2011-07-28

Nação polida - Aí tá o miolo!

Ano após ano vamos assistindo à suavização de ideias, expressões, palavras, correntes pedagógicas e tudo mais. Estamos a tornar-nos numa nação ainda mais polida do que aquilo que já éramos e, no entanto, toda a gente alega que é muito frontal e que diz tudo na cara.
Os que são brutalmente genuínos são os ignorantes, que falam muito mas que não sabem do que falam e os bem informados são os que substituíram as mentiras pelas inverdades.
Já não é possível dar uma palmada numa criança porque isso é ilegal e traumatizante e no entanto usar bebés como cinzeiros é algo que se tornou mais comum.
Eu giro as minhas relações tanto a nível profissional como pessoal no limite da má educação. Faço uso de um tratamento cordial mas nos níveis mínimos. Sou um tipo com um stock de calor muito reduzido e não gosto de desperdiçar nada. Até prova em contrário, não há cá simpatia extra.
Detesto esta ideia de que tudo tem que estar muito polidinho para que ninguém se magoe, para que nunca se faça sangue. Neste campo estamos a tornar-nos numa sociedade norte-americanizada e, consequentemente, ridícula.
Sou um grande adepto de vértices virtuais espalhados aleatoriamente pela sociedade. É essencial que tenhamos à mão pontos aguçados onde possamos enterrar a cabeça de uma série de filhos-da-puta que nos fazem a vida negra ou que, simplesmente, nos irritam com coisas mínimas.
Por favor espalhem-me alguns vidros pelo chão. Não suporto viver num ambiente seguro.

2011-07-25

Nação polida - prelúdio

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011.

Estávamos em plena hora de almoço e eu tinha, como é habitual, pressa e uma fome que caracteriza este selvagem há já muitos anos.
Encontrava-me numa localidade que não me era familiar e na qual não conhecia o comércio da restauração. Aproximei-me do primeiro restaurante que avistei e numa análise preliminar identifiquei-o como sendo um daqueles que apostam tudo no requinte. O cuidado com a decoração era extremo. Para quem pretende rapidez no serviço isto não eram boas notícias. Antes de entrar olhei para os preços e, admirado com os valores apresentados admiti que a minha análise tinha sido precipitada. Preços relativamente aceitáveis não podiam ser compatíveis com uma excessiva perda de tempo com paneleirices relacionadas com o serviço.

Assim que entrei percebi que estava lixado. Aquilo que eu pretendia que fosse uma refeição de 15 minutos ia pelo menos triplicar no tempo e paciência despendidos.
O móbil deste post resume-se a uma única questão que vou dissecar dentro de instantes.
  1. Pedi uma lasanha (prato do dia)
  2. Demorou comó caraças e vinha com um fio decorativo no rebordo de uma merda qualquer vermelha na qual não toquei
  3. Para sobremesa pedi ananás
  4. Serviram-mo com palitos, imagine-se, pedaços gigantes de ananás que não podia levar à boca e que não tinha como cortar servidos apenas com palitos
Eu gosto muito de coisas bonitas quando não estou com pressa. Estou-me a cagar para a estética se isso significar a perda do sentido prático das coisas.

Estou claramente a alongar-me e a dispersar-me. O que interessa no meio disto tudo é a seguinte expressão que me foi servida quando recolheram o prato da já inexistente lasanha:

"Estava agradável?"

Aquilo soou-me a algo tão pouco natural que me imaginei a pontapear a cabeça do emissor até ter a perna a terminar num coto. Este empregado estava claramente a falar papagaiês e eu não tolero papagaiês. Eu fico a espumar da boca quando o papagaiês nem sequer faz sentido. Isto claramente é uma frase feita por um patrão mete-nojo que pretende conferir uma suavidade no atendimento, uma diferenciação pela linguagem polida.

Esta é a minha lista de questões aceitáveis no que toca a esta matéria:
  • Estava bom?
  • Tinha muito sal?
  • Gostou?
  • Queres mais um bocado ou já estás cheio, cabrão?
"Estava agradável?" é o tipo de pergunta que eu só admito que ele me faça se for para se informar acerca do desempenho da mãe dele, no Intendente. Continua a não fazer muito sentido mas, pela carga ofensiva que carrega, parece-me algo com o qual eu consigo sobreviver.

2011-07-19

Moody's: aí vêm os indignados de merda II

Toda a gente percebeu perfeitamente que o que é classificado como "lixo" não é o país mas sim a dívida do mesmo a sua capacidade de a pagar.

O indignado de merda distorce esta ideia conscientemente para poder mostrar ao mundo que, sempre que não está a dizer mal da pátria, a mesma lhe corre no sangue.

2011-07-18

Moody's: aí vêm os indignados de merda

Quando a esquerda portuguesa diz que as políticas de austeridade só vão arrastar Portugal para uma recessão ainda mais profunda está tudo bem mas se for um estrangeiro, a Moody's, está tudo fodido.

- Quem tem a ousadia de nos chamar lixo? Só nós é que o podemos fazer, está bem?

Longe de mim achar que as agências de rating são santas e que se regem por um elevadíssimo código de conduta. O que me faz verdadeira comichão é a continua linha irracional que segue este povo.

Durante os próximos dias estão agendadas grandes acções de protesto contra a Moody's. Consistem em telefonar e enviar faxes para a sede da mesma, em Nova Iorque. Pretende-se assim demonstrar o desagrado tuga e causar-lhe o pesado dano que é ter duas linhas telefónicas ocupadas. Os portugueses quando querem são muito engenhosos...
Para esta grande manobra militar os tugas organizadores explicam com detalhe os vários serviços disponíveis que nos permitem fazer chamadas de borla. Não nos podemos esquecer de que somos pobres.

Devia pegar-se no cérebro desta gente e fazer deles ração para chacal.
O que é que é suposto esta grande acção de protesto causar? Que efeito é que esta gente acha que isto pode ter?
Li a explicação de um atrasado mental que dizia que as acções da Moody's desceram 8% à conta dos ataques por e-mail e feitos no website. Esta besta do caralho e os que partilham desta opinião ignoram que o Banco Central Europeu, Comissão Europeia e outras instituições com menos poder que um tuga com uma conta no Gmail, fizeram algumas declarações a repudiar a descida de rating da dívida portuguesa?

Se há coisa que me toca no nervo é pessoas sem noção da realidade (mas que acham que a têm) e com uma completa incapacidade de medir a utilidade das suas acções.

2011-07-16

Concentração motard em Faro

Eu gosto de andar de mota mas não acho piada nenhuma à aparente necessidade de associar este gosto a uma fanfarronice de macho bruto.

Nunca estive numa concentração motard e, embora acredite plenamente que possa ser muito divertido e estimulante para pessoas com algum nível de paralisia cerebral, não me encaixo no estereótipo que é suposto ser a norma.

O bom motard tem que:
  • Masturbar-se enquanto fala de motas
  • Beber hectolitros de cerveja
  • Gostar de heavy metal
  • Vibrar com striptease
 De todos estes pontos perturbam-me substancialmente o primeiro e o último (sou uma pessoa com uma elevada sensibilidade sexual).

A masturbação, na minha humilde e inquestionável opinião, tem que ter sempre como objecto de inspiração uma pessoa ou, pelo menos, um animal. Compreendo a sensualidade de uma ovelha mas não a vislumbro num tubo de escape.
No que toca ao striptease não compreendo o fascínio que consiste em ver mulheres nuas, do mais foleiro que o mundo tem para oferecer, com as quais não se pode ter qualquer tipo de contacto físico. Parece-me mais ou menos o equivalente a isto. Acrescente-se então que o motard também tem que ser masoquista, coisa em que não alinho até à data corrente.

Agora, se não tiverem nada contra, vou aproveitar o sol, dar uma volta de mota e aproveitar para conviver exclusivamente com a acidez da minha encantadora personalidade.

2011-07-15

Protocolo

  1. Entrar num espaço fechado.
  2. Ajeitar os genitais de forma bem indiscreta, com a mão por dentro das calças.
  3. Aguardar uns instantes.
  4. Dar conta de que no meio do silêncio estava sentada uma garota, bem pertinho de ti.
  5. Dar-lhe os bons dias, fazer de conta que nada de anormal aconteceu e prosseguir a vida com a cabeça levantada.

2011-07-14

Iceberg na canela

Quero muito escrever.
Não me ocorre porcaria nenhuma.

Circuncisão não é uma coisa fixe.