2012-03-24

Intervalo

Não tenho um especial interesse em magoar, muito menos de forma gratuita, embora saiba que o faço com frequência.
Não retiro nenhum prazer perverso quando dou uma facada em alma alheia e só o faço quando dela depende a expressão de uma verdade que é necessária e que, por muito que doa, poderá ser a única forma de evitar um sofrimento em câmara lenta.

Manter pessoas em banho-maria é o modus operandi dos fracos, dos que têm medo da solidão, dos que necessitam de ter algo na prateleira para um dia de Inverno mais rigoroso.
Não me considero fraco e o meu estilo não me permite utilizar o artifício do "deixar andar", como tal, magoo com brutalidade, às vezes porque sou bruto, outras vezes porque a verdade é simplesmente dura demais.

Compreendo a dor mas não vejo qual a utilidade de a infligir gratuitamente, como forma de ripostar, nem de que forma essa acção pode anular o que a fundamentou.

É o que é.

8 comentários:

  1. É o que é, e ainda bem que há mais gente a pensar assim!

    ResponderEliminar
  2. excelente, a melhor introspecção sobre o fenómeno "banho maria" que vi escrita nos últimos tempos.

    ResponderEliminar
  3. Apesar de ler este blog faz mais de um ano, é a primeira vez que vou deixar um comentário. Este post fez-me reflectir sobre muitos dos meus aspectos e merece mais do que um simples "É assim mesmo!".

    Pedir desculpa não tira bocado (e não sei se será coincidência, mas notei aqui falta de uma comentadora assídua).

    Sendo bruto, factual, racional e/ou lógico, mas sem dúvida receoso também de se iludir a si próprio e trair as convincções que o sustentam, corre o risco de se tornar emocionalmente espartano.

    Uma pedra não precisa de se explicar, ela simplesmente é. As emoções são como pedras, basilares ou no sapato, elas simplesmente são e estão lá. Podem surgir em toda a sua glória ou mal dirigidas, não deixando de ser emoções.

    Uma emoção mal dirigida não pretende uma solução ou anulação de uma acção, é antes uma tentativa de dar um gostinho a outro do que se está a sentir, enfim, de igualar as probabilidades.

    A adultez resolve muitas destas situações, tal como o respeito e a cordialidade, a questão é ter o jogo de cintura suficiente para o fazer e em tempo útil. Algumas emoções são simplesmente demasiado corrosivas, e quando damos por ela o dano está feito e para além de qualquer justificação provida de lógica.

    Até as pedras estão sujeitas à erosão.

    até um dia e boa sorte.

    ResponderEliminar
  4. Red, acho que estamos de acordo em quase tudo.
    O blog neste momento mal tem comentadores quanto mais assíduos.
    Eu peço desculpa quando fiz alguma coisa de errado que tinha a capacidade de evitar. É capaz de esclarecer a que se refere a sua teoria?

    ResponderEliminar
  5. Boa noite,

    Uma teoria é uma hipótese provada ser verdadeira.
    A própria questão da forma que está colocada é uma falácia, pois implica a explicação de algo derivado do empirismo. Eu não tenho uma teoria, eu tenho uma hipótese derivada da observação mas não o conhecimento derivado da experienciação real do que possa ter sucedido e consequente observação da situação. Isso seria impossível.

    A hipótese construída a que me referi como coincidência é derivada da observação, mas qualquer tentativa de a experienciar, sendo impossível, nunca poderia passar de mera especulação. Como alguém disse e muito bem as suposições (e especulações) são a origem dos problemas e das confusões.

    Por isso mencionei a coincidência (observação de um facto) mas não desenvolvi a parte especulativa, e assim me vou manter enquanto este diálogo decorrer sob a mira de tantos olhares como o meu - que (quase) sempre se ficam pela observação não interactiva.

    Entramos assim na parte do decoro, só porque posso não quer dizer que deva. Estou a escrever para alguém que não conheço, provavelmente muitos outros alguéns irão ler estes comentários (tal como eu fiz) e só por partilharmos o mesmo espaço virtual isso não faz de nós uma família. O anonimato com nome aparenta poder revestir-se de direitos especiais. Não quero.

    Um blog não passa de um café, onde eu entro, cumprimento em geral, melhor os conhecidos e o Piston é o dono. Não serve café (pena) mas serve posts. Eu tenho uma hipótese mas falaria se assim fosse com quem de direito e respeito. Não entraria pelo café adentro a comentar com todos o que diz respeito a um.

    Não é fácil de aplicar, mas provavelmente até vale a pena.

    ResponderEliminar