2015-08-31

9 anos

Querido blogue,

Hoje que é o teu aniversário e que começas a deixar de ter interesse para diplomatas e malta do Clero, gostaria de me endereçar a ti como fazem as pessoas que escrevem coisas no Facebook como se fossem para entes-queridos que esticaram o pernil.

Gosto muito de ti caraças. Bem sei que sem mim não existirias e que, bem vistas as coisas, estou apenas a ser um narcisista de merda, mas gosto mesmo de ti.

É certo que já tive muito mais orgulho no que expões na tua montra mas, ainda assim, é factual que me deste a conhecer muitas pessoas ao longo destes anos e que algumas delas passaram a ter uma importância gigantesca na minha vida. É também inegável que, quando já te julgava enterrado, rompeste a terra com o teu bracinho imaginário e voltaste para abalar os meus alicerces, dando-me a conhecer uma pessoa cujo enquadramento legal no que toca à saude mental é deliciosamente discutível mas que, juntamente com todos os que por aqui passaram ao longo de destes anos, fizeram com que a minha inevitável insanidade fosse severamente atrasada.

Aceita este meu singelo agradecimento em jeito de auto-fellatio.

Cumprimentos,
Piston


2015-08-29

Evento astronómico

Acordo ortográfico: não gosto, não respeito e acho que nunca o utilizarei.
Posto isto, acho excessiva a indignação com a qual muitos ilustres se revoltam contra esta coisa. Sim, altera substancialmente a grafia de muitas palavras e torna a diferenciação entre outras impossível, mas  se sobrevivemos já há muitas centenas de anos ao evento cataclísmico que é ter que discernir contextualmente quando há uma menção a uma peça de roupa feminina ou a uma ordem de evacuação, creio que não será isto que matará a nossa cultura.

Muito mais grave do que é ouvir Mota Amaral, um senhor que já não devia estar abrangido pelos humores da adolescência, referir-se ao dia seguinte ao das eleições como o "day after". Assim, do nada, este senhor que já foi presidente do Governo Regional do Açores e que conta com 72 Primaveras no lombo, decidiu que as palavras portuguesas não eram adequadas para representar a ideia que pretendia transmitir.

Mudando completamente de assunto: o que é que aconteceu ao pôr-do-sol neste Verão?

2015-08-18

Lavabos unissexo

Centro comercial Amoreiras
17 de Agosto de 2015
21:20

Dirijo-me à casa-de-banho mais próxima da área de restauração com o intuito de lavar as patas.

Inicio o processo molhando as mãos e procurando o sabonete colocando as mãos num buraco abaixo da indicação que está afixada.
Coloco a mão uma e outra vez sem que o mecanismo reconheça a minha presença e me agracie com uma ejaculação desengordurante. Em vez disso choco com uma outra mão, com unhas pintadas.

Sim, há uma abertura bem generosa que permite a comunicação directa com a casa de banho das meninas. Estou a falar de uma coisa com 1 metro de comprimento e com uns 15 cm de altura, não é brincadeira nenhuma.

Abandonei rapidamente o local até porque a mulher do outro lado lavava as mãos com a delicadeza de um cão que acaba de sair da água.

Pelo que percebi daquela configuração depravada, é possível que um macho esteja a defecar de porta aberta enquanto observa os seios de quem se encontra do outro lado da barricada.

O que é que passou pela cabeça do gajo que desenhou aquilo?


2015-08-12

Poesia...

... não é aquela merda que fazem quando tiram uma fotografia de um gatinho, durante o pôr-do-sol, com uma flor no rabo.

Se querem mesmo chamar a atenção de alguém partilhem antes fotografias dos cortes que fazem na coxa ou do mais recente olho negro da vossa namorada.

Se tenho que levar com conteúdo produzido por gente labrega exijo que me provoquem pelo menos algumas gargalhadas.


2015-08-08

“Scratch any cynic and you will find a disappointed idealist.”

Sexta-feira foi dia de ver o último episódio do Daily Show apresentado por Jon Stewart, de tomar conhecimento de que o Tubo de Ensaio, programa de rádio de Bruno Nogueira e João Quadros, terminou de vez e de ver o debate entre os candidatos à nomeação republicana para a presidência dos Estados Unidos da América (sim, sou aborrecido a este ponto).

Longe de ser uma mousse de chocolate para a maior parte dos estimados leitores, deixem-me explicar-vos porque é que ver este debate foi interessante e é importante, não só para os norte-americanos mas para todos os que têm as patinhas no planeta.

No país mais evoluído e poderoso do mundo há um candidato à presidência que pretende que o aborto seja proibido em toda a qualquer situação (violação e perigo de morte para a mãe incluídas), porque é "pró-vida". Conta, evidentemente, com várias centenas de milhares de apoiantes, talvez milhões (relembro que estamos em 2015).
Há um outro candidato que usa um tom muito semelhante ao do senhor Adolfo, promovendo também algumas ideias no limite da tolerância racial. Este último está em primeiro lugar na maioria das sondagens e teve o requinte de dizer que a jornalista que foi mais feroz nas perguntas que lhe colocou, sangrava pelos olhos e por outros sítios, deixando bastante claro que o tom da fêmea só se deveu a TPM ou a uma disfunção hormonal.

Em Portugal as poucas pessoas que têm os neurónios no sítio ficam sucessivamente espantadas com a escolhas que os portugueses fazem nas urnas ou nas praias. A memória das massas a médio prazo é facilmente apagável com um porta-chaves ou uma t-shirt. Há também os que são incapazes de ver um país que não seja ou rosa ou laranja.
Esta Sexta-feira foi também o dia no qual se fez conhecer uma sondagem que dá um empate técnico entre António Costa e Passos Coelho. Não há, portanto, futuro. Os cidadãos deste país acham que ou se escolhe o passado ou o presente, não há alternativa.
Durante muito tempo pensei que este fosse um problema de QI que afectava apenas os meus compatriotas mas, observando a história recente de países como a Rússia, Venezuela, Itália, Turquia e Hungria, só para mencionar alguns, apercebo-me que o problema é generalizado e causa-me alguma impressão como é que tantos milhões de pessoas conseguem atar um sapato sem terem um esgotamento nervoso.

"Bullshit is everywhere."
Não sendo uma citação muito singular ou orelhuda, esta frase foi utilizada por Jon Stewart no momento em que se despediu do público e por George Carlin num dos seus inúmeros espectáculos de standup.
Voltando a Portugal, Bruno Nogueira e João Quadros ofereceram-nos tratados de jornalismo polvilhados com humor de uma acidez no limite do tolerável, que faziam o melhor possível para nos mostrar que aquilo que se faz e se diz com a maior das naturalidades, é muitas vezes completamente revoltante e inaceitável.

Esta foi também a semana em que se conheceu o feito heróico de um português em Paris que salvou uma cadela que havia sido parcialmente enterrada viva. Sim, considera-se que algo feito à luz daquilo que deveriam ser princípios básicos de qualquer ser humano, isento de qualquer risco, um acto de heroísmo.
Como é possível ter o mínimo de fé numa espécie que parece que já só pratica um acção bondosa se for por medo de ir parar ao Inferno ou para ter material para esfregar nas redes sociais?

2015-08-06

A excelência do guionismo português

Adultos planeiam ocupar a Assembleia da República, entrando pelas condutas de ar, para reivindicar a independência de uma aldeia do interior do país que pretende ser monárquica.

E é assim "Bem-vindos a Beirais".

Civilização Selectiva

Pena de Morte

Inaceitável num país civilizado (a menos que se tenha feito alguma maldade a um animal).

Nesse caso é amarrar o facínora a uma árvore (os especialistas também utilizam "um poste") e fazer-lhe o mesmo antes de proceder ao seu abate.

Não há coração cheio de Amor onde não se consiga arrumar um arruaceiro.


2015-08-05

Neste Verão não se esqueça:

A sua felicidade só deixa de ser virtual quando devidamente exibida numa rede social.


2015-08-01

Chicco

A Chicco decidiu que seria uma boa estratégia de marketing apostar numa série de actores de novelas da TVI para promover os seus produtos em spots de rádio.

Apesar de não gostar do tom de olha-que-somos-praticamente-pediatras-porque-tivemos-um-filho que todos os actores utilizam, Diogo Amaral é um caso completamente díspar.

A excitação que ele transmite com a sua entoação é de um exagero parvo. Só faria sentido se ele fosse um pedófilo prestes a dar banho ao seu rebento.

A Internet é um idoso


Ainanas
Tá Bonito
Eu Gosto é Disto

Estes são sites rameiros, para gente rameira, que asseguram diariamente que a internet está comovida.
Aparentemente há por aí muito cabo de fibra óptica que está constantemente de lágrima ao canto do conector.

Os autores destes sites não fazem mais do que aguçar a curiosidade daqueles que têm muito pouca vida para além dos vídeos de gatinhos e de reality shows onde se procuram talentos.
Não fazendo ponta de corno para produção de conteúdos, os criadores destas espumas-de-canto-da-boca fazem bom dinheiro utilizando para isso o que outros gravaram algures pelo mundo.

Desviando-me um pouco deste assunto, gostaria que me explicassem que necessidade constante é esta que muita gente manifesta nas redes sociais de precisar de poesia na sua vida? Há alguém que dê um toque no ombro desta gente e que lhes explique que não são escritores com livros editados nem fotógrafos a expor os seus trabalhos na bienal de Veneza mas que na verdade se encontram na Brandoa e que o cheiro a refogado não vem da cozinha?