2011-08-02

Nação estúpida - Queremos tudo! Não queremos pagar nada!

Já escrevi em muitos sítios diferentes o que vou escrever por aqui e, como tal, não me recordo se já fiz esta abordagem nesta casa. Tenham em consideração o meu cérebro senil.



Para caracterizar o vídeo que invoca o patriotismo em todo o português que usa com frequência a frase "este país é uma vergonha" e/ou foge aos impostos mesmo sem ter necessidade de o fazer, Luís Pedro Nunes usou uma frase que me causa bastante inveja pela sua perfeição e capacidade de síntese: 
Tem a mesma eficácia que enviar um e-mail ao vírus da gripe.

  • A Moody's disse exactamente o mesmo que a esquerda portuguesa diz a tempo inteiro: estamos a caminho de uma recessão profunda.
  • A Moody's não disse, ao contrário do que o português-vítima quer assumir, que Portugal era lixo.
  • Os investidores estão-se a cagar para o facto de termos fado, o Cristiano Ronaldo, ou bonitas paisagens.

Ontem houve mais um indicador que nos ajuda a identificar o QI de anónimos: o buzinão na ponte.
É mais um exemplo de queremos-impostos-mais-baixos-salários-mais-altos-subsídios-mais-elevados-deficit-baixo-sexo-oral-gratuito-e-que-o-estado-subsidie-as-portagens-na-ponte-em-Agosto-porque-sim.

Vai para a praia? Tem dinheiro para o combustível? Paga portagem.
Vai para a praia? Não tem dinheiro para portagens? Vai de transporte colectivo.
Mora na margem sul? É injusto? Não é injusto o ano todo? Para quê fazer barulho só em Agosto?

Tanto felino com fome e o Jardim Zoológico com dificuldades financeiras...

10 comentários:

  1. A única coisa que me chateia na Moody's (há mais, mas para o efeito fica esta) é nos seus critérios de análise a variável "ser americano" ter um peso de 98,36%. Acreditas que se um país europeu estivesse a três dias de entrar em incumprimento os tipos não lhe baixavam o rating?

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  2. Não tenho dúvida alguma disso. Não está aqui sequer em causa a seriedade da Moody's. O que me irrita é a falta de coerência, capacidade de isenção e de olhar para o próprio umbigo e perceber que não é assim que se vai a lado algum.

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  3. Mas isso, caro Piston, já nós sabemos. Na prática é aplicarmos a política "nós sabemos que somos maus, mas não admitimos que nos digam".

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  4. Ui, acabou de escrever algumas verdades! Gabo-lhe a coragem...

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  5. Eu sinceramente não entendo este teu ponto de vista.
    Estás a criticar o quê? o buzinão? As pessoas estarem a manifestar-se contra algo que não acham correcto?

    Achas justo que cortem ordenados que subam portagens e tudo o resto?

    Achas que se deve comer e calar?
    Aplaudir que digam mal do País onde MUITA gente trabalha de sol a sol?
    Aceitar que "olha afinal estamos numa grande crise", "é a recessão" "o País está na miséria, o melhor é mesmo trabalhar muito, receber pouco e sorrir e acenar a tudo"

    Pode não ser assim que se vai a algum lado, concordo, mas é um começo é sinal que ninguém está contente.
    E já agora como é que se vai a algum lado? A incendiar carros? A Partir coisas? Se calhar...

    Eu não aplaudo o conformismo, não aplaudo o "as pessoas querem tirar um curso e arranjar logo emprego, querem receber bem."

    Ya, é isso que as pessoas querem e é isso que as pessoas merecem.

    E sim acho bem que se tente defender o país e digo-o sem qualquer género de patriotismo, que esta nem é a minha Pátria.
    Mas enfim...

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  6. Vamos a isto ponto a ponto:

    "As pessoas estarem a manifestar-se contra algo que não acham correcto?"
    Neste caso não faz sentido algum. Ou estão contra as portagens o ano todo ou não percebo a indignação no que toca a não serem gratuitas em Agosto. Isto custa muito dinheiro ao estado (que somos todos nós). Prefiro que pague quem a utiliza em vez de pagar o país todo (mesmo aquela velhinha que vive em Castelo Branco e nunca viu o mar) por um mês de borlas.

    "Achas justo que cortem ordenados que subam portagens e tudo o resto?"
    Neste momento a parte do justo está completamente ultrapassada. Se tu tiveres uma carcaça e houver 3 pessoas com fome, não é justo que tenham que partilhar e comer tão pouco, que fiquem com tanta fome. A questão é que se só há mesmo uma carcaça, a justiça torna-se irrelevante. Não há cá milagres da multiplicação.

    "Achas que se deve comer e calar?"
    Acho que não se deve fazer barulho só por fazer. Coisas como exigir que aumentem os salários de toda a gente, baixem o preço dos transportes públicos, cortem com todas as portagens é muito simpático de ser exigido quando se é ignorante ou se quer ignorar os factos. Existe um cobertor de tamanho limitado. Ele não estica.

    "Aplaudir que digam mal do País onde MUITA gente trabalha de sol a sol?"
    Tens que me dizer exactamente o que queres dizer com "dizer mal". Referes-te ao facto de uma empresa dizer que Portugal tem poucas probabilidades de conseguir pagar o que está a pedir emprestado? É isso que é dizer mal ou, na verdade, isto é constatar um facto que é EXACTAMENTE o mesmo que a esquerda portuguesa diz? Eles não disseram "mal". Quando muito podem ter feito uma má análise ou uma análise tendenciosa.

    «"Aceitar que "olha afinal estamos numa grande crise", "é a recessão" "o País está na miséria, o melhor é mesmo trabalhar muito, receber pouco e sorrir e acenar a tudo"»
    Sim, claro. Temos que reconhecer e aceitar. Não quer isto dizer que tenhamos que nos conformar. Há que ser mais exigente com quem governa e com quem burla o estado. Tens a mais pequena ideia do quanto os funcionários públicos roubam, literalmente, ao estado? As pilhagens em economato, equipamento informático, material de enfermagem, medicamentos, etc, são feitas de forma natural e massiva. Como se estas pessoas tivessem direito a um complemento ao seu salário.
    Não digo nada disto ao acaso. Tudo isto é possível e acontece mesmo. Para os mais curiosos posso dizer quais os locais concretos onde sei que isto acontece.
    Exigir dos governantes? Sim. Achar que eles são os males de todos os problemas? Eu não alinho nisso. Está tudo corrompido da base até ao topo.

    "Ya, é isso que as pessoas querem e é isso que as pessoas merecem."
    Eu acho que para se merecer é preciso fazer algo mais que respirar. E mesmo merecendo quando o mercado está esgotado não se podem fazer milagres.
    Já escrevi muito acerca disto aqui:http://opistoneacabecadohomem.blogspot.com/2011/03/12032011-manifestacao-para-quem-nao-faz.html

    "E sim acho bem que se tente defender o país e digo-o sem qualquer género de patriotismo, que esta nem é a minha Pátria."
    Eu não defendo o país por ter nascido cá e muito menos o defendo porque estrangeiros têm uma má opinião, quando bem fundamentada. Defendo no que achar que o país merece ser defendido. Essa ideia de patriotismo cego é falsa, irracional e só para ficar bem na fotografia.
    Num momento de crise posso dizer que tenho feito alguma coisa pelo meu país. Não perco tempo com ruído irrelevante, alterei as minhas condições de remuneração, para pior, para pagar todos os impostos e contribuições que devo.
    Quantos mais passarem para o lado de cá mais rapidamente poderemos pagar menos ou exigir que nos cobrem menos.

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  7. Uma vez mais, este génio resumiu tudo: http://youtu.be/5FQ0MZWrw6Q

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