2015-07-31

Como alimentar amizades

Amiga faz-me uma visita.
Está triste e revoltada porque tem que pagar IRS.
Diz mal do país e dos políticos que temos.
Relembro-lhe que andou um ano a receber subsídio de desemprego e a fingir que estava à procura de trabalho, que é tão trafulha como qualquer político e que faz parte do cancro, não da quimioterapia.

Diz que a culpa é na mesma dos políticos porque não educam o povo para o que é economia e como funciona.
Explico-lhe que o subsídio que lhe pagámos a multiplicar por 14 meses é um valor considerável, que os políticos que lá estão também foram eleitos por ela, que sabe a diferença entre o bem e o mal e que escolheu ser mais um dos que desfalcam o país.

Saiu de cá agradecida e com ideias novas para orientar a sua vida (ou então saiu com a mesma visão mafiosa e a detestar-me).

2015-07-29

Hashtags

O conceito de Hashtag foi criado como forma de aglomerar com facilidade todas as postas-de-pescada cibernéticas emitidas acerca de determinado tema. É também uma forma eficaz de contabilizar quantas pessoas escreveram alguma coisa acerca do furúnculo anal de uma qualquer celebridade.

A comunidade rameira do planeta teve acesso a esta merda, não percebeu bem para que servia, mas viu nelas uma oportunidade para exercitar a sua rameirice.

#contratudoecontratodos
#soumaisfortedoqueosinvejosos ou #aminhaavonaocortaasunhashatantotempoquequandoforpodadapodereiutilizarasaparasparapendurarcandeeiros não são utilizações válidas a não ser que se pretenda com as duas primeiras agregar todas as pessoas que poderiam ser utilizadas para alimentar hienas cocaínadas ou, no caso da terceira, abrir um armazém de quinquilharia ecológica.


Povo,
Parem de usar essa merda como se estivessem a escrever ensinamentos de vida que serão prégados por Maomé, Jesus ou pela Minnie. Preocupem-se antes com o colesterol e em arranjar uma plaina para amaciar essas caras bexigosas.

Cumprimentos,
Piston

2015-07-14

Melhorando uma Vida

Noutro dia cruzei-me com um mendigo e decidi mudar as nossas vidas.

Emprestei-lhe 500€ para tomar um banho, comprar roupas e alugar um quarto. Estas seriam as condições necessárias para conseguir reintegrar-se na sociedade, arranjando um emprego, nem que fosse a ganhar o ordenado mínimo.
Pedi-lhe em retorno que começasse a pagar-me de volta no mês seguinte. Teria que saldar a dívida em 3 prestações de 250€.

Logo no primeiro mês falhou o pagamento. Disse-me que o dinheiro que tinha emprestado não chegou para alimentar-se em condições e, de tão fraco, começou a não conseguir trabalhar, tendo sido despedido.
Emprestei-lhe mais 500€ exigindo que vendesse os sapatos e que me pagasse de volta em 7 prestações de 300€.

Falhou novamente no mês seguinte. Disse-me que sem sapatos feriu os pés e deixou de conseguir trabalhar, tendo sido despedido.

Disse-lhe então que para resolvermos o problema de vez, vinha trabalhar para minha casa e que, para além de alimentação e abrigo, lhe pagaria 1€ por mês. Desse euro teria que me dar 50 cêntimos até pagar tudo o que lhe tinha emprestado. Como sou generoso, perdoei-lhe os juros.

E foi assim que mudei a minha vida para melhor ao contratar para todo o sempre, como mordomo, o Meliteu.

OXI - Numeração Romana com gralha

Quando os gregos decidiram rejeitar as medidas de austeridade que os credores lhes queriam impor, tudo quanto é anarquista e gente de esquerda veio gritar para a internet a plenos pulmões "OXI".

Só porque estes reservatórios de piolhos defendem esta posição, aparentemente não posso fazê-lo sob a pena de integrar a manada dos que reagem porque querem ser anti-sistema e não porque têm uma argumentação lógica a defender esta posição.

Ora eu, Piston de Almeida, achei que a negação de tais medidas foi uma demonstração de coragem e, apesar de tudo, tomo banho todos os dias.
Acho admirável que um povo que está a torrar ao Sol, a sofrer queimaduras e a desidratar, diga que rejeita a água que lhe dão se para isso tiverem que abdicar da liberdade.

Mais, não acho sequer que seja incompatível acrescentar a esta opinião que, pelo que leio, os gregos merecem parte do que lhes está a acontecer. Sempre foram grandes adeptos de uma economia paralela bem musculada, não percebendo que quando são mais os que tiram do saco do que os que põem, coisas más acontecem. É o mesmo estar à espera de não gerar uma dermatite quando se faz amor com uma pessoa do Barreiro.

Às pessoas que acham que não se deveria dar nem mais um cêntimo à Grécia, pergunto se defendem a pena de morte.
É que os gregos são culpados de trafulhice da grossa, não tenho grandes dúvidas disso, mas isso não quer dizer que a penitência tenha que ser tão dura.

- Blablabla, é o terceiro resgate e não cumprem nada do que é exigido!

Mesmo assim, assumindo que todos os cidadãos são ladrões, devemos condenar um país a nunca mais se conseguir levantar? Não é isso de facto uma pena de morte (que em muitos casos será, de facto, literal)?