2011-09-03

Sou miserável, preciso de atenção.

Eu não preciso de resposta para esta pergunta, o título é suficientemente elucidativo.

Qual é a razão que leva a que se escreva no facebook e em blogs, de forma completamente pública, mensagens intimas que se dirigem a pessoas devidamente identificadas e que poderiam ser entregues de forma privada?

Nesta categoria de comportamento idiota aprecio especialmente as mensagens dirigidas a pessoas que esticaram o pernil. Se a justificação para tal prende-se com o facto dos falecidos poderem ler aquilo do céu, não será necessário colocar o computador na rua com o monitor apontado para cima? Não? Então podem escrever isso num documento do word e deixar bem guardadinho no vosso computador.

Tenho ainda uma outra sugestão: falem com ele(a). Mesmo que a pessoa fosse surda em vida, quando se vai para o céu eles reparam isso tudo. Confiem em mim.

Nota: Acho que nunca enganei ninguém acerca de ser uma besta, certo?

18 comentários:

  1. :/
    Falando por mim: Eu não escrevo nada no facebook. Quem me vê lá estou perfeitamente normal.
    Na minha 'vida real' sou obrigada a esconder as emoções, nem sequer posso chorar. Sentia que precisava de um sitio onde pudesse atirar tudo, por mais ridículo. Se o podia ter feito em word? Sim, podia.
    Mas quando a minha avó morreu e eu o escrevi no blog. Pessoas que não me conhecem escreveram palavras de força. E isso ajudou-me.
    Porque no fundo, eu 'sou miserável e preciso de atenção'. Só não o posso ser na vida real

    ResponderEliminar
  2. Então para que é que serve o Facebook e o blogue? Duhh!

    ResponderEliminar
  3. Nota prévia: nunca escondi que sou uma besta, certo?

    S', não sei o que escreveu nem como o escreveu. Não vejo mal algum em procurar conforto no blog ou facebook. Apenas digo que não há qualquer propósito que não o de chamar a atenção de terceiros em escrever uma mensagem que se dirija à sua avó. Se acredita na vida após da morte as suas orações ou conversas são entre si e ela.

    Um exemplo menos delicado e que ilustra aquilo que digo são as mães e pais que escrevem mensagens para os seus filhos de bebés. É para que eles com 3 meses as leiam na net? É apenas uma forma de se validarem aos olhos dos outros.

    Já aqui escrevi sobre um familiar que morreu. Não lhe dirigi nenhuma mensagem e falei abertamente do que queria falar.

    Não tenho problemas com a procura de conforto. Apenas não gosto que ela seja feita de uma forma encapotada.

    ResponderEliminar
  4. Confortável por, até ao momento, nem sequer ter página no facebook. O próprio nome da coisa irrita-me. Também posso ser uma besta, mas de pior qualidade que tu, porque tenho a minha agrilhoada. Mas só a ideia de os colegas da primária me aparecerem gordos, carecas e a lamuriar-se de dor de corno dá-me cá umas comichões que prefiro manter-me para aqui com o meu bloguinho modesto e incógnito.

    Deste-me uma boa ideia, essa de virar o monitor para o céu. Tenho que escrever um manifesto público (citando-te, se me permitires) a solicitar a quem me ama (haverá quem, havrá quem...) que não me prestem homenagens desse calibre mas, em não se controlando, então a rogar aos infernos que virem seus monitores para baixo, que é lá que eu estou - a fazer companhia à encarnada figura, no meio do calor, do gargalhedo e da boa pinga. Anjinhos, branco, paz, o som das harpas e dos violinos não é bem a minha praia.

    ResponderEliminar
  5. Eu não acredito na vida depois da morte. Sou uma mulher da ciência e dos factos palpáveis. O que escrevi no meu blog serve para lhe dizer o que nunca disse. Porque tal como tu, sou uma besta.
    Não procuro conforto, nem fazer-me de coitadinha.

    Concordo, TOTALMENTE, na parte de escrever no facebook. Aí acho que chega a ser triste -.-

    ResponderEliminar
  6. S', continuo a não perceber. Se não acreditas numa existência para lá da morte, para quem escreves tu?

    ResponderEliminar
  7. Não me atrevi a escrever no meu próprio blog mas foi graças`às centenas de mensagens no perfil do morto que eu descobri que ele tinha morrido. "Estarás para sempre no meu coração". Like.

    ResponderEliminar
  8. Pelo menos foi uma idiotice útil. Não me parece que do outro lado haja net.

    ResponderEliminar
  9. Eu como também sou uma besta vou dar a minha opinião.

    Cada qual faz o que bem entende na internet, se lhe apetece falar do amor não correspondido, go ahead, falecidos, awesome, amores perfeitos, estão no direito deles, assim como cada qual está no direito de achar o que bem quiser disso.
    Pessoalmente detesto pessoas que "fishing for compliments" "Ai estou mais gorda"; "Ai fiquei tão feia nesta foto"

    Mas acho que hoje em dia impera uma coisa tristíssima, que é o facto de toda a gente tentar ser a favor dos direitos de tudo e tentarem provar que são boas pessoas e que são justos. No meio disto esquecemos que todos têm direito a sua opinião, as pessoas têm direito de dizer coisas estúpidas...
    Fugi do tema não fugi...

    ResponderEliminar
  10. Miss, estás a tornar-te numa pessoa irritantemente equilibrada.
    Não disse que as pessoas não têm o direito a escrever o que bem entenderem. Façam-no.

    "fishing for compliments" - é mesmo isto que me irrita.

    ResponderEliminar
  11. Quer sentir-se um bonitão?

    Tenha sempre um Piston à mão.

    ResponderEliminar
  12. É verdade, nem a propósito.

    Hoje faz quatro anos que a minha avó paterna faleceu.

    Daqui a cinco dias, fará dezanove anos que a avó materna faleceu. Os avôs também se foram neste mês.

    Assim de bom, amanhã os pais fazem anos de casados, se bem que a data está muito assombrada pelas efemérides já indicadas.

    Giro, não é? Assim de repente, apetece-me fazer um post ou publicar algo no Facebook.

    Sim.

    Sobre as minhas botas de montar novas.

    ResponderEliminar
  13. Eu diria que estás completamente drogada mas talvez esteja a ser muito conservador.

    ResponderEliminar
  14. P.S ( sem punho )

    Tu é que estás a ser conservador na resposta à drogada.

    ResponderEliminar
  15. Eu escrevo sobre o facto de ter perdido o pai aos dois anos, por exemplo, para que mãe e irmãs leiam. É uma forma de aliviar a minha dor e não ter de a verbalizar de outra forma, e é uma forma de todas no seu canto poderem reconhecer-se no que escrevo sem ter de encarar ninguém, a não ser o computador.

    Escrevo também porque como eu há muitas outras pessoas, e a partilha de alguns sentimentos e dores e mágoas, ajuda-nos a aprender a lidar com tudo isso.

    Por fim, escrever para essas pessoas ou sobre elas pode dar textos muito bonitos.

    ResponderEliminar
  16. Repito, isto não tem nada a ver com as pessoas que procuram exorcizar dor e medos, tem a ver apenas com a forma.

    ResponderEliminar