2014-03-20

O Tom Hanks que não há em nós

O filme "Captain Philips" conta a história da tripulação de um navio que foi feita refém por piratas somalis.
Não sendo especialmente brilhante vale pela cena final.

Agora que a crise está teoricamente de saída, que das máquinas multibanco brotarão flores e unicórnios, está na altura dos portugueses que saíram relativamente intocados pelo papão Troika (tal como eu) respirarem de alívio e voltarem a votar no PSD e CDS.
  • Está na altura de ignorar que há milhares de pessoas que caíram no desemprego e que não voltarão a fazer parte da população activa, com todos os problemas financeiros e de auto-estima que isso acarreta.
  • Está na altura de ignorar que há milhares de pessoas que passaram dezenas de anos a pagar o empréstimo que contraíram para a compra da sua casa e que, tendo pago de 80% da mesma, vêem-se incapazes de pagar o restante, perdendo assim todo o dinheiro despendido e o telhado que os protegia.
  • Está na altura de sermos pragmáticos e de ignorarmos todo o sofrimento alheio porque, na verdade, ele não é real, não nos toca, não nos diz respeito.
  • Está na altura de continuarmos a cavar um pouco mais o fosso social que conduzirá à desintegração da pirâmide onde confortavelmente alapámos o rabo.

Contracenando com uma verdadeira médica da marinha norte-americana, com nenhuma experiência como actriz e que no primeiro take estava de tal modo em pânico que não conseguiu desenrascar uma interpretação minimamente aceitável, Tom Hanks faz, logo ao segundo take aquilo que provavelmente não é inteligível para quem não viu o resto do filme ou para quem demonstrou publicamente uma grande indignação pelos "ataques" da Pepsi em relação Cristiano Ronaldo.

7 comentários:

  1. Grande "regresso", este teu.
    O que direi eu, que fui arrastada, depois voltei ao activo e agora passo os dias a requerer insolvências de pessoas singulares (a grande maioria delas porque deixaram de poder pagar a sua casa ao banco) e colectivas (que não pagam a ninguém porque ninguém lhes paga)? Acho que tenho o emprego mais triste do mundo, neste momento. Faço parte da máquina trituradora, para que ela não me triture a mim.

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  2. Parafraseando o post inicial "Queres ser o pai dos meus filhos?" :D

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