2011-09-02

Fome em África

Este é um problema que incomoda mas que não é tão trágico como o desconforto que sinto quando se regista uma assincronia no número de beijinhos utilizados para cumprimentar uma pessoa. É uma matéria para mim desconcertante e que deveria ser alvo de regulamentação internacional.

Não tenho qualquer tipo de preconceito pelo facto das pessoas que nasceram em famílias "de bem" pouparem nos beijinhos. É um acto simbólico para o qual não há propriamente o correcto ou o incorrecto. O que gera um incómodo é a falha de timing criada pelo facto de nenhum dos intervenientes antecipar o que aí vem. Há sempre alguém que fica momentaneamente no ar à espera da réplica e que, ao aperceber-se da falha protocolar, recua ao mesmo tempo que a outra parte, que também já identificou a falha, avança. Gera-se um impasse semelhante àquele que ocorre quando uma pessoa está na eminencia de um choque frontal e se desvia para o mesmo lado que a outra pessoa umas três ou quatro vezes.

Nestas coisas embora prefira ceder nunca o consegui fazer com sucesso. Depois do primeiro episódio com pessoa X e devido à carga traumática associada,  a outra parte assume sempre que "com este pobre nojento tenho que ir ao segundo".

Subjugo estas pessoas de forma involuntária aos meus hábitos e vivo em sofrimento.

Nota: As pessoas que tratam os filhos por "você" podem morrer o quanto antes.

10 comentários:

  1. Se fizeres uma petição para resolver esse problema, conta comigo. Sou completamente a favor de um protocolo social que defina isso de forma objectiva. E que seja internacional, sim, porque os franceses também têm a mania de beijar primeiro a bochecha esquerda da outra pessoa (já nós, começamos sempre pela bochecha direita), o que também gera ali alguns impasses nada agradáveis. Leva essa ideia avante - não a (festa do) Avante, atenção.

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  2. Finalmente alguém aborda um tema verdadeiramente digno de reflexão! A situação agrava-se quando vais para panoramas internacionais, três beijos na França e um aperto de mão na Alemanha (não é agradável uma mocinha lançar-se para dar duas beijocas e levar com a mão na barriga, ou na situação que relato,quase nas maminhas!), se te aventurares para a zona do Médio Oriente ainda levas com dois beijos de homens, se fores mais além até ao Japão, tens as vénias...

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  3. Confesso que também não percebo essas pseudo-benzoquices.
    Eu trato os meus pais por "tu", o meu filho por "tu" me trata e tirando a minha mãe a quem só dou um beijo [por questões de carinho e não por status] corro tudo com 2 beijinhos [sou assim para o beijoqueira, é um hábito!].
    Quando me deixam "pendurada", dependendo da pessoa, gosto de deixar claro [em tom de laracha a roçar o jocoso] que 1 beijo como cumprimento, para mim...só na boca!
    Confesso que me dá um certo gozo ver o ar que fazem. É assim algo entre o espantado, o repugnado e o "oi? não percebi..." ;)

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  4. Eu também fico toda no ar com os betos, e mais ainda por causa das caras deles "ai que enjoadeira, mais uma patega, não há pachorra!". E digo, estupidamente, "ha-ha-ha, tenho medo de ficar solteira" - o que ainda os faz nausear um nico mais.

    Os beijos também é uma chatice. Há quem dê cabeçadas, há quem babe, há quem só ponha a cara e não dê beijos (lindo, o som dos nossos beijinhos solitários nas orelhas do interlocutor), há quem cheire a refogado... mas, já que se dão, ao menos que se dêem com regras.

    Eu também assino.

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  5. Eu gosto de tratar por tu quem me trata por você... e gosto de tratar por tu aqueles coninhas que querem ser tratados por "doutor" ou "engenheiro". Dá-me assim um prazer enorme ver a cara de desagrado, mas sem coragem de corrigir :) ehehehh

    Se uma licenciatura faz um "doutor", então passamos a ser quase todos doutores e podemos eliminar os nomes e formar uma irmandade tipo os "Elder"s.

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  6. As pessoas que tratam os filhos por você já morreram... daí a distância.

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  7. Já senti esse desconforto de ficar a pousar no ar à espera do 2º tantas vezes!! Mas é caso de burrice mesmo, porque acontece-me sempre com a mesma pessoa. Já sabendo podia preparar-me de antecedência para não passar por esta humilhação, não? foda-se, sou mesmo porta!

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