2015-08-29

Evento astronómico

Acordo ortográfico: não gosto, não respeito e acho que nunca o utilizarei.
Posto isto, acho excessiva a indignação com a qual muitos ilustres se revoltam contra esta coisa. Sim, altera substancialmente a grafia de muitas palavras e torna a diferenciação entre outras impossível, mas  se sobrevivemos já há muitas centenas de anos ao evento cataclísmico que é ter que discernir contextualmente quando há uma menção a uma peça de roupa feminina ou a uma ordem de evacuação, creio que não será isto que matará a nossa cultura.

Muito mais grave do que é ouvir Mota Amaral, um senhor que já não devia estar abrangido pelos humores da adolescência, referir-se ao dia seguinte ao das eleições como o "day after". Assim, do nada, este senhor que já foi presidente do Governo Regional do Açores e que conta com 72 Primaveras no lombo, decidiu que as palavras portuguesas não eram adequadas para representar a ideia que pretendia transmitir.

Mudando completamente de assunto: o que é que aconteceu ao pôr-do-sol neste Verão?

9 comentários:

  1. Então não gosta, não respeita e nunca utilizará, mas acha excessiva a indignação? Reveja lá essas ideias que isso não está a bater certo. Além disso, só o facto de o acordo estar a ser imposto nas escolas deveria causar-lhe a maior das indignações. Mas há quem tenha nascido conformado... Ou ache que tudo é normal, porque se habitua. Mentes brilhantes...

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    1. Sim, acho excessiva.
      Tive um esgotamento nervoso foi com aquela coisa de deixar de se escrever farmácia com ph, mas depois fiz-me adulto e deixei-me de mariquices.

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    2. Ser contra o AO não implica não ser veementemente contra o excesso de estrangeirismos. Aliás, são dois aspectos que concorrem para a progressivo desprestígio e desconsideração da língua portuguesa.

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  2. E diz que não gosta do acordo... Faria se gostasse.
    Já agora a ciência explica: o "ph" de "pharmacia" nada tem a ver com o que é preconizado pelo acordo, nomeadamente a supressão de consoantes "mudas" com valor de acentuação, função de analogia e consistência com palavras cognatas e carácter diferenciador entre palavras. O “ph” foi substituído, e sem problemas, por “f”: duas letras por uma para o mesmo efeito fonético (note-se, até, que Ingleses, Franceses e Alemães continuam a usar e abusar do "ph", não constando que as suas línguas sejam arcaicas, desactualizadas ou sinónimo de incultura...). Ou seja, misturar opções ortográficas (especialmente as anteriores a 1911, eivadas de pseudo-etimologia) que nada têm a ver uma com a outra, e sem atentar ao seu conteúdo, é discursar doutoralmente nas nuvens da ignorância.

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    1. Aqui do alto da minha nuvem continuo a achar a proporcionalidade da indignação é excessiva.
      Não tenho sentido qualquer dificuldade na interpretação dos textos que são escritos segundo o acordo. A alteração da grafia não me tem feito acordar com suores frios.

      Parece-me bem mais grave a inundação de estrangeirismos de que temos sido vítimas.

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    2. Ser contra o AO não implica não ser veementemente contra o excesso de estrangeirismos. Aliás, são dois aspectos que concorrem para a progressivo desprestígio e desconsideração da língua portuguesa.

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  3. Olha lá, hoje não é dia de festa aqui no teu blog?

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    1. Bem me queria parecer, mal acordei, que hoje tinha um aniversário.
      Parabéns, que para males há remédios.

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