2008-12-13

Justiça Tuga

É uma obrigação quase legal de todos os portugueses a demonstração constante de indignação. O tuga, essa raça que devia ser abatida por esmagamento dos membros, nem sequer tem capacidade de se indignar por inteligência própria. O tuga papagueia o que ouve na televisão.

Na quarta-feira, creio eu, cheguei a casa a más horas e liguei a televisão. Tive a grande sorte de apanhar na mesa de uma qualquer gala, José Eduardo Moniz e sua esposa. Este grande director de programas sai-se com algo semelhante a isto:
- Podem ligar para este número à vontade. O vosso dinheiro será bem entregue, não é para salvar nenhum banco.

A esposa da criatura demora algum tempo simulando uma expressão de intriga, como se estivesse a apreender o conteúdo de piada tão profunda, e depois começa a bater palmas e a libertar sonoras gargalhadas.

É a indignação do momento: o BPP.

Aparentemente todos os que são ricos enriqueceram porque são vigaristas, não há quem o tenha conseguido por sorte ou por ter trabalhado bem (a sorte também deve ser crime).
Aparentemente, as pessoas que são multimilionárias por mérito, têm a obrigação de sustentar o país no meio de uma crise. Não têm direito a ter o fruto do seu trabalho salvaguardado.
Aparentemente, embora o tuga não seja propriamente um entendido em economia de grande escala, como aprendeu a dizer "já chegou à economia real" acha que faz a mais pequena ideia das consequências que pode ter o fecho de um banco tão pequeno quanto o BPP.
Aparentemente ninguém ouviu aquela parte em que se diz que "o banco de Portugal não deu os fundos pedidos pelo BPP mas arranjou uma alternativa usando o dinheiro dos outros bancos".
Aparentemente o tuga acha que o estado depois ter dito que ia apoiar os bancos que pedissem ajuda pode, de repente, discriminar e dar o apoio dependendo do tipo de clientes que esse mesmo banco tem.
Aparentemente o tuga não percebe que quem lhes dá emprego são alguns dos clientes do BPP...

Aparentemente o tuga NÃO PENSA, limita-se a repetir tudo o que ouve.
Aparentemente o tuga devia levar com uma barra de ferro nos rins até que a mesma formasse um pentágono / partisse (não importa o que acontece primeiro desde que doa muito no processo).

Nota: É que nem se atrevam a dizer que sou rico. Peço-vos logo um empréstimo para comprar uma pastilha elástica.

4 comentários:

  1. A malta não já não pensa:
    - primeiro andam todos meio anestesiados, a politica dos 3 F’s (Fado, futebol e Fátima) continua actual;
    - segundo porque começam a sair das escolas as “vítimas”(???) das estatísticas de sucesso. Estas estatísticas que só agora foram oficialmente impostas pelo ministério da educação já há muito se praticam nas escolas (quem assiste às reuniões sabe do que falo).

    Sobre os “ricos”, é verdade que há a ideia generalizada que “ninguém sobe ao céu sem escadas”, mas como infelizmente assistimos a tanta “podridão”, também aqui paga o justo pelo pecador.
    Não tenho qq vocação para ser “patroa” e ainda bem que há quem tenha.
    No meu caso, ainda bem que o meu patrão rico (e atenção não digo rico patrão) teve a coragem de “atravessar” o seu capital. Somos cerca de 50 pessoas a depender da capacidade de gestão dele e do nosso trabalho, naturalmente.
    Mas não somos de Lisboa e não temos relações com o poder político, as coisas estão complicadas (não digo isto de animo leve - friso esta questão porque como sou brincalhona podem não me levar a sério), se fecharmos (possibilidade eminente) não há quem venha salvaguardar o fruto do nosso trabalho, do dele e do capital que aqui enterrou.

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  2. CO, convenhamos que se podem tentar salvar alguns, nunca todos. A relevância da vossa empresa, em termos práticos será baixa (ainda que para vocês não o seja).

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