2012-05-01

25/04/2012

Sinto uma mão a abrir-me as calças. A patorra, furtiva, avança à bruta para dentro da minha roupa interior, sem pedir licença, insensível à minha perplexidade.
Por estar a conduzir encontro-me completamente indefeso. Meio abananado e a sentir-me imundo, apercebo-me que a mão pertence ao presidente. O rádio está ligado e havia começado o discurso do chefe de estado a propósito da comemoração do 25 de Abril de 1974.

Este ano o nosso querido Cavaco decidiu que aquilo de que o povo estava a precisar era de masturbação colectiva. O calhau de Belém optou por invocar o sucesso de vários portugueses, nas mais variadas áreas culturais e cientificas, de forma a elevar a moral colectiva da pátria.
Ouvi com atenção e não ejaculei.

Gosto de saber que há pessoas que me são próximas têm sucesso. Acho simpático tomar conhecimento que gentes que pagam impostos dentro das mesmas fronteiras que eu são reconhecidas mundialmente. Parece-me completamente ridículo aquilo que o senhor papa-bolo-de-rei tentou invocar.

Estava convencido que tínhamos abandonado aquela velha cantiga dos descobrimentos. Aquela lenga-lenga do "somos um país grandioso porque as nossas fronteiras são as mais antigas da Europa e porque tivemos caravelas e saqueamos uns quantos povos".
Estava também convencido de que o passado não alimentava bocas nem dava tecto. Estou eventualmente enganado.

 Questiono-me quem é que terá votado neste cobarde senil. Os portugueses? Os mesmos que fazem parte daquilo que deve ser o alvo do meu orgulho?

7 comentários:

  1. Também não sei quem foi, mas foram muitos, senão ele não estaria "lá".

    Estou fora, nunca gostei do Cavacão, nem sequer como PM. Aquela prosperidade toda compra-agora-o-teu-Corsa foi o início da derrocada, e foi pelas mãos dele.

    Quando chegar aos 80 e tal, fará o mesmo que o Bochechas - senilidade ainda mais apurada e cada vez mais pública.

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    1. O problema é que depois de estarem afastados algum tempo passam a ter uma opinião respeitável.
      Espera só pelo Sócrates...

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    2. E então o Sócrates pós-filosofado (e em Paris!), e no modo velho, vai dar uma mala das boas. Estou sempre à espera que um deles (Sócrates ou M. Soares, ou outro qualquer) se transforme no novo Brejnev e dispare com discursos de horas e horas. Para completar a seca.

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    3. E, não sei como, falhavam-me os discursos do bom do Fidel. Esse sim, um mestre da xexezice.

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