2010-12-23

Direitos Constitucionais? Não me parece bem.


Ando um bocado farto da choraminguisse em que se tornou Portugal. Andamos rodeados de gente de merda que está à espera que tudo seja feito, entregue de bandeja e sem esforço.

Faz-me especial comichão ver a forma como a minha geração se queixa  de que está desempregada porque não há empregos na sua área de formação, como se alguém tivesse a obrigação de criar mercado para eles.

Quem tem a minha idade e é saudável só está desempregado por opção. A palavra opção quer dizer que se pode escolher entre duas coisas. Se o desemprego não for opção, aceitam o que houver.

Causa-me também uma imensa estranheza quando alguém que não tem onde cair morto se queixa do valor do ordenado mínimo enquanto um emigrante brasileiro ou de leste se sente, com o mesmo dinheiro, como se tivesse sido abençoado.


Acho que parte do problema está na Constituição.

Não creio que seja muito benéfico dar tantos direitos a uma pessoa só porque ela tem a sorte de existir.

Seguem-se alguns dos meus artigos nomeados para expulsão / alteração (aparentemente é assim que se faz tudo hoje em dia). Depois divulgo o número de valor acrescentado para onde poderão ligar.


Artigo 36.º

Família, casamento e filiação



1. Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade.

1. Todos têm direito de constituir família e a obrigação de a sustentar sem qualquer ajuda externa. Não há cá merdas de apoios do estado. O orgasmo não foi partilhado e as despesas também não o serão.


 


Artigo 38.º

Liberdade de imprensa e meios de comunicação social



1. É garantida a liberdade de imprensa.

1. É garantida a liberdade de imprensa se souber escrever e fazer perguntas inteligentes e não tiver sido submetido a cirurgias plásticas no Zé das carnes .



Artigo 42.º

Liberdade de criação cultural



1. É livre a criação intelectual, artística e científica.

1. É livre a criação intelectual, artística e científica para todo aquele que não for chamado pelos seguintes nomes:

Ana Malhoa

Tony Carreira




Artigo 45.º

Direito de reunião e de manifestação



1. Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização.

1. Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente ou com violência descontrolada desde que tenham feito alguma coisa, quando tiveram oportunidade, para alterar as condições que motivaram a manifestação. Quem é abstencionista durante os períodos eleitorais, pode ir para a puta-que-o-pariu no que toca a manifestações e greves. Votar em branco conta como expressão de opinião. Inventem outra desculpa para ficar na praia ou no sofá.



Artigo 47.º

Liberdade de escolha de profissão e acesso à função pública



1. Todos têm o direito de escolher livremente a profissão ou o género de trabalho, salvas as restrições legais impostas pelo interesse colectivo ou inerentes à sua própria capacidade.

1. Todos têm o direito de escolher livremente a profissão os tomates! Têm direito a escolher desde que não estejam a receber subsídio NENHUM. Nesse caso até podem viver num caixote e comer da latrina.



Artigo 64.º

Saúde


1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.

1. Todos os que não insistiram, durante anos a fio, em atitudes de risco para as quais estavam mais que avisados, têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover. Os outros têm direito a uma cremação, num fogareiro. Este trabalho deverá ser executado por desempregados que estejam a receber subsídio. Desempregados que estejam a receber subsídio ou rendimento mínimo garantido e em simultâneo a desenvolver uma actividade remunerada de tráfico de droga devem promover a saúde doando em vida e sem anestesia todos os órgãos que se aproveitem.

 

 


Artigo 65.º

Habitação e urbanismo



 1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.

 1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar e que permita práticas sado-masoquistas DESDE QUE SEJA SUSTENTADA COM O SEU PRÓPRIO DINHEIRO.

Quem não tiver condições de saúde para trabalhar e sustentar uma uma casa deverá  ser apoiado pelo estado. Todos os outros devem pegar na sacola e ir viver para uma gruta. Se a população de morcegos começar a diminuir é porque os novos habitantes estão carregadinhos de doenças.

14 comentários:

  1. E depois da puta da "depressão" que se apoderou de mim nos últimos dois dias (Não sou desempregada, não vivo dos rendimentos, não trabalho na minha área, mas vergo o molin), desde já te faço a devida vénia, porque me conseguiste fazer rir, e concordo com todas as alterações propostas. :o)

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  2. Se "caixa", homem?

    Tirando isso, está bom, pá! Saudades! Feliz Natal e diz-me, diz-me que já arranjaste um cão! Eu não... :-(

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  3. este "post" é do melhor que já escreveste...

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  4. Ana, resolve a depressão com açúcar e fritos. Verga a mola que só nos faz é bem.

    Ana, sem dúvida alguma. Só listei os que mais me atormentam.

    Alexandra, corrigido!
    Pá, já te disse que dou a pata?

    Ela, comovido.

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  5. Estava a demorar...
    Não. O Paulinho não está por cá.
    Quem está presente é o tipo que acha que as acções de cada um devem ter consequências, geralmente, só para o próprio.

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  6. Há acções que descreves aí que muitas vezes se reflectem, não só nos irresponsáveis que as têm, como em dependentes menores. E há coisas que 'proibirias' pensando apenas num dos lados :)
    Não sou nenhuma ultra liberal que admite tudo e libera tudo e quer dar tudo a todos porque todos são coitadinhos e vítimas da sociedade (ou seja, não sou o Louçã), até concordo com algumas coisas que escreves, mas uma generalização é uma generalização. E para mim, são erradas. Não vale a pena começar aqui uma discussão de 30 parágrafos sobre isto, até porque os doces de Natal entupiram-me até ao cérebro.

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  7. É óbvio que se reflectem em inocentes. Esse inocentes têm que ser retirados das mãos dos irresponsáveis. Não se pode continuar a incentivar o comportamento dos pais dos mesmos.

    Isto vai correndo tudo bem enquanto o estado tiver -10 e ainda assim conseguir dar (e não emprestar) 100.

    Não vai durar muito mais tempo.

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  8. Não concordo. Não vamos tirar filhos a pais por tudo e por nada, até porque a alternativa não é propriamente boa e costuma produzir maus resultados... Lembra-te que o João Pedro Pais esteve na casa pia.

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  9. Falando muito a sério:

    - Não me importo de ficar rotulado com de direita ou de esquerda. Não voto em cores voto em pessoas.
    - http://opistoneacabecadohomem.blogspot.com/2010/07/consequencias-adverto-para-eventual.html

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  10. Ok, vamos falar a sério. Eu importo-me de ser rotulada. Tenho um amigo que insiste em rotular-me quando digo que acho muito bem que os pedintes romenos ilegais sejam recambiados de volta ao seu ponto de origem. Ainda por cima com um cheque no bolso, o que é fantástico. Se eu fizesse o mesmo davam-me um chuto no cu. E por causa disto fui logo rotulada e não é difícil de adivinhar para que lado. O meu comentário sobre o Paulo Portas não foi para te atirar para a direita dos aleluias, mas apenas porque o fim do RSI e de subsídios vários tem sido o trunfo eleitoral do Paulinho das feiras. E eu acho que é demagógico. Não acho bem que haja famílias a ter filhos de propósito para aumentar o RSI (existem, conheço relatos).
    Caramba, também sou contribuinte, tirei um curso superior, continuo a estudar, trabalho 8h por dia e ganho 480€ a recibos verdes. Achas que concordo que haja quem ganha o mesmo sem se mexer?

    Mas há coisas que referiste no teu post que para mim não podem ser generalizadas. Há de facto quem tenha um azar uma vez na vida. Há casos em que serão inocentes a pagar a factura. E não acho que a melhor solução seja começar a atirar miúdos para lares de acolhimento que, muitos deles, são o que sabemos. E não acho que uma pessoa a receber um subsídio de desemprego, imaginemos, de 700€, e para o qual andou a descontar, tenha de aceitar o primeiro emprego que lhe oferecem a ganhar o salário mínimo, quando isso se calhar não chega para sustentar uma família construída durante outros tempos. Não temos de ser radicais. Indigna-me mais saber que se toda a gente pagasse os impostos que devia, este ano não teríamos défice.

    RESUMINDO (podes saltar as 300 linhas acima, é o que faço sempre que encontro esta palavra): concordo com algumas coisas, mas não posso concordar com tudo.

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  11. Certo. Não digo que tenham que aceitar o primeiro emprego oferecido e muito menos um cuja remuneração seja inferior ao salário que recebiam na actividade anterior mas... acho que estamos de acordo.

    O que quero dizer é que os ladrões são muitos e que há que começar a mandar uns por terra.

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  12. não sei por que valores te moves não me interessa de todo no entanto ten alguma razão em alguns pontos, um pouco radical noutros, mas só assim podemos progredir a refletir sem drama sem violencia.
    fico aseguir à espera de mais ok.

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