2011-08-10

As crianças estão aborrecidas - London Riots


Eu sou uma prostituta noticiosa e nestas coisas tenho uma necessidade quase sexual de estar actualizado. Por esta razão desde Segunda-feira à noite tenho consumido alarvemente Sky News. Esta estação noticiosa tem um sabor agridoce. Se por um lado levamos com os separadores que têm uma música que faz lembrar a TVI, por outro estamos descansados pelo facto de não haver nem uma única aparição de Nuno Rogeiro, que é uma das únicas pessoas no mundo que se especializaram em tudo (o outro é Moita Flores).

Quanto aos jovens que estão aborrecidos e que por causa disso precisam de plasmas e de vários artigos de  electrónica dispendiosa, não sei bem o que pensar.
O fogo tem proporcionado espectáculos bem bonitos e como eu sou um pirómano em potência e grande adepto do caos, deveria ficar-lhes muito agradecido. Por outro lado, sabendo da quantidade de inocentes que estão a ser afectados por estes actos, não me resta alternativa que não seja apoiar a abertura compulsiva de crânios de adolescentes. Estão a precisar de umas chapadas com ancinho.

Deste evento de beleza extrema fica pelo menos uma lição: se adolescentes armados apenas com telemóveis e com muita falta de estrutura moral conseguem tomar de assalto a capital de um dos países mais poderosos do mundo, talvez esteja na hora de prestar atenção às motivações desta gente.

Em Portugal podíamos juntar polícia, exército, marinha, e a Júlia Pinheiro e mesmo assim não teríamos qualquer hipótese de controlar uma situação semelhante. É certo que enquanto estivessem a agredir a Júlia ganharíamos algum tempo mas, ainda assim, um desfecho trágico seria inevitável.


Nota: Agredir a Júlia Pinheiro conta como auto-defesa com retroactivos. Não é crime.

7 comentários:

  1. adorei a parte que refere a júlia pinheiro ! :b

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  2. "auto-defesa com retroactivos"?

    Andas a ler o Código Penal Brasileiro?

    Por cá somos brandos em tudo. Até nestas coisas. Graças a Deus.

    Também acredito que, se tal acontecesse por cá, já teriam colocado o exército, a marinha, a força aérea, os dois submarinos, o comando do Peso Pesado no terreno.

    Novamente, graças a Deus.

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  3. Eu mal sei ler. Foi pura invenção.

    Não estou muito certo de que isso acontecesse. Não esquecer que durante a paralisação que os camionistas fizeram há 2 anos, o governo demorou algum tempo a reagir.

    Seja como for, se tivéssemos uma situação semelhante, não teríamos recursos humanos suficientes. A polícia está no limite da sua capacidade e militares é coisa que não temos em abundância.

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  4. Eu não estou exactamente em Londres, mas a percepção que há neste lado do Canal da Mancha é: então a polícia limita-se a olhar para esta escumalha e não faz nada? A violência utilizada para efectuar os roubos é chocante, mas muito pior é a destruição gratuita através do fogo.

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  5. Posso apenas falar com conhecimento de causa acerca do que se passa em Portugal e fazer um exercício de dedução no que toca ao UK.

    Em Portugal não há cá contenções no que toca ao uso da força. Não é preciso que o primeiro ministro autorize o uso de balas de borracha nem há grandes ponderações.
    Será isto sinal de que ainda somos pouco civilizados e que damos poder de decisão demais a gente muito abaixo na hierarquia? Talvez.
    No nosso país nunca se registou nada semelhante. Os episódios de maior violência têm-se registado em torno de eventos desportivos e esporadicamente em bairros problemáticos.
    Se aplicares força para controlar grupos que simpatizam com clube X, não corres o risco de no dia seguinte mais adeptos desse clube se juntarem para causar distúrbios. A "clubite" não é suficientemente agregadora para fazer com que pessoas que simpatizem com aquele clube mas que não sejam violentas, mudem os seus padrões de comportamento para se juntarem aos desordeiros iniciais.

    No que toca ao UK estamos a falar de um problema que não se limita à manifestação em torno de classes sociais. Isto está a ser tratado com muito cuidado pelos jornalistas, polícia e governo para que não se torne numa questão racial. Nas entrevistas que vi, os que não desculpam mas compreendem estes actos são quase sempre pessoas que descendem de africanos.

    As cidades do UK estão fortemente vigiadas pelos jornalistas e, por muito que eles estejam a torcer pela polícia, não se inibem (nem o devem fazer) de mostrar as cargas policiais que poderão inflamar ainda mais os ânimos.
    Pelo que vejo na televisão a polícia limita-se afastar os desordeiros e a fazer as detenções possíveis mas só com condições de segurança. Não nos podemos esquecer que o alcance da polícia é nulo. Enquanto que as crianças irritadas podem arremessar tudo e mais alguma coisa, a polícia não pode disparar nada. Limitam-se a avançar quando podem.

    A extrema-direita está a cavalgar este evento e prepara-se para tirar uma boa vantagem do mesmo.

    Nos primeiros dias, mesmo que a polícia quisesse ser mais agressiva não o podia ser. Uma vez mais, digo-te com a experiência de quem não é polícia mas sim com a experiência de quem já esteve envolvido muito de perto em situações semelhantes a esta: quando estás numa desvantagem numérica de 10 para 1, ainda que tenhas a vantagem de armamento e protecção pessoal, só conseguirás controlar os potenciais desordeiros com muita calma e respeito. Basta uma faísca para estragar tudo e para colocares a tua própria vida em risco.

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  6. Tentem ler o comentário acima sem respirar.

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  7. Sobre Londres and all those pretty lights:
    - o meu televisor deve ser diferente dos outros porque também vejo por lá muito branco/caucasiano;
    - o aparente deixa andar, deixa-os queimar e roubar serve para convencer toda uma nação de que são necessários outros valores de governação;
    - demasiado tempo livre é no que dá.

    Em relação ao último ponto, apetece-me cantar "No Future, no future, NO FUTURE FOR YOU!"

    Não deixo de esfregar as mãos de contentamento, apontar e rir à fartazana, depois de tudo o que soou sobre os PIGS, como lhes gostam de chamar.

    God Save the Queen!!!

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