2011-09-18

Nostalgia para débeis mentais

Deparei-me noutro dia com este texto (não é obra do autor desse blog) e tenho algumas coisas a dizer acerca do conteúdo.

Nada tenho contra a nostalgia do momento. É engraçado recordar um pouco daquilo que faz de nós o que somos hoje em dia. O que já não me agrada tanto é aquele tom repetitivo e escalado de geração para geração que dita que "no meu tempo é que era", que anuncia uma geração medíocre, perdida e claramente inferior à que pertence o autor do texto.

Ao traçar uma linha que divide os que nasceram antes de 1986 e os que nasceram após essa data, ainda que de uma forma pouco vincada, o bolinha de esterco (estou a assumir que foi um homem) separa os maus dos piores.

Uma vez mais o português tenta validar-se não por aquilo que é mas por aquilo que os outros são ou deixam de ser.
Uma vez mais, surpresa das surpresas, o tuga varre o problema para cima dos políticos, toma um chá e esquece-se daquele detalhe tão relevante que é o facto de que as gerações pré 1986 SÃO AS RESPONSÁVEIS PELA EDUCAÇÃO DAS PÓS 1986.

Será que li mais do que aquilo que estava escrito? Estarei muito sensível à mediocridade?

O que é que é preciso para que a nossa geração pare de acenar com a merda dos problemas e comece a acenar e a EXECUTAR  as soluções?

9 comentários:

  1. Já perdi a conta ao número de vezes que recebi o mail com aquele texto das saudades. A 1.ª vez que o li, achei-lhe alguma piada, mas agora é delete mal chega, não se vá colar ao hardware como uma gosma.

    O principal problema destas pessoas é não conseguirem perceber que a realidade não é estática, e que um dia morrem e isto continua tudo a mudar. Por mais que esperneiem que no tempo delas é que era o eras.

    Eu andei sem cinto no carro dos meus pais, numa época em que o parque automóvel tinha 1/10 do tamanho que tem hoje. Mas fartava-me de vomitar, em contrapartida.

    E os meus filhos andam na rua, N vezes sem telemóveis, metem-se na bicicleta e vão à vida deles, encontram-se com os amigos também na rua, etc, etc. Não sei se é por morarmos num bairro de Lisboa que só lhe falta chamar-se aldeia. De qualquer forma, não têm a liberdade deles cortada aos bocadinhos, como o pessoal pós 86 do texto, nem têm motivos para um dia se meterem em psi a lamentarem a sua sorte magana de terem nascido destes pais e nos anos 90.

    E 1986 porquê? É alguma data mítica que me escapou, ou apenas o ano de nascimento do Stricto Sensu?

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  2. Será certamente o ano de nascimento do autor mas note-se que o texto não é do dono do blog.

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  3. Sim, eu li a advertência no teu post, e calculo que o autor do texto não seja quem o postou no Stricto Sensu - mas adaptou o texto à sua medida, porque o que circula na net fala das gerações nascidas em 60 e 70.

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  4. Que bom! Não sabia que a adaptação do contexto social era tão fácil como mudar dois algarismos.

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  5. Neste caso concreto, como uma luva, pelos vistos! :-)

    (andar sem cinto e carrinhos de rolamentos é muito 70's...)

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  6. Píston, este post toca-me tanto que abri uma conta no Google!

    Essas pessoas que pregam apenas o saudosismo, esquecem-se do que também aprenderam em Língua Portuguesa.

    "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades." Já dizia o Camões (que viveu antes do Salazar dos bons velhos tempos) Há tanto tempo e esta gente não aprende...

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  7. Teka, comovido, encantado, comovido e uma vez mais, encantado.

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  8. Socorro estou com uma crise existencial.
    Nasci em 1986.
    Se por um lado: Brinquei na rua e andei no carro sem cinto de segurança; não só bebia água da mangueira como tomava banho no rio (e na lama :D); joguei ao elástico; subia às árvores e caia, dos telhados também.
    Por outro: não sei quem é Billy Joel; mas conheço Ramones e Pink Floyd; ainda tive muitas cassetes e o upgrade para os cd's já foi tarde; lembro-me do Michael Jackson ser preto e da série do Missão Impossível (a preto e branco).
    Ajudem-me estou confusa: sou mesmo o quê? É que há muita coisa nos dois textos que reconheço e me identifico.

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  9. Uma pessoa que não deve ligar a textos escritos por retardados?

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