2014-10-09

Excalibur

Perturba-me que uma parte considerável (ou pelo menos muito visível) das pessoas que defendem ferozmente os direitos dos animais tenha um coração tão grande e um número de neurónios tão pequeno.
É infeliz que uma causa tão nobre seja defendida com argumentação tão acéfala, especialmente quando há argumentos válidos disponíveis.

Excalibur deveria estar vivo por várias razões:
  1. É um caso único até à data
  2. Não se sabia se estava efectivamente infectado
  3. Seria uma oportunidade de aprender um pouco mais acerca da possibilidade de contágio homem -> cão e cão -> homem
Alegar que "se calhar também deveriam abater o namorado da enfermeira porque também teve contacto com ela" é uma tirada pseudo-irónica produzida por calhaus que nasceram roxos, com o cordão umbilical à volta do pescoço. Segurem esse fio de baba, por favor.

Os nossos animais de estimação, aqueles com os quais criamos uma relação afectiva, podem ter um valor superior ao de um humano que não gostamos ou até mesmo ao de um que desconhecemos. Há pessoas que deixaria morrer sem pestanejar se isso pudesse ressuscitar o meu falecido cão. Posto isto, um humano é um humano, um animal de estimação é um animal de estimação.
Não creio que o sistema nacional de saúde espanhol (ou de qualquer outro país) tenha dotado parte do orçamento ao tratamento de qualquer maleita canina. Isto leva-me ao ponto 1: por ser um caso único, talvez fosse possível lidar com ele de outra maneira. Se esta situação se tornar uma real pandemia, caberá na cabeça de alguém que todos os animais de estimação sejam colocados em quarentena? Quem fará esse trabalho? As clínicas privadas?
Desejo boa sorte àqueles que tentarem convencer a direcção das mesmas que devem tratar gratuitamente animais durante uma situação de emergência quando não o fazem no rotineiro dia-a-dia, quando tudo está calmo e quando não há uma crise mundial.

2014-09-13

The real deal

Já alguma vez nadaram num mar ou rio cuja água não era muito aconselhável e ao sairem ficaram com uma espécie de bigode de algas ou lodo?

2014-08-22

The sperm bucket challenge

O número de participantes diminuiria bastante mas os donativos aumentariam exponencialmente.

2014-08-17

Pérolas a porcos

Revejam o post anterior, verifiquem o autor da letra, oiçam o refrão da música.

Vocês envergonham-me.

2014-08-08

2014-06-26

Ainda bem que Portugal não passou

Não, este post nada tem a ver com a prestação de Portugal no Mundial de 2014. Este post é um lamento público pelo facto da Controlinveste ter despedido neste mesmo mês 140 trabalhadores e por nenhum deles ser o jornalista João Ricardo Pateiro.

Quem seguiu o Portugal vs Gana pela TSF sabe que o país foi submetido a mais um relato feito por um jornalista com um caso muito grave de Badarozice.

Este é um profissional que CANTA canções famosas quando um jogador marca um golo, com a letra alterada, de forma a que sejam dedicadas ao mesmo. Note-se que isto não é um improviso do momento nem um rasgo de criatividade fruto da emoção, isto é pensado e bem pensado. Um dia fê-lo de forma espontânea, ganhou um prémio por isso e passou a achar que era um verdadeiro artista.

Para além de ter repetido cerca de 10 vezes a piadola "Onde é que a bola pincha? É no estádio Mané Garrincha!" também nos brindou com esta merda e ainda esta (entretanto o jogo continua e o ouvinte não sabe um boi do que se passa porque o batatinha tem que prosseguir com o seu plano para dominar o festival da canção).

Grau 10 na escala de vergonha alheia.

2014-06-24

Last Week Tonight with John Oliver

Para quem gosta do Daily Show e do John Stewart, este programa é obrigatório.
A linha seguida e os temas abordados são muito semelhantes mas a violência com que são tratados é consideravelmente maior.
Ao iniciar o visionamento do último programa deparei-me com uma pequena surpresa:




2014-06-20

760 227 872

Estava convencido que levar uma pazada no meio dos olhos seria o suficiente para atordoar a erecção cristianica que invadiu Portugal. Enganei-me.

A comunicação social continua a bombardear-nos com "o melhor do mundo" e todas as variações possíveis e imaginárias do Camões dos relvados, aquele que vai nadar com a equipa numa das mãos.

Dá para parar com isto? Dá para aprender com o ridículo que ficou lá atrás, campeonato após campeonato, e parar de tratar a selecção como o Ronaldo e mais 10 gajos? É que não só é irritante e ofensivo como já se viu que o miúdo não faz rigorosamente nada de jeito se não for convenientemente servido.

Se as televisões quiserem fazer alguma coisa útil pela nação, tratem de criar uma linha 760 cujo número seja repetido até à exaustão e cujo prémio seja castrar o Pepe com direito a emissão em directo no canal Panda. O ecrã do meu telemóvel ficaria rapidamente gasto. Faço tudo pela formação dos mais pequenos (e para castigar os mais estúpidos).

2014-06-17

Creio que os portugueses necessitam que venha aqui um tipo que não percebe nada de bola ajudar a clarificar ideias. Não têm quê.

É certo que Portugal estava altamente descoordenado e que mal conseguia trocar a bola sem fazer merda mas, ainda assim, mesmo depois do penalti-no-qual-pepe-se-chegou-tanto-ao-árbitro-que-devia-ter-logo-levado-um-amarelo, Portugal estava a conseguir manter um jogo equilibrado. Não estavam a criar grandes situações de perigo mas o inverso também era verdade.

Quanto ao Pepe, uma besta amplamente documentada, tem que perceber que por muito que o seu toque de cabeça tenha sido suave foi completamente despropositado e passível de ser visto de forma bem diferente. Mas não nos enganemos: não tivesse sido expulso naquela altura, sê-lo-ia noutra qualquer. Este tipo deveria ser disciplinado com choques eléctricos no escroto.

Daí para diante estávamos bem condenados mas eu vi uma equipa atabalhoada mas que mesmo com 10 jogadores continuou a chegar à baliza adversária com pouca capacidade mas com vontade de fazer alguma coisa. Foi só na minha televisão que este jogo passou? Esta ambição não é louvável?

Seria injusto não referir que o Rui Patrício deveria ser atropelado e deixado numa valeta.

Ontem lembrei-me porque é que não gosto de assistir a jogos com companhia: a maioria das pessoas é um cata-vento opinativo e com uma cegueira parcial toupeiresca.

2014-05-22

Cunnilingus 180

Aqui há uns tempos, enquanto me passeava pela blogosfera, deparei-me com este post que li com bastante interesse.
Sorvida a informação produzida pela autora, decidi dedicar-me aos comentadores, fonte inesgotável de entretenimento.

Um dos comentadores, com um claro distúrbio de personalidade que poderá fazer com que se assemelhe a um pombo, achou que uma manobra de engate válida seria anunciar que adorava proporcionar gratificação horal. O estimado leitor prepara-se para alertar-me para um erro ortográfico escandaloso? Aguarde.

Este Dom Juan com muito jeito para o amor mas com pouco apego à verdade diz que já protagonizou cunnilingus com duração de dois jogos de futebol. Isso mesmo. Três horas de trabalho contínuo que produziu 4 orgasmos.

Vamos assumir por momentos, com muito esforço, que este super-homem papilar tinha a capacidade de manter a execução de tal tarefa durante a anunciada eternidade:
  • Há alguma mulher que tenha tanto tempo disponível e disposição para tal?
  • Não vos parece que a taxa de sucesso é muito reduzida tendo em conta o tempo aplicado?
  • Seriam os gritos erradamente interpretados como orgasmos quando na verdade a senhora estava a tentar expressar desagrado pelo acto que terminou com lambidelas do apêndice xifóide?

2014-05-21

Final da Liga em Lisboa, prostituição lotada.

Ignorando o título e mudando completamente de assunto, alguém percebe a última escolha da TVI para fazer de menina do 760?

2014-04-10

Postas e Fernando Alves

Convencido de que iria embarcar em mais uma jornada de conhecimento e auto-descoberta, entrei no Minipreço para comprar laranjas.
Recolhido o produto que me levou àquele santuário de meditação, deparo-me com uma gigantesca fila que em alguns minutos foi partida em duas, aquando da abertura de uma nova caixa.
Como se a espera não fosse suficiente, à minha frente estava uma vagarosa idosa, com a qual já me havia cruzado, cuja cabeça havia tido um encontro romântico com uma cisterna de laca.

O empregado que veio a assumir os comandos da nova linha de produção de bips era o mesmo que já havia travado conhecimento com tal senhora, encontro esse que havia presenciado. A conversa que tinha agora  continuação prendia-se com o facto da senhora querer saber se a embalagem de "tranches de pescada" estaria abrangida pelo talão de desconto que prometia o pagamento de menos 25% em "postas de pescada".
O pobre funcionário, que julgava anteriormente ter conseguido chutar o problema para quem estivesse a trabalhar nas linhas de caixa, deparou-se com um problema que não sabia resolver e para o qual teve que pedir ajuda de uma colega:

- Ó Kátia Vanessa, tranches e postas é a mesma coisa? Blablabla desconto?

Enquanto aquele episódio de consultoria semântico-piscícola não chegava ao seu termo, lembrei-me de Fernando Alves, jornalista da TSF que me conquistou de alguns meses a esta parte.
Na crónica diária que assina na mesma rádio, Fernando Alves começou por tocar no meu nervo da irritação projectando-se na minha mente como um peneirento com a pretensão de passar por grande filósofo. O tempo e os encontros radiofónicos ocasionais vieram a fazer com que me apaixonasse pela forma poética como declama o presente e pela forma como faz um malabarismo de diversos temas e referências em poucos minutos de emissão. Passei a segui-lo religiosamente, dentro do que me é ateiamente possível.

Não sendo garantido que todas as edições me tenham gerado alguma comichão mental, a maior parte conseguiu tal feito. Ao fazer as pesquisas que achei necessárias para redigir este post descobri que este espaço que tanto prazer me tem dado existe desde 1995. Há quase 20 anos que este homem partilha connosco diariamente a forma como vê o mundo. É muito tempo.

Para aqueles que estão a esta altura completamente desiludidos por terem lido um texto que brotou das minhas patas sem uma sequer referência à Maddie, à Casa dos Segredos ou à Manuela Moura Guedes, aqui vos deixo um prémio de consolação que, não sendo uma referência do tom habitual, é um excelente exemplo da elasticidade das palavras e do encadeamento de ideias que se pode esperar deste jornalista.

Quanto às postas de pescada, essas nunca chegaram a fazer o checkout do supermercado.