2015-09-07

Uma peça de roupa branca: como eram as redes sociais em 1991


É com surpresa que descubro que a xenofobia é, nos dias de hoje, um sentimento que não vive escondido na penumbra das mentes mais tacanhas mas que é ostentada com orgulho.

Pelas redes sociais e blogues a fora lêem-se opiniões tremendamente embaraçosas no que toca à crise dos migrantes. Tenta-se comparar os portugueses que vivem em imensas dificuldades económicas aos sírios que fogem para sobreviver.

Haverá muitos portugueses que consigam realmente compreender o que é não poder estar no seu próprio país temendo que a qualquer momento a morte chegue através de um qualquer bombardeamento ou investida feita pelo Estado Islâmico ou pelo governo que se recusa a sair do poder?
Conseguirá alguém tangencialmente perceber o que é estar num cenário de guerra em que ambas as partes são maléficas?

Em 1991, como não havia redes sociais para esfregarmos na cara uns dos outros o quão fantásticos éramos, Portugal aderiu em massa ao apelo para que se utilizasse uma peça de roupa branca como forma de condenar a invasão de Timor que era protagonizada pela Indonésia. O massacre no cemitério de Santa Cruz chocou o mundo e os portugueses pensaram:
- Só uma peça de roupa? Não tenho que gastar dinheiro nem fazer qualquer esforço físico e ainda fico bem na fotografia? Vamos a isso!

O país ficou muito orgulhoso e achou que teve uma real influência na resolução do conflito.

Em 2015, havendo uma forma prática de ajudar um povo que troca a sua terra natal para sobreviver, os pais dos portugueses que emigraram nestes últimos 4 anos decidem semear e adubar de forma muito abundante a xenofobia que não querem que exista em relação aos seus filhos.


 Aceitem da minha parte um vigoroso "vão para o caralho".

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