na resolução do conflito.

Em 2015, havendo uma forma prática de ajudar um povo que troca a sua terra natal para sobreviver, os pais dos portugueses que emigraram nestes últimos 4 anos decidem semear e adubar de forma muito abundante a xenofobia que não querem que exista em relação aos seus filhos.


 Aceitem da minha parte um vigoroso "vão para o caralho".

2015-09-04

Micro-indignação para seres humanos a brincar

Coloque uma sela no dorso miúdo sírio que deu à costa e participe na corrida de popularidade das redes sociais.

O vencedor chegará ao céu de Zuckerberg, onde toda a gente lhe dará constante atenção e banhos regulares de likes.


2015-09-03

"O exemplo tem que vir de cima!"

Com a aproximação das eleições legislativas estou condenado a repetir vezes sem conta as mesmas ideias e a cair na lista negra de um número considerável de pessoas.
Tenho uma séria dificuldade em ver o povo sempre a chutar as responsabilidades para cima, como se fossem inocentes e nada tivessem que ver com o lodo no qual estamos metidos.

Este fim-de-semana, durante uma reunião familiar, ouvi novamente o velho discurso de que o governo isto e aquilo, dão cabo de tudo, blablablasouumjumento.
Sendo o painel composto por familiares, sei perfeitamente as práticas fiscais dos elementos que o compõem e não me inibi de perguntar-lhes se acham que eles são diferentes desses mesmos políticos, corruptos e ladrões. Como é expectável, não gerei sorrisos.

Depois de me barrarem a desculpas que não têm qualquer validade argumentativa acabaram por sacar do bolso uma frase que parece ser o último reduto de jovens e velhos, ignorantes e bem formados: "O exemplo tem que vir de cima!".
Estes detentores de um registo imaculadamente branco no que toca a pensar pela própria cabeça, dizem-me que quando os de cima começarem a ser sérios é que toda a gente o pode ser.

Eu, que estou convencido que os deputados são eleitos por NÓS, que são nossos REPRESENTANTES, não espero que eles me dêem qualquer exemplo. Neste caso a base da pirâmide é que deve definir quais as normas a cumprir e quais os comportamentos que são inaceitáveis e que não serão tolerados.

De facto, se olharmos um pouco para trás, perceberemos com facilidade que a estrutura que nos governa está atenta e, de facto, legisla à nossa imagem. A amnestia que é concedida de 4 em 4 anos alternadamente a um e a outro partido demonstra que nada é suficientemente amargo ao ponto de não eliminar a reflexiva vontade de voltar a meter mais do mesmo na boquinha.