2011-11-04

Caridade acidental

Por mera infelicidade o único centro comercial que tenho que frequentar várias vezes por semana parece ter, de forma permanente, senhoras exacerbadamente simpáticas a tentar recolher fundos para obras de caridade, o tipo de pessoas que fazem com que o waterboarding pareça uma boa ideia.

Embora estando devidamente habituado a lidar com as pastilhas elásticas que são os chacais do Barclays Card, desembaraçando-me deles com facilidade, não consigo driblar estas senhoras. A minha boa educação não me permite passar por elas sem parar, abanando a cabeça e dizendo um "não obrigado". Sou compelido a parar e "escutar". Trata-se mesmo de um "escutar" até porque geralmente não as deixo acabar o discurso que têm mais do que ensaiado.

Porque o silêncio, para mim, vale realmente dinheiro, assim que percebo que o objectivo não é vender nada mas sim sacar donativos, chego-me com uma nota à frente e, ao ser questionado acerca de qual dos bonequinhos que servem como troca nesta pseudo-venda pretendo como recompensa, respondo que o deverá entregar a alguém que precise. Em 15 segundos fiquei 5 € mais pobre e comprei paz durante alguns dias.
Na semana seguinte sou novamente abordado. Com a mania que sou esperto, exclamo rapidamente que já tinha feito um donativo há 10 dias atrás. Sou informado de que esta é uma nova acção e que a da semana passada era a de uma outra associação.
10 segundos depois estou 5 € mais pobre, comprei silêncio por mais 7 dias e, com um pouco de sorte, contribui para a manutenção de uma qualquer casa de alterne ou uma quinta onde têm trissómicos agrilhoados ao chão.

11 comentários:

  1. Eu já perdi a conta aos bonecos. Gota azul de borracha (bombeiros?); casa azul de borracha (crianças sem lar); avental com sol (associação Sol?); gato de peluche (Trissomia 21), etc, etc.
    Outro dia disse a uma predadora: "Acabei de deixar ali 150 euros, não aguento mais".

    As mascotes revelam o que há de melhor e pior em mim.

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  2. É uma empresa. Quando compra um bicho desses 1 € é para caridade, 4 € para a dita empresa. A associação onde uma amiga minha trabalha já foi abordada, muitas dão o nome porque pelo menos ganham qualquer coisinha. Odeio essas criaturas!!!

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  3. Patty, não acredito que o possa ser em todos os casos.

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  4. Às vezes dou, mas já estou tão farta. Sei que o dinheiro não vai todo para as instituições e sinto-me usada. Prefiro dar comida aos mendigos da rua, gente muito amável e educada.

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  5. Como o dinheiro não vai todo para as instituições?

    Adoro estas afirmações cheias de conhecimento. São como as estatísticas do arrumadinho.

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  6. Não ligar à Alexandra que, como se verifica, não é dotada dos melhores modos.

    Juanna, esclareça-nos.

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  7. Não fosse isto ser mal interpretado e eu diria que foi o equivalente a picar com esporas.

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