2011-03-01

Tirem a cabecinha da areia

(Este post estava agendado para daqui a mais de uma semana mas, como estou já li várias opiniões semelhantes à minha e estou a perder relevância, cá vai disto.)

Tenho 26 anos e desde os 14 que trabalho. Entre part-times e full-times, sempre consegui preencher o meu tempo livre com uma ou outra forma simpática de ganhar dinheiro.
Pela primeira vez nestes últimos 12 anos estou sem fazer rigorosamente nada há cerca de 2 meses. Não porque não consiga trabalho, nada disso. Ele anda por aí e é abundante para quem tem a minha idade.
Estou a fazer esta pausa porque, tirada que está a conclusão de que muito provavelmente não quero trabalhar na área de influência do meu curso, estou a tentar perceber o que quero fazer da vidinha.

Esclareçam-me uma coisa acerca desta manifestação porque tenho andado distraído.
Esta é a tal manifestação em que participam os jovens licenciados que acham que o país tem a obrigação de lhes dar emprego na área em que estudaram só porque isso lhes traz felicidade e dinheiro? Onde participam pessoas que acham que o país tem que pagar pelas suas escolhas académicas?
É a manifestação onde participam jovens não-empreendedores que preferem não fazer nada a aceitar um emprego de imigrante no McDonalds ou nas obras?
É o tal movimento social que acha que a sociedade se faz sem a ajuda de uma mulher-a-dias ou de um varredor de ruas?

Lamento que Deus não exista caso contrário encomendava um filho-da-puta de um dilúvio que  lavasse a merda toda até ao Tejo.

Não tenho pena dos recém-desempregados que foram corridos de uma fábrica mas que no passado, tendo  hipótese de escolha decidiram que já não lhes apetecia estudar, assim como não tenho pena dos que quiseram estudar e que acharam que isso lhes dava um direito especial a viverem no país das maravilhas.

Há toneladas de licenciados para gramas de vagas. Estão à espera que os empregos sejam criados do nada? Mexam-se! Criem o vosso próprio posto de trabalho ou enfrentem a responsabilidade de terem escolhido uma formação para um mercado que já estava saturado.

Lei da oferta e da procura? Alguém ouviu falar disso?
Portugal não é um país rico e espera a minha geração que se pague 100 quando há milhares de pessoas que aceitam trabalhar por 10?

Tirem a puta da cabeça da areia!

46 comentários:

  1. Há sempre alguém que conta essas histórias de que nunca esteve sem trabalhar. Eu quando fiquei desempregada em 2008 mandei cv's para todo o lado, desde bertrand ao modelo, papelaria fernandes, lidl, lojas, tudo. A unica coisa para a qual fui chamada (fora da minha área) foi para recepcionista e durante a entrevista perguntaram-me o que é que estava ali a fazer, porque tinha um percurso maioritariamente dentro da área criativa (e a sério que até estava entusiasmada de trabalhar numa coisa que não tinha nada a ver com a minha formação). Recusei um trabalho nessa altura, na minha área em que me ofereciam 600€ a recibos, espremidos pela segurança social ficariam 450€ (sem contar com irs). E não é por não querer trabalhar que o recusei, acho que tem de haver um minimo. Pagavam-me mais a trabalhar na bomba da BP do que como designer e isso recuso-me, prefiro mesmo trabalhar noutra coisa, nem que seja num cabeleireiro (tentei também). Em conclusão, arranjei trabalho ao fim de 6 meses.

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  2. Não sei se é o caso (e não estou a tentar ser indelicado) mas friso o que escrevi, "para quem tem a minha idade".

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  3. Este texto peca exactamente no que todos os outros que já li pecam. Generalização.

    Agora, de repente, todos são preguiçosos.

    Pois, até mesmo àqueles que não procuram em outras áreas, há muito a dizer.

    Generalizar e lugares comuns são um perigo. Tiros nos pés.

    Por exemplo, a advocacia.

    Estamos cansados de saber que há muitos advogados taxistas e desempregados, e vendedores da Remax, etc, etc. Tirar o curso de direito não garante emprego, pelo contrário, blá, blá.

    O que é certo é que em todas as sociedades e empresas onde trabalhei (Não foram muitas mas conheço muitas realidades, demasiadas.) fiz o trabalho correspondente a três advogados Ou mais. Na última empresa onde trabalhei, melhor grupo de empresas (já que rondavam as oitenta e muitas), o volume de trabalho que poderia e deveria alimentar duas dezenas de advogados era distribuído por duas pessoas (Eu e uma estagiária). Deram-me o título de Coordenadora do Departamento Jurídico. Ficamos por aqui. Com direito a bloco de notas junto à mesa de cabeceira para quando acordasse às 4h00 da manhã com suores frios provocados pelo stress do trabalho, dos prazos, dos milhões envolvidos, da responsabilidade. Como deves calcular, não porque os senhores necessitassem deste sacrifício. Em todos os sítios por onde passei, as contas eram bem gordas e as discrepâncias salariais abismais.

    Pancadinhas nas costas? Eram mais os gritos.

    O que é certo é que a grande maioria dos escritórios sobrecarrega os associados e estagiários de forma inexplicável. Sem necessidade e ainda por cima sem premiar o trabalho desta gente que vai adiando os seus sonhos de ter uma réstia de vida pessoal (Ir à última sessão do cinema, entenda-se.) Para não falar no tratamento pessoal. Gritos, insultos, faltas de respeito.

    Quando estagiei, tive vários episódios caricatos. Um deles passou-se num belo dia em que estávamos repletos de prazos para seguir (os advogados responsáveis assinavam tudo de cruz) e nada de notícias dos sócios daquela sociedade. Sumiram-se. Seis horas da tarde e nós a desesperarmos. Prazos para seguirem pelo correio. Até que, após várias tentativas e telefonemas, apercebemo-nos que tinham ido estrear os Mercedes que todos acabaram de comprar nesse mesmo dia e ir dar uma volta a Fátima.

    Nem vou reproduzir aqui qual foi a sugestão dos sócios para colmatar a sua ausência, por pudor pela classe.

    Se fiquei calada? Se não soube reclamar os meus direitos e da miséria que ganhava, apontar a necessidade de contratação de mais pessoal? Pelo contrário. Quando vi que as acções não correspondiam às respostas, simplesmente saí. (Atenção, porque o pude fazer!)

    No entanto, foi sempre lúdico constatar que a minha saída implicou sempre a contratação de mais de uma pessoa (a média tem sido três) para o meu lugar.

    Culpa minha que os habituei mal.

    E, se hoje prefiro ficar em casa com uma parca advocacia gerida por mim e recusar-me a várias ofertas que me caem por telefone ou email, é porque sei que as misérias e condições que oferecem não valem a minha saúde e felicidade.

    A minha profissão é de alto risco, Piston. A maioria das pessoas não percebe isso mas é de alto risco para a nossa saúde. Taquicardias e avc's são o que encontramos ao fundo do túnel. Já sofri muito das primeiras, com os casos que tenho na família, temo as segundas. Sem esquecer coisas menores como úlceras e abortos.

    Isto tudo para dizer que a questão é muito mais profunda. É muito mais profunda do que simplesmente procurar outras áreas.

    Dizes verdades, como há quem diga muitas verdades diferentes. Também vejo uma geração mais velha (neste caso, os meus colegas) que vivem literalmente à custa de uma geração mais nova. Facto que (sublinho) não aconteceu com as gerações anteriores.

    Não há entrevista a que vá que não oiça "Ainda de bem que é solteira, assim não tem que sair às 19h00 para ir buscar as criancinhas." Só isto revela o podre da geração que nos mina.

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  4. (Não coube tudo)

    A culpa é de todos e de cada um.

    Também é minha, que dei mais do que deveria dar, que não tirei medicina ou engenharia, que tentei criar o meu trabalho, o meu negócio e cometi erros e fui assolada por uma crise. Não lavo as minhas mãos mas também não permito que todos os outros lavem as suas.

    E só ainda não debandei para outras terras por questões familiares. Quem ainda não debandou lá terá as suas. Provavelmente tornar-se-ão menores com o agravar da situação.

    Outra coisa.

    Acalma-te, Pistonzinho. Isso faz veias salientes na testa e queda de cabelo.

    Beijo

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  5. O português está uma merda porque escrevi tudo de uma assentada.

    Haveria muito mais a dizer.

    Sinceramente, este assunto já me cansa. Poderiam trabalhar com condições e sem pôr os donos e patrões na penúria ou na "mediocridade" o dobro dos que actualmente trabalham. E sim, sou a favor de que as pessoas persigam aquilo para o qual investiram, dedicaram e trabalharam.

    Lamento, com futuro ou sem futuro (o que é discutível), estas pessoas investiram. Coisa que outras não o fizeram. São classificadas e temos um país que não sabe aproveitar o seu espólio e activos humanos.

    Outro exemplo? Os trabalhos em part-time. Resumem-se a telemarkting e pouco mais. Porque não evoluirmos para muitas outras profissões, como vemos nos países nórdicos, por exemplo? É a vista curta. As leis que chamam de rígidas mas que sequer são aplicadas. As muitas horas extraordinárias que são feitas todos os dias e nunca são pagas.

    Etc, etc. Não me canses mais a beleza.

    Adopta antes um cão!

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  6. Adorável Alexandra,

    Não percebo de que forma é que podemos estar em desacordo.
    As generalizações impõem-se como a única forma de fazer uma análise à distância. Como é óbvio, há casos e casos.

    Compreendo a responsabilidade do teu trabalho mas espero que também compreendas que aquilo que me descreves, pelo que percebo, só se deve à culpa de quem permite que os empregadores se comportem assim.
    Compreendo também que o empregador abusa, o empregado tem pouca força e teme pelo posto de trabalho porque a oferta é muita.
    Vamos parar ao mesmo, certo? Excesso de oferta para pouca procura.
    É claro que a competência tem que pesar e pesa mesmo, mas com tanta oferta também será maior a competência que está por aí, à solta, desejosa de ganhar alguma coisa.

    Como dizes, preferes exercer em casa, por tua conta, com todas as consequências que isso tem. Eu leio isso como uma pessoa que prefere agir em vez de ficar a bater o pé e a chorar porque o governo não lhe dá trabalho como quer, na área que quer e a ganhar o que quer.
    Tiveste também a coragem de tentar a sorte de outra forma (gabo-te a coragem porque eu não a tenho). Como é que te podes rever na massa de acomodados?

    Generalizações e exageros fazem parte das opiniões que abrangem um grupo de elementos muito elevado.

    "É a vista curta" dizes tu com razão. A quem é que cabe mudar isto? Cabe aos que estão estabelecidos e bem na vida?

    Eu não contesto a insatisfação, compreendo-a. O que acho que é bastante óbvio é que esta gente quer que alguém lute por eles e que lhes entregue a peça de caça à porta mas só da parte da tarde porque a manhã é para dormir.

    As leis estão mal? Os empregadores e os contratos são abusivos?
    A manifestação até pode conseguir a atenção do legislador mas será que vai fazer alguma mossa aos empregadores? Será que vai criar postos de trabalho? Não me parece.

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  7. Piston, tenho 28 e na altura tinha precisamente 26 anos.

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  8. Pronto, bébé.

    Não disse que me revejo na massa de acomodados. Mas tem dias. Há dias que o faço e muito. Dias seguidos e propositadamente. Cá em casa é assim que me vêem.

    Simplesmente, porque não vejo saídas.

    A manifestação é ridícula. Tantas outras formas de protestar se impunham.

    Mas também só oiço falar. Só vejo escrever. Mais uma vez, revejo-me no comodismo. Mexer-me mais uma vez para quê? Quem merece? Quem lucrará? Eu não, certamente. Ai que vamos fazer também uma revolução, vejo no Facebook, na blogosfera, nos comentários aos sites e jornais. Ai sim? Onde? Quando?


    A legislação não é má. É óptima. Mas se nem é aplicada não percebo porque a querem extinguir. Sou aúltima pessoa que vai culpar o legislador ou o Estado.

    O Estado não pode andar connosco ao colo.

    Para mim, a verdadeira revolução seria sim o comodismo. Ninguém trabalhar. Ninguém se esforçar. Aí sim, veria a oferta e condições de trabalho a subir. Só que isso é impossivel.

    Não somos um povo dinamarquês que após ver que trabalhar tanto não compensava (financeira e pessoalmente), se recusou a trabalhar, para passar a ter melhor qualidade de vida. Que não distingue trabalho qualificado de trabalho vá lá, técnico, porque a base salarial é muito idêntica e daí nasce toda uma nova educação cívica. O que é que eles fizeram? Temos demasiados licenciados e precisamos de pessoal não licenciado, toca a aumentar os salários dos últimos. (Cá não se aumenta nada, só os salários dos treinadores e futebolistas da 1ª divisão).

    Apareceram os part-times em todas as áreas, apareceu o culto e a necessidade de vida pessoal, qualidade de vida, família.

    Apareceram também melhores e mais responsáveis trabalhadores. Melhores leis, melhores patrões e não fosse a merda de clima, eu, loira, como sou, já seria dinamarquesa de gema.

    Acho TODA esta discussão ridícula e inútil. Não fosse o português adorar reclamar e falar para o ar.

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  9. Resumindo:

    Legislação - ok
    Cumprir a legislação - não-ok
    Oferta - não-ok

    O problema é o governo e as entidades patronais?
    Forme-se um partido com gente séria, que o faz não para tirar proveitos financeiros mas para ajudar a mudar genuinamente o país.
    Vote-se nesse partido mesmo que ele não nos diga aquilo que queremos ouvir.

    Como se resolve o problema da procura vs oferta?

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  10. Fuschia, a minha experiência não será suficiente para fazer disso regra, não só porque sou uma amostra irrelevante mas também porque só represento um género. Não me baseio só no que experimento no pelo mas também nas experiências dos outros que vou apreendendo.

    Talvez sinta agora a dificuldade que sentiste aos 26. Daqui a uns meses podemos voltar a falar.

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  11. Piston, eu percebo-te, mas ainda tenho uma certa dificuldade em definir os manifestantes como "massa de acomodados".
    Um curto exemplo: os meus actuais ex-patrões tiveram de me dispensar e agora vêm a empresa a ruir e ameaçar seriamente a subsistência deles. Para além de que constituiram empresa com os apoios do Estado, através do IEFP, e agora terão de devolver algum dinheiro porque "não o gastaram todo", e, como são pessoas honestas, não têm propriamente contasoff-shore nem negócios obscuros. Eles planeiam ir à manifestação, porque, quer queiramos, quer não, a carga fiscal e responsabilidades dos empregadores são excessivos e incomportáveis para uma micro empresa e eles querem criar impacto. E eu percebo. Não sei se a manifestação vai adiantar alguma coisa, mas talvez ajude a consciencializar, e isso talvez já seja alguma coisa.
    Neste aspecto concordo com a Alexandra, se pudéssemos todos manifestar-nos de outra maneira...
    E recuso-me a acreditar que quem quer manifestar-se pertença só a esse tipo de pessoas. A maior pate dos meus conhecimentos, felizmente, são pessoas trabalhadoras e esforçadas. E os que não são, têm o bom senso de não exigir ao Estado aquilo que eles não querem fazer.
    Não sei se apoio a manifestação a 100%, compreendo, mas não me revejo completamente porque, sortuda que sou, tenho conseguido sempre trabalho na minha área e nem sequer me tem exigido nenhum esforço sobrehumano(e em sequer sei se é isto que quero continuar a ser, mas como não posso e não quero estar parada, sujeito-me). Mas as opiniões generalizadas, essas sim aborrecem-me. Nada é tão preto e branco.

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  12. Analog, temos aqui um grande problema.
    Os teus ex-patrões vão participar numa manifestação que é mais ou menos contra eles, no mínimo não é a favor (permite-me que distorça um pouco).

    Eles tentaram e não resultou. É pena. Acredito que seja injusto o que lhes exigem e que a vida deles não vá ser solarenga nos próximos tempos.

    Parte do manifesto desta manifestação reza assim:
    "Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza - políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável."

    ??????????????????

    Algum de vocês tinha ouvido que o protesto era contra a sua própria consciência (isso é possível)? Não creio que a maior parte dos participantes esteja a par disto.

    Assim do nada creio que fiquei a apoiar a manifestação. Acho que tenho que apagar este post.

    Isto é o que acho que os jovens têm que fazer:

    1 - Envolver-se na política com o objectivo nobre e altruísta de mudar as coisas e não com o objectivo de ganhar um salário e de alapar o rabo no parlamento. Não é de estranhar que este movimento não tenha sido iniciado por nenhuma das juventudes partidárias.

    2 - Criar a sua própria empresa, criar o seu posto de trabalho ou ser menos exigente e agarrar o que aparece. Isto não é fácil, correrá muitas vezes mal, mas tem que ser tentado. Não se pode dar emprego onde ele não existe.

    3 - Compreender e aceitar que não estamos num país rico e que uma vida de luxos, ainda que medianos, não está ao alcance de todos e muito menos daqueles que estão agora a iniciar a sua vida profissional.

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  13. Eu honestamente acho é que andas muito nervoso... agora já compreendi o motivo!

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  14. Acho que talvez o objectivo do protesto seja mesmo consciencializar, mesmo de quem nele participa. Com esta história toda tens de concordar que vimos muita experiência de vida exposta, seja em blogues, em comentários de notícias, etç.
    E devo dizer-te, em muitos casos senti que havia gente muito lutadora, gente com azar, gente que superou os problemas e isso inspira-me.
    Quando soube que ia ficar desempregada a minha primeira opção era ficar uns tempos em casa a "procurar-me", não que haja algo de errado com isso, mas para quem paga casa e contas é capaz de ser uma atitude um pouco irrealista. Agora que vi como tanta gente suportou situações que para mim seriam impensáveis, percebo que me tenho de por a mexer e não baixar os braços (parte desse "procurar-me" vem também da minha baixa auto-estima laboral). E acredito que coisas boas podem acontecer desta minha atitude, mesmo estando cheia de medinho com o que aí vem...

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  15. Concordo. Tenho 32 anos e há 5 criei o meu próprio emprego. Ganho bem e apesar de gostar do que faço está longe de ser o que eu gostava mesmo de fazer. No entanto não vivo descansado pois se o negócio corre mal não tenho direito a desemprego e nunca mais arranjo trabalho porque já sou "velho".

    Só um reparo. Estás desempregado há cerca de 2 meses. (e não à)

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  16. Acho que o que significa o ".... e nós mesmos" é o facto de estes mesmos jovens que se queixam das más condições de trabalho, são os que as aceitam e fazem com que o sistema se sustente. Não se consegue equilibrar o mercado de trabalho enquanto houver gente a trabalhar de borla e a dar e cuzinho e três tostões por estágios não remunerados durante anos a fio. Atenção, não tenho nada contra os estágios. Um estágio depois do curso, durante 6 ou 9 meses é perfeitamente aceitável e saudável. Mas eu vejo empresas a pedirem estagiários com 30 anos e experiência profissional. Como diz o meu pai (electricista) há quem peça um aprendiz com experiência. Se vai para aprender, não pode ter experiência profissional. E isto não tem a ver com preguiça, ou falta de vontade é com justiça. Porque não é justo que as empresas lucrem com empregados que são sustentados pelos pais e que depois de terminarem a formação, trabalhem indefinidamente em estágios em regime de quase voluntariado, com a desculpa de "é para ganhar experiência".

    Como disse antes, eu recusei um trabalho na minha área na qual ficaria a ganhar menos do ordenado mínimo, a recibos verdes, enquanto que na bomba da BP ganharia perto de 800€ com contrato. E quando o recusei, já tinha estado mais de um ano a ganhar precisamente 400€ numa empresa da minha área e não queria voltar ao mesmo. Se não tens pena de quem fica desempregado quando fecha uma fábrica porque não quis estudar mais, digo-te que da maneira como as coisas estão, é mais seguro borrifar nos estudos e ganhar experiência numa profissão como canalizador ou electricista, do que perder 5 anos da vida a estudar para coisa nenhuma. É mais seguro que no futuro não só tenhas emprego, como ganhes muito melhor.

    Como já foi dito acima, acho também que a manifestação vai servir mais para consciencializar e partilhar experiências. Deixo aqui o link para um artigo do Mário Moura (http://ressabiator.wordpress.com/2011/03/02/solucoes/), onde entre outras coisas, ele explica que o problema dos estágios é um problema mundial (não apenas português) e comecou muito antes da crise. Aliás, não me lembro de um ano na minha vida em que Portugal não estivesse a passar por uma crise qualquer, que serve sempre de desculpa para não fazer mais e pagar melhor.

    Eu sei que este problema da oferta-procura não tem solução fácil e é, provavelmente, o culminar de anos a fio em de vários problemas, desde culturais, económicos e um excessivo incentivo ao estudo académico. Pode dizer-se que estes jovens não têm iniciativa, mas Portugal tem uma capacidade de produção fraca comparado com outros países e isso já vem de há muito muito tempo. Uma coisa é certa, a musica, a manifestação, está a pôr-nos a falar do problema e isso é o primeiro passo para a resolução.

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  17. Analog, sinceramente achas que a maior parte dos participantes vão com esse objectivo? Eu só consigo ver pessoas a exigir sem querer dar nada em troca.

    Pedro, tens toda a razão em relação ao "há" de haver mas eu não escrevi que estava desempregado. No final do mês que vem já posso agarrar esse título. Até agora tenho estado a tentar perceber o que quero e posso fazer. Não cheguei a nenhuma conclusão e, como tal, está na hora de seguir em frente.
    Estás sempre em risco e isso é mau mas, por outro lado, quer dizer que tens que estar sempre em pontas dos pés e que não te vais acomodar na função pública, por exemplo.

    Fuschia, a Alexandra já respondeu a isso e vai de encontro ao que já escrevi. Excesso de oferta. Eu quase que aposto que há mais advogados no desemprego que pessoas em condições a procurar trabalho numa bomba.
    Parece que te referes à profissão de um electricista ou canalizador como algo de inferior. Existem cursos técnicos para isso que também implicam estudo.
    É claro que ganham bem! Não é fácil encontrar um que trabalhe bem e que não tenha uma lista de espera razoável. Pouca oferta, trabalho mais caro, família feliz.
    Repito, se somos a geração mais instruída, mais culta, com as soluções todas, há que entrar no sistema político e mudar as coisas de dentro para fora.

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  18. Pelo não fazer nada assumi que fosse desemprego. E tens razão, esta insegurança faz com que esteja sempre a tentar inovar e desenvolver a actividade na tentativa de não ser ultrapassado pela concorrência e ter de cumprir com os ordenados. Olha que é esgotante psicologicamente.

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  19. Como é que alguém de nomeia para os BILF's?

    That's wrong with the world?

    Mas é que nem que fossemos as únicas pessoas à face da terra e tivéssemos de dar continuidade à espécie, é que nem assim...

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  20. Não me ocorre um convite para cama mais descarado que esse comentário.

    Tens que trabalhar um pouco essa subtileza.

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  21. Escrevi sobre isto há pouco tempo. E sei que também não me incluo na massa dos acomodados. Sempre trabalhei e a maior parte das vezes fora da área e além disso criei um projecto que não deu certo. Mas a questão é que eu não vejo tantos acomodados assim. O que vejo são pessoas que investiram e gostavam de ter retorno. Estará isso assim tão errado? Claro que é bom estudar mas não será que devia de facto haver mais oportunidades? E quanto ao facto de as licenciaturas nos tornarem melhores pessoas não concordo. Mesmo. Não tive uma única cadeira no meu curso, e eu estudei psicologia o que torna as coisas mas caricatas, que me ensinasse a ser uma melhor pessoa, uma pessoa mais bem educada, alguém que tivesse mais em consideração os outros. E acho que ainda vou escrever outra vez sobre o assunto.

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  22. Miss G, não há nada de errado em perseguir o sonho. O que eu não aceito é que se ache que outras pessoas o têm que perseguir por nós.
    Cria melhores condições continua a não resolver aquilo que é tão básico que me irrita sequer ter que explicar.

    Se só há 3 cadeiras não é possível sentar 10 pessoas.

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  23. Aí é que está o erro Piston. Essas 3 cadeiras na verdade são 6 ou 7. Mas há o mouro que as faz, recebe mal e que remédio tem ele. O problema é esse. Uma coisa são as micro e pequenas empresas, outra são as outras. Nas sociedades de advogados onde estive por exemplo (tanto advogado desempregado)- vou repetir-me - os lucros eram altos, mas ninguem está para investir e pagar a 3 camelos quando 1 faz o trabalho de 3, mesmo que para tal se anule mesmo que receba 1 miséria.

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  24. É a tua experiência e ela não faz disso a regra, se bem que acredite perfeitamente que o possa ser.

    Conheço outras áreas de formação que estão completamente saturadas e que, uma vez mais, também não faz disso regra.

    A minha opinião baseia-se muito mais na atitude não só dos jovens como dos portugueses em geral. A culpa mora sempre ao lado, é algo que nos é sempre externo, somos sempre vitimas.

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  25. Oh não. Que desilusão. Felizmente para ti que nunca estiveste na situação de tantos outros. Talvez nesse caso compreendesses que as coisas não se baseiam em exigir coisas inexistentes e querer um emprego que não existe na área para a qual se estudou (o choque, querer uma coisa destas!), mas sim dizer não à exploração a que somos sujeitos.
    Criar o próprio trabalho? Claro, é coisa fácil, toda a gente o consegue e toda a gente tem meios e capacidades para isso! O problema está mesmo nos parolos que se sujeitam a 480€ por mês a recibos verdes, muitas vezes em empresas que dão lucro ano após ano. Epah, nem vale a pena...

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  26. Na tua área compreendo que seja mais complicado ou quase impossível criar o próprio posto de trabalho.

    Questões que te coloco:
    1 - Como está a tua área no que toca a saturação do mercado?
    2 - Nunca disse nada contra a plataforma que se manifesta com alguma regularidade a propósito dos recibos verdes e que aparentemente desenvolve um trabalho um pouco mais elaborado do que ir somente para a rua, certo?

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  27. Piston, não é só na minha área. Gostava de abrir um bar todo xpto com palco e book crossing e mil coisas giras. E dinheiro? E know-how? E algum banco emprestar-me dinheiro a mim (estamos a falar de muito dinheiro, e cujo fim nunca é garantido, posso ficar com uma dívida para a vida toda se a coisa corre mal), nas condições em que estou? Ou propões que as pessoas criem um qualquer posto de trabalho, mesmo que não gostem minimamente do que se propõem fazer? Se fosse assim tão fácil, não havia senhores a varrer a rua nem a apanhar o lixo, como dizes...

    Outra coisa, defendo que as vagas de determinados cursos (como o meu) deveriam ser limitadas. Ou achas que uma miúda de 17 ou 18 anos que acaba o 12º ano tem a noção que no fim não vai ter emprego, ou que a área está má? Eu bem procurei conselhos, rankings, empregabilidades, porque no 12º ninguém nos orienta para isso. Mas digo-te já que teria ido para jornalismo na mesma, porque com 17 ou 18 anos não tens a noção da realidade. Nao tens a noção que acabas o percurso académico para o qual sempre foste incentivado pelos pais e pela sociedade e acabas a vender champôs ou a trabalhar na TMN, como eu fiz. A ganhar mal e em condições precárias (por isso o problema de querer um emprego na área não é tudo no mundo,o problema também está nos empregos que nos oferecem, que são todos uma chulice).

    E fica sabendo que não falta trabalho na área do jornalismo, falta é honestidade. Honestidade para não oferecer milhares de estágios não remunerados, e falta de visão para investir (por isso vês trabalho mal feito, porque se calhar esse jornalista nem tempo tem para rever o que fez, porque está a fazer o trabalho que antes faziam 3).

    Eu trabalho numa empresa que dá muito lucro todos os anos. Achas que é por isso que me pagam melhor? Não.

    Tu gozas com a manifestação toda agarrando a coisa por um dos lados. Só te quis mostrar que há muitos mais, e que a manifestação tem toda a razão de ser. Só tenho pena que agora o PCP se tenha juntado a ela, e que haja um grupo de morcões que tenha marcado outra manifestação para o mesmo local e para a mesma data, cujo mote elaboradíssimo é "queremos a demissão de toda a classe política".

    Resumindo (caso optes por ler só o último parágrafo deste testamento), discordo totalmente do teu post, porque pegas num dos muitos lados que esta manifestação tem, e generalizas tudo. Não esperava isso de uma cabeça como a tua (salvo seja).

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  28. Li tudo. Estamos a chegar a algum sitio.

    Acredites ou não, li a página do Facebook toda e não consegui dissociar o movimento "demissão de toda a classe politica" daquele a que te vais juntar. Só hoje me apercebi que são duas coisas diferentes mas creio que muita gente irá para lá com a plena convicção de que a demissão dos senhores todos é que é a solução.

    Confesso que embirro especialmente com isto porque esta manifestação tem aroma a influências do norte de África. Parece que alguns dos que por cá andam não perceberam que aquilo pelo que se luta por lá é um pouco diferente. Lá luta-se por melhores condições de vida, luta-se porque há muita falta de emprego, porque são mal pagos, etc. A PEQUENA diferença entre eles e os Portugueses é que nós temos a real capacidade e direito de intervenção na vida politica. Acho que ninguém tem grandes dúvidas de que os resultados nas eleições são limpos e de que, reunidas as condições legais, qualquer grupo de cidadãos poderia formar um partido político.

    Demita-se toda a classe politica! E depois? Quem vai comandar o país? Os manifestantes? Tem outras formas de o fazer, como referi acima. São é um pouco mais trabalhosas e eficazes.

    Durante toda a minha vida só tive um contrato laboral (e foi num part-time). Tudo o resto foi pago de forma "estranha" ou com despesas por minha conta.

    Sinceramente tinha a noção de que a imprensa, especialmente em papel, estava em crise já há vários anos. Se dizes o contrário acredito.
    Tal como a Alexandra já aqui escreveu, o empregador abusa, dá trabalho de 4 a 1 e anda feliz da vida. Ela, porque teve essa disponibilidade (compreendo que nem todos a têm) despediu-se e não aturou mais o abuso. Eu também já o fiz duas vezes.

    Volto à carga com isto: http://opistoneacabecadohomem.blogspot.com/2010/07/consequencias-adverto-para-eventual.html

    Pegando no teu outro sonho. Há que ir com pequenos passos. Todos já ouvimos as típicas histórias de Hollywood em que o aspirante a actor trabalha num restaurante enquanto vai tentando a sua sorte naquilo que realmente gostava de fazer.

    Dizes e bem que as vagas deveriam ser limitadas. É isso que se pretende nesta manifestação? É isso que estão a pedir? Não.
    O mal já está feito mas não é porque me disseram há anos que ia ter 10.000€ na conta bancária que agora eles têm que me ser entregues.

    Nem que seja só por curiosidade, pesquisa o tema microcrédito no Brasil e Índia.

    É desejável que todos trabalhemos no que gostamos. É uma aspiração normal mas é inegável que isso não esteve ao alcance da maior parte dos nossos pais e que não estará ao alcance de boa parte dos da nossa geração.

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  29. Nunca mais me lembrei disto. Assim rapidamente, que já estou a cair de sono:
    A manif tem aromas a Médio Oriente e Norte de África? Pois quem me dera que tivesse. Aqueles gajos fartaram-se de más condições de vida (más a sério, não são como as nossas), e descobriram através da Wikileaks que têm governantes corruptos. Nós ouvimos todos os dias histórias sobre os nossos governantes corruptos e assobiamos para o lado, e vemos todos os dias o nosso nível de vida descer e fazemos posts em blogues a queixarmo-nos. Depois há alguém que decide lançar um apelo a uma manifestação pacífica e apartidária e discute-se se a manifestação tem ou não razão de ser. Gostava muito de perceber isto. E acho que temos algumas coisas a aprender com o povo da Tunísia ou de Marrocos (com os Líbios não, que eles são tolos).

    Durante toda a vida só tiveste um contrato laboral e o resto foi pago de forma "estranha" ou com despesas por tua conta? Nºao percebo bem o que é isso de ser pago de forma estranha (por fora? se foi por fora devias levar dois bananos), mas estás contente com isso? Achas bem? Eu não gosto de estar a trabalhar sob o sistema mais chulo à face da terra, logo depois da escravatura, que são os (falsos) recibos verdes. Não é porque estou e sobrevivo que acho que os outros também não têm nada que se queixar. Pelo contrário, levanto-me contra eles e critico-os sempre que posso, inclusivamente no local de trabalho.
    (como é que tu já trabalhas desde os 12 anos?!)

    A imprensa está em crise, o número de postos de trabalho na imprensa escrita tem diminuído drasticamente, os salários também, e é por isso que precisam de uma dúzia de escravos ali a trabalhar de borla, e de muitos a recibos verdes, muitos a trabalhar 12 e 13 horas por dia a troco de 600€. Eu trabalho numa empresa grande, que entre muitas outras coisas tem alguns sites. Apresenta lucro, gasta milhares numa festa, já contratou gente depois de mim com contrato, para outras áreas. Eu, como sou jornalista, ganho mal e a recibos, e talvez este ano tenha menos férias do que os meus colegas "para não ser igual e não desconfiarem" que eu existo ali a falso recibo verde. É tramado, sobretudo porque adoro o que faço. É contra isto que me vou manifestar no sábado.

    Já ouvi falar no microcrédito (penso que até houve um senhor que recebeu um Nobel por isso), mas na situação em que estou nunca na vida me vou endividar. Primeiro ainda tenho de descobrir como vou pagar as propinas. Como disse, tenho algumas ideias mas não tenho espírito empreendedor. Isto não é para todos, nunca nada é para todos, e tendo eu essa noção não quero correr o risco de ficar ainda pior do que aquilo que estou.
    A tua ideia do restaurante é gira, e talvez funcione nos EUA e no Reino Unido (ganha-se bem, melhor ainda com as gorjetas). Aqui trabalhas como um mouro e ganhas... mal. Para isso prefiro ficar onde estou. Há sempre aquela esperança de que a coisa vai melhorar e, enquanto isso, faço currículo na minha área.

    Por fim (não sei para que começo sempre por dizer que vou ser breve, se nunca sou), é claro que não podemos todos trabalhar naquilo que gostamos. Mas é legítimo que despertemos a classe política e a sociedade para esse problema. Nem que sirva para eles limitarem as vagas e não andarem a criar falsas esperanças nas pessoas, que "ah e tal é a educação que vos garante uma boa vida". Qualquer empregada de limpeza ganha bem mais do que eu, e sem desconto algum. É um trabalho como outro qualquer, sem dúvida, mas se eu quisesse fazer limpezas, por esta altura já podia ter uma carreira de 8 anos. Olha o dinheiro que já não tinha ganho. Poupava-me algumas desilusões e frustrações também. Se nos dizem que a educação é essencial para fazer um país andar para a frente, e no fim o que nos oferecem são trabalhos indiferenciados e mal pagos, ou na área mas a ser explorados, algo está mal e os nossos governantes têm de responder por isso, já que é o trabalho deles. Não é a minha cabeça que está debaixo da areia.

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  30. Não escrevi desde os 12. Escrevi "há 12".
    Disse que só tive um contrato de trabalho para demonstrar que não estou nem estive no conforto de quem pode apontar o dedo aos outros que não o têm.

    A vergonha dos pagamentos "estranhos" foi a suficiente para acabar com eles.

    Protestar conta a ILEGALIDADE dos falsos recibos verdes? Apoio mas acho que deves fazer mais por isso.
    TODAS as pessoas que conheço e que levaram o empregador a tribunal, ganharam e receberam indemnizações e tudo mais que lhes era devido.
    Não que eu conheça muitos casos, refiro-me a três, mas reflecte 100% de sucesso (um dos casos foi contra a Jerónimo Martins).

    Acho que podemos todos fazer as pazes. Acabo de escrever um post muito bonito e cheio de flores.
    Não é o mesmo que chocolates mas talvez ajude.

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  31. Piston, sabia que eras um fofo.
    Eu tenho contas para pagar. Vou pôr a minha empresa em tribunal e ficar sem salário, pagar a um advogado e tudo o mais que se conhece da nossa maravilhosa justiça? Não. Aqui a pobretanas tem esperança de passar a contrato. Disseram-me que seria este ano, ai que azar, vamos ver no próximo. Mas quando uma pessoa precisa, sujeita-se. Tal como um estagiário sem remuneração se sujeita a isso, na esperança de que alguém fique com ele (mesmo que não tenha ficado com os últimos 2836736282 estagiários que por lá passaram.

    Não te queria dizer nada, mas trabalhar com 14 anos é exploração infantil. Sobretudo se trabalhaste numa novela da TVI.

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  32. Ai, ai, cá vou eu.

    Sara a nossa justiça até que é maravilhosa na área Laboral. Mesmo maravilhosa. Invejável, até!

    É rápida e eficaz. Não há qualquer espaço de manobra para a entidade empregadora se não tiver cumprido a lei e respeitado os procedimentos. É que é mesmo difícil. É preciso fazer muita burrada no processo e ainda assim o Juiz intervém quando lhe apraz. Claro que há casos. Como em tudo.

    Depois, tem uma coisa chamada apoio judiciário, que, caso os seus rendimentos sejam considerados baixos, a dispensa total ou parcialmente das custas do processo (que também são pagas pela entidade empregadora se perder - logo, se pagar, o valor é-lhe restituído.) e dos honorários desses tais miseráveis advogados que vê nos filmes.

    É certinho e limpinho. Ali como o Piston referiu. São três, conheço muito mais, sem falar em todas os que me passaram pelas mãos. Também fui advogada de empresa, já vi o reverso da moeda e passei as passas do Algarve. Se passei. Sobretudo porque ali a legalidade não era o forte, ora o Juiz malhava forte e feio (E se uma ou outra vez ri por dentro, ó se ri.).

    Mas se quiser mais informações (Por favor, queira, não se fique pelas generalizações ou mitos urbanos - não sei chamar-lhe outra coisa.), passe pela Inspecção Geral do Trabalho. Ou pelo Tribunal. Informe-se. Tem lá juristas para o efeito. São impecáveis, fazem-lhe as contas todas e, pasme-se, não paga nada por isso.

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  33. Ora aí está um mundo que desconheço, Alexandra. Tem razão quando diz que generalizei, logo eu que vim aqui criticar uma generalização. Acredito que haja excepções e está bem mais por dentro do assunto do que eu. Obrigada pelas dicas.

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  34. Alexandra, sempre achei que a nossa relação tinha potencial. Já percebi que não é na parte do sexo selvagem, com muita pena minha, mas deste-me o reforço necessário.

    Sara, é aqui que entra a parte (lamento ter que repetir) em que eu acho que muita gente espera que o governo lhes entregue tudo de bandeja. Tal como a Alexandra já disse anteriormente as leis são boas e deu-nos agora a confirmação de que se o lesado apresentar queixa a justiça até funciona bem.

    Acerca dos casos que referi anteriormente, num deles o empregador teve que reatar o contrato de trabalho, passar o trabalhador a efectivo e pagar indemnização, no outro o trabalhador (que já se queria meter a andar) manteve-se em funções até à decisão do tribunal e recebeu tudo e mais alguma coisa antes de sair.

    Uma manobra deste género, no teu caso, não é obviamente livre de riscos mas alguém os tem que correr para começar a educar os patrões.

    Neste caso a única coisa que admito que o governo possa fazer é começar ele próprio por respeitar a lei em relação aos funcionários do estado.

    A manifestação de Sábado vai atingir os empregadores? Não.
    O governo que precisa de emagrecer no que toca à despesa vai contratar a manifestação toda e pagar-lhes à grande? Não vai nem pode.

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  35. http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=13786

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  36. Lamento mas não há cá sexo selvagem para ninguém. Nem para mim, infelizmente.

    Disseste tudo muito bonitinho mas estou tentada a ir à manifestação. Claro que haverá oportunidade para os extremistas, políticos e outras ordens se aproveitarem mas também cabe aos manifestantes demarcarem-se.

    Se for, vou com um belo cartaz identificando-me. Todos fizessem o mesmo.

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  37. E agora? Deixas-me sem saber o que fazer. Se tu estiveres lá eu fico a fazer o quê?

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  38. Vais à manif. Ninguém perceberá que és stalker.

    O desespero com os recibos verdes está estampado na tua cara.

    Muahahahahah!

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  39. Eu levarei um cartaz com o teu nome. Não quero cá confusões.

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  40. Pronto... aqui já não "concordo com praticamente tudo"... concordo com tudo mesmo!

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  41. Este programa está carregado de verdades. Quem quiser que oiça o que aqui se disse:
    http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/Eixo+do+Mal/2011/3/edicao-de-12-03-201113-03-2011-211352.htm

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  42. De mim para vós, com carinho:
    http://www.youtube.com/watch?v=rUIejB0kmCQ

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