2011-10-08

Rancor

Se para muitos pode ser considerado um defeito, para mim é uma qualidade muito apreciável.
Como já devem ter reparado tenho uma obsessão, chamada coerência, para a qual ainda não encontrei um aspecto da vida no qual não fosse aplicável.

Nestas coisas da interacção social gosto de gravar na memória, com um ferro em brasa, as pessoas que me fizeram algum dói-dói, que o tentaram fazer ou o que fizeram a terceiros. Ainda que não sendo um tipo dado a vinganças, prezo a reciprocidade: se me dão um pratinho de merda para eu papar, não servirei caramelo em retorno.

Assim como a capacidade de mudar de opinião é uma demonstração de inteligência, ter uma opinião volátil é simplesmente de uma pobreza de espírito que me atormenta a alma.
Toda a gente tem o potencial e o direito de mudar e de se tornar uma pessoa melhor, de ser perdoado(a),  mesmo que tenha tido um historial como facínora. Aceito isto mas não tenho um pingo de paciência para aqueles que hoje odeiam, amanhã estão a tomar o pequeno-almoço e a rir com o alvo do ex-ódio e que no dia seguinte estão novamente a destilar veneno.

Sejam genuínos, deixem que o ódio se instale nas vossas vidas e sejam felizes.

Nota - Esta mensagem é subscrita pela maioria dos líderes religiosos. Antes de iniciar o consumo de ódio consulte o seu médico assistente.

5 comentários:

  1. Já no post "Bola de neve" (http://opistoneacabecadohomem.blogspot.com/2011/09/bola-de-neve.html) fiquei a pensar: "E se se der a inversa? Se formos nós o alvo dos instintos assassinos de alguém? Será que estamos assim tão imunes, só por sermos uns gajos porreiros - e principalmente por isso - de ser odiados e não odiadores?"

    Agora repito o problema, com este post - e se o alvo do rancor e, por conseguinte, do odinho de hoje e amorinho de amanhã, formos nós? Ou então, se quem se dá connosco nessa base, seguir essa máxima de deixar que o ódio se instale nas suas vidas, e ele se virar, definitivamente, contra nós? Eu não sei se me apetece (mais) karmas, mais secas, mais invejosinhas militantes, mais parasitas.

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  2. Cara Mariam,

    Todos fomos alvo de rancores infundados. Já metemos a pata na poça e merecemos o que nos dirigiram. Já mudámos, vimos os outros mudar, já perdoámos e fomos perdoados.
    Não me refiro ao ódio como uma filosofia de vida mas sim como um auxiliar de memória.

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  3. Uma cábula, enfim :-)
    Essa aceito, pratico e, posso afirmá-lo, venero.

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  4. O rancor é o que me impede de ser estúpido em duplicado.
    Só me fodem uma vez.
    Como tal, subscrevo e estou em pensar em plágio.

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