2011-03-10

12/03/2011 - Manifestação para quem não faz sexo ver

Apesar de todas as incógnitas que pairam na minha mente no que toca a este protesto, vou tentar sintetizar as minhas ideias e decidir-me se me devo juntar ao mesmo ou não:

Quem vai participar:
  • Jovens que acham que o estado lhes deve um salário bom e regular só porque têm formação universitária.
  • Jovens que acham que o estado tem a obrigação de criar postos de trabalho.
  • Jovens que acham que no começo da sua vida profissional devem ganhar o suficiente para ter uma vida isenta de qualquer sacrifício material.
  • Jovens que acham que o estado têm a obrigação de fazer cumprir a legislação de modo a que haja uma redução da precariedade.
  • Todas as anteriores.
A quem se dirige:
  • Lixo deste calibre que está sempre atento às queixas dos cidadãos e que as respeita de uma forma fantástica (1:27).
  • Governo e deputados. Pessoas que vêem a política como um emprego e que estão por lá não pela honra de poder mudar o país mas sim pelo salário e por todos os benefícios negros e paralelos.
    Pessoas que não têm qualquer relação com a nossa geração.
  • Juventudes partidárias, aquelas que poderiam compreender melhor as provações dos manifestantes mas que se estão a cagar para isso porque já estão com um pé metido no sistema que lhes vai dar um salário.
  • Presidente da República, aquele que como não tem capacidade de decisão arranjou, assim do nada , a autoridade moral para "ditar" as medidas a tomar para resolver todos os problemas. A mesma pessoa que defende que as mulheres só estão desempregadas porque não querem abraçar o título "doméstica".
  • Políticos em geral. Aqueles que tanto pela idade como pelo mau aspecto não fazem sexo há muitos anos e que não deverão fazê-lo até ao dia da cova. Gente que abandonou o mundo da empatia e dos sentimentos há mais de duas décadas e que trata de tudo olhando para números.
Actividades que são alternativas viáveis e que creio que farão tanto ou ainda mais pelo país:
  • Cortar as unhas
  • Masturbar-me
  • Comer uma sandes
  • Interpretar danças tribais
  • Pensar no que quero fazer na e da vida
  • Todas as anteriores (sem lavar as mãos)
Resumindo, acho que me venceram. Tenho quase a certeza de que vai cair tudo em saco roto mas ainda assim, com o argumento de protestar contra a ilegalidade de algumas formas de contratação (os falsos recibos-verdes) e de exigir que o estado fiscalize melhor e dê o exemplo, acho que há alguma validade nesta acção.
O que me faz mais comichão é achar que haverá uma boa parte, ou até mesmo a maioria, que vai protestar porque quer a papinha toda feita, sem esforço, sem ter que lutar para além de uma passeata de uma tarde, com muito barulho e cervejas.
Causa-me alguma alergia ter que me juntar e ser confundido com gente deste gabarito.

21 comentários:

  1. É o problema das massas. Cada um tem a sua ideia e o seu propósito mas se não for em massa, não se retira nada, não é, Pistonzinho?

    Não se exalte.

    É provável que nesse dia e a essa hora esteja no ballet. Ainda não sei. Talvez vá e os comova pelo cisne.

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  2. Assim sendo já sei que tenho que estar em Lisboa mas em outra rua, atento.

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  3. Em saco roto já não cai. Pelo menos colocou a sociedade a pensar nisto. :)

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  4. Não sei se pertenço a essa geração à rasca (acho que não). O que eu sei é que não é com supostas tensões geracionais que lá vamos. Enquanto essa malta se entretêm a discutir qual a geração com mais estagiários, subcontratados, deolindos e desempregados esquecem-se do verdadeiro problema: repensar o modelo económico, social e político. E isso é responsabilidade transgeracional, não me lixem.

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  5. Maria, é pena que estejas minada de doenças e que não possas voltar.

    Insisto. É preciso mudar de dentro para fora. Com inteligência e trabalho. Não se pode esperar que os outros lutem e resolvam os problemas por nós.

    Nota:
    Lutar não é gritar como uma claque de futebol.

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  6. http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=13786

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  7. Subscrevendo praticamente tudo o que disseste, não alinho! As mesmas dúvidas e uma conclusão oposta.

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  8. Tomando o titulo como verídico: Tu és o primeiro a ver, certo?

    PS: Eu não estou sob o efeito de drogas, os comentários é que estão contra mim...

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  9. É preciso acabar com os recibos verdes ou alterar radicalemente as suas regras. É quase criminoso a sua existência nos moldes actuais.

    Os recibos verdes julgo terem sido pensados para prestações de serviços e não para receber um ordenado mensal em que depois de impostos pouco sobra.

    Aliviem as taxas de SS das empresas e flexibilizem o vinculos contratuais e a facilidade de dispensa/despedimento para acabar de vez com isto. As empresas existem para terem lucros e para isso têm de poder contratar e despedir à medida da procura e das condições do mercado. Com as indemnizações e vinculos a que ficam obrigadas com o actua CDT é normal que recorram a trabalho temporário e recibos verdes.
    Quando todos estes manifestantes estiverem do outro lado perceberão melhor.
    Isto é muito resumido e simplista mas acho que dá para ter uma ideia. Os trabalhadores sempre viram apenas os seus direitos e quase todos se esquecem dos deveres. É muito difícil ser patrão num país assim em que todos acham que não têm de trabalhar mas apenas ocupar o posto e exigir do patrão. E os especialistas em "parecer ocupado"? É uma das especialidades mais díficeis de alcançar mas há muitos bons profissionais nesta área. É vê-los "atarefados" dum lado para o outro a parecerem...

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  10. Anónimo-que-até-podia-ter-nome, compreendo e aceito perfeitamente que para os patronato, mais pequeno, com negócios bem mais modestos, isso seja um problema real.
    Não defendendo este governo, é muito fácil ditar soluções quando não se tem que lidar com consequências e quando não se conhecem os números.

    Também sugiro que acabem com os impostos, subam todos os salários e aumentem a protecção social eliminando a necessidade de contribuições.

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  11. Anónimo que podia ter nome - Luissábado, março 12, 2011 11:16:00 da manhã

    As soluções que ditei estão em prática noutros países mais desenvolvidos e mais ricos e funcionam perfeitamente não criando precariedade mais sim mobilidade e evolução. Não quero que acabem os impostos mas sim que se aliviem a que quer produzir algo e e asfixiado e ameaçado de tudo e mais alguma coisa por empregados incompetentes e sem formação. Isto e quase tudo neste país é um problema de cultura e enraizamento de certas práticas que NUNCA vão mudar. Os mais novos aprendem com os mais velhos...e não sabem nada do resto do mundo. Aceitam assim.

    Esta geração (a minha) que se diz a mais preparada e qualificada está a exagerar muito, porque muitos destes licenciados têm cursos que não interessam para nada e que o mercado de trabalho não precisa e que lhes dá uma "formação" muito limitada e apenas na área do curso e não têm experiência nenhuma em nada de importante e ficam anos focados naquela ideia e depois temos de levar com eles a tratarem-nos mal nas lojas porque não têm, e aqui sim é necessário, FORMAÇÃO para a função e orientação para a satisfação do cliente. Mas lá no bairro já são doutores e a mãe anda lá a gabar-se do filho que é formada em estudos europeus ou arqueologia ou história ou filosofia (e outros que sabes de certeza) e muitos nem falar sabem quanto mais escrever correctamente.
    O que é que fazem? Bairro Alto segurar as paredes dos prédios velhos.

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  12. Ora aí está. Países mais ricos.

    Isso faz tudo muito sentido mas a questão é que há um problema de inércia.
    Corta-se nos impostos na esperança que haja mais produção e que isso possa ser compensado. Mesmo que isso acontecesse, há um período de inércia que tem que ser pago por alguém. Quem é que mete a mão no ar?

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  13. Este programa está carregado de verdades. Quem quiser que oiça o que aqui se disse:
    http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/Eixo+do+Mal/2011/3/edicao-de-12-03-201113-03-2011-211352.htm

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  14. De mim para vós, com carinho:
    http://www.youtube.com/watch?v=rUIejB0kmCQ

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