2011-07-25

Nação polida - prelúdio

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011.

Estávamos em plena hora de almoço e eu tinha, como é habitual, pressa e uma fome que caracteriza este selvagem há já muitos anos.
Encontrava-me numa localidade que não me era familiar e na qual não conhecia o comércio da restauração. Aproximei-me do primeiro restaurante que avistei e numa análise preliminar identifiquei-o como sendo um daqueles que apostam tudo no requinte. O cuidado com a decoração era extremo. Para quem pretende rapidez no serviço isto não eram boas notícias. Antes de entrar olhei para os preços e, admirado com os valores apresentados admiti que a minha análise tinha sido precipitada. Preços relativamente aceitáveis não podiam ser compatíveis com uma excessiva perda de tempo com paneleirices relacionadas com o serviço.

Assim que entrei percebi que estava lixado. Aquilo que eu pretendia que fosse uma refeição de 15 minutos ia pelo menos triplicar no tempo e paciência despendidos.
O móbil deste post resume-se a uma única questão que vou dissecar dentro de instantes.
  1. Pedi uma lasanha (prato do dia)
  2. Demorou comó caraças e vinha com um fio decorativo no rebordo de uma merda qualquer vermelha na qual não toquei
  3. Para sobremesa pedi ananás
  4. Serviram-mo com palitos, imagine-se, pedaços gigantes de ananás que não podia levar à boca e que não tinha como cortar servidos apenas com palitos
Eu gosto muito de coisas bonitas quando não estou com pressa. Estou-me a cagar para a estética se isso significar a perda do sentido prático das coisas.

Estou claramente a alongar-me e a dispersar-me. O que interessa no meio disto tudo é a seguinte expressão que me foi servida quando recolheram o prato da já inexistente lasanha:

"Estava agradável?"

Aquilo soou-me a algo tão pouco natural que me imaginei a pontapear a cabeça do emissor até ter a perna a terminar num coto. Este empregado estava claramente a falar papagaiês e eu não tolero papagaiês. Eu fico a espumar da boca quando o papagaiês nem sequer faz sentido. Isto claramente é uma frase feita por um patrão mete-nojo que pretende conferir uma suavidade no atendimento, uma diferenciação pela linguagem polida.

Esta é a minha lista de questões aceitáveis no que toca a esta matéria:
  • Estava bom?
  • Tinha muito sal?
  • Gostou?
  • Queres mais um bocado ou já estás cheio, cabrão?
"Estava agradável?" é o tipo de pergunta que eu só admito que ele me faça se for para se informar acerca do desempenho da mãe dele, no Intendente. Continua a não fazer muito sentido mas, pela carga ofensiva que carrega, parece-me algo com o qual eu consigo sobreviver.

12 comentários:

  1. Lindo. Imaginar-te com um bocadão de ananás na boca a deitar por fora é lindo.

    ResponderEliminar
  2. Eu estava a ver se não dizia nada, mas tem de ser. Só vejo aqui "lindos" e palmas e etc.

    Então pediu um prato italiano por que cargas de água? Não havia um cozido? Umas migas? Alheira... Verificou se o ananás era da Madeira?

    Cá para mim a única coisa portuguesa eram os palitos!
    Ao menos a lasagna era "à la Moody's"?

    Ciao belo!

    ResponderEliminar
  3. Anda por aí uma grande vontade de picar mas uma capacidade nula de fazer algum sentido.

    Porque carga-de-água havia de escolher um prato português?

    ResponderEliminar
  4. É assim, wag the dog, before the dog wags the tail.

    ResponderEliminar
  5. aposto que se te servissem uma bifana com cotão, servida num guardanapo, daqueles que ficam meio transparentes com a gordura, te queixavas o dobro...

    ResponderEliminar
  6. Parece que há vontade mesmo só não queiras ser novamente "chico-esperto" a fazer diagnósticos aos comentadores.

    Não sou aquele aí atrás.

    Quanto ao restaurante, parece um daqueles que agora abundam e que destinam aos novos-ricos ou "cagões" falsos-ricos sendo os donos desta mesma espécie.
    KISS - keep it simple stupid.

    ResponderEliminar
  7. o alarme não tocou...

    Uma Sintrense

    ResponderEliminar
  8. Teresa, talvez não. É tudo uma questão de expectativas e gestão de tretas.

    ResponderEliminar
  9. São estes os anónimos de que me acusaste????

    Fraquinho...

    Numa palavra: lasagnaaaaaaaaaaaaaaa (Adoro mas, por provas já dadas, penso sempre três ou quatro vezes antes de a escolher.)

    ResponderEliminar