2011-05-20

Patriotas de plástico

Andam por aí muitos ofendidos com a Alemanha e com a senhora Merkl. Grita-se bem alto e com a indignação própria de gente ridícula, que quem manda neste país são os portugueses.

Ignorando aquela parte em que nas últimas presidenciais os portugueses que decidiram não "mandar" foram mais de metade, gostaria de perceber de que forma é que é errado que um país que vai EMPRESTAR dinheiro a IRRESPONSÁVEIS faça algumas exigências em troca?

Se um amigo que andasse constantemente na borga, a gastar dinheiro em restaurantes caros, me viesse pedir dinheiro emprestado para comer, o mínimo que eu exigiria seria que o ajudado vivesse na merda, no limite da dignidade, não só para o castigar pela falta de capacidade de gestão como porque quereria reaver rapidamente o meu dinheiro.

Onde é que já se viu um país produtivo como a Alemanha, que não só não pede emprestado como ainda empresta, vir exigir aos portugueses que trabalhemos até aos 67 anos tal como eles, os sacanas dos produtivos, fazem? Que coisa mais feia.


Seguem-se algumas palavras sábias que, tirando a parte da abstenção que deve ser devidamente enquadrada na cultura dos EUA,  espelham totalmente aquilo que penso destas virgens de bordel, os portugueses ofendidos.

12 comentários:

  1. Primeiro não é a Alemanha que tem de fazer exigências. É o grupo de países que nos vai emprestar dinheiro, do qual faz parte a Alemanha, que tem todo o direito de nos fazer algumas exigências (como aliás têm estado a analisar quais serão), que têm de ser discutidas entre todos e não atiradas como postas de pescada (que foi o caso).

    Segundo, foi um comentário baseado em preconceitos, porque as estatísticas mostram que os alemães se reformam mais cedo que os portugueses e tiram em média, mais férias. E a idade legal para a reforma na Alemanha é precisamente 65 anos (igual a Portugal) e só agora vão passar para os 67, de modo faseado até 2029, ou seja, não é coisa que seja para amanhã. Da maneira como ela fala, parece que aqui nos reformamos todos aos 40 e eles coitadinhos trabalham até à velhice.

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  2. Eu culparia sem qualquer dificuldade a comunicação social. Não creio que ela tenha feito exigências à papo-seco, até porque a senhora sabe perfeitamente por que canais as pode e deve fazer.

    Também não me parece que tenha sido sugerido "passem já para os 67 anos e nós depois vamos lá ter". Ainda que assim fosse, ainda que eles tirassem o dobro das férias que os portugueses, adivinhem só quem são os mais produtivos da Europa (acho eu) e consequentemente quem são os que mais vão ter que contribuir para o pé-de-meia que não temos e que vamos rapidamente destruir? São mesmo os alemães.

    Isto parece mais ou menos a luta de forças entre pai e filho: queremos liberdade total e fazer tudo o que nos der na cabeça, mesmo que isso não signifique que tenhamos a capacidade de sermos independentes.

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  3. Não são os mais produtivos da Europa (não me lembro quem é), mas são certamente mais do que nós. Mas a questão é mais complexa do que parece. Afinal trabalhamos mais horas (por semana) que um alemão, mas mesmo assim, rendemos menos dinheiro ao País que um alemão na sua semana. Mas eu acho que isso não é um problema que eu possa resolver directamente, são problemas que têm de ser resolvidos por gestores, empresários, etc.

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  4. Sabes porque é que a Alemanha não pede emprestado e pode pagar os subsídios de apoio às famílias que têm?
    Porque os alemães sempre pagaram impostos e não têm o culto da fuga ao fisco como aqui. Acho que nem há esse conceito. Desde sempre que os pais passam para os filhos as técnicas de fugir aos impostos e pagar o menos possível aos empregados (declarado) e isso leva à economia paralela que deve ser 40 a 50% de todo o dinheiro movimentado. Não somos assim tão pobres como querem fazer passar (privados) Um familiar meu trabalhava numa fábrica de alumínios que facturava 80.000€ por mês e o ordenado declarado eram na altura (há 7 anos) 450€ e tinha meses que ganhava 2000€. E eram mais de 50 assim...
    Ninguém faz nada e todos fechamos os olhos a isto. Quase toda a população fora de Lisboa (mas aqui também) vive de negócios familiares de pequena e até grande dimensão onde isto é comum.

    A Alemanha cresceu tanto depois da guerra porque em vez de explorar os empregados, optaram por pagar salários altos que permitissem comprar os produtos que produziam e assim pôr o dinheiro a circular por todos. E cá?

    Um casal na Alemanha com dois filhos, recebe 300€ de abono, subsídio de renda e +-1000€ (não posso precisar de quê mas é o caso de outro meu familiar)

    Tenho 32 anos e nunca ouvi falar de outra coisa a não ser da crise e que tem negócios como a minha família sempre teve sabe bem que isto não é de agora pois nós só sabemos fazer uma coisa: Lamentar e lamentar, estejamos bem ou mal. E se estamos bem, dizemos que está muito mau para não atrair inveja e não nos pedirem emprestado.
    O problema é que chegou às contas públicas mas aí a culpa é: má gestão, salvação de bancos, excesso de chefias,funcionários calões, regalias a mais e ideias megalómanas.

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  5. Resumindo: a culpa é dos que estão a ser ajudados e não dos que ajudam.

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  6. Sim mas nós também não ajudá-mos a Grécia e a Irlanda? Na proporção devida.

    O Reino Unido que é uma das maiores potências esteve perto da falência e ninguém falou disso nem andaram a especular para ver se caía ainda mais rápido.

    Temos culpa mas o mal está feito e tem que se resolver para não voltar a acontecer. E vai voltar, como disse está no "sangue".

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  7. Não percebo bem de que forma é que o último comentário rebate aquilo que eu escrevi.

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  8. Isso também não interessa nada. Eu acho que deviamos todos votar PAN.

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  9. Sim, PAN. Não é PAN americano, nem PAN com queijo e fiambre.

    É um partido novo que assim como assim diz tanto como os outros. Pelo menos é diferente.

    É pelas bichezas e isso.

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  10. Não era para rebater. Era só para finalizar.

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  11. http://economico.sapo.pt/noticias/eua-a-beira-do-incumprimento_119063.html


    Que vergonha os EUA...deve ser de haver lá muitos portugueses.

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