2017-04-12

Rorschach facial

A pergunta e resposta que se seguem servem-me como um fiel e necessário teste de personalidades. Depois de lançá-las aguardo e observo.
A reacção expectável ao interiorizar a beleza do que acaba de ser desvendado expressa-se facialmente através de um esgar de nojo misturado com um sorriso nervoso.

O meu respeito pelas pessoas é inversamente proporcional aos gramas de nojo que são adicionadas à mescla de sentimentos demonstrados.

  Como é que se deve colocar um bébé numa trituradora?
  Com os pezinhos primeiro, para ver as caretas que ele faz.

2017-03-20

Interagindo com os leitores

Nas raras ocasiões nas quais troquei mensagens no Facebook tive o prazer de conhecer o "Miguel" (nome que de facto é real, sendo dispensável o uso de aspas).
Não sei qual foi o gatilho para tais declarações de amor mas, sendo membro de uma claque de futebol, é possível que não tivesse alguma namorada à mão para espancar num dia de derrota.










 É possível que o anexo que ele não recebeu fosse um subproduto da minha existência.

2017-03-19

Afundanço epidérmico

É possível aferir a condição física de uma pessoa através da medição da profundidade da cicatriz da BCG.

2017-03-18

Brunch

Para um camionista é um almoço que começou mais cedo de forma a permitir o enchimento do bandulho durante mais tempo.
Para as pessoas requintadas é um brunch.

São igualmente alarves.

2017-03-07

Mercalli marca XII

Às vezes quando me levanto da sanita fico na dúvida se defequei ou se aquilo é fruto de uma derrocada.

2017-03-06

O Viking, a Mónica e eu.

Há mais de uma década que várias amigas revelam um fascínio incompreensível pelos shows de strip no Viking e que me querem lá levar apesar de não demonstrar qualquer interesse no tema.
No Sábado vi o evento pela segunda vez e posso dizer-vos que nunca temi tanto pela minha integridade física.

Mónica, a sucessora de Fabiana, selecciona todas as noites duas vítimas com as quais interage fisicamente, uma por cada espectáculo.
Por me encontrar sentado mesmo junto ao palco (e ainda sem saber o quão mau seria o que se seguiria), movia-me lentamente, como quem tenta não chamar a atenção de um predador.

O escolhido foi um rapaz novinho, muito sossegado, que não ostentava o mais pequeno indício de fanfarronice.
Mónica puxou-o para o palco, muito contra a vontade do próprio, que cedeu à pressão dos amigos e à imposição física da striper, dando início a cerca de 10 minutos de tortura.

Começou por ordenar (acreditem que é o verbo correcto) que ele lhe desse palmadas no rabo. Face ao fraco desempenho do moço, Mónica foi gritando com ele até que o espancamento do seu traseiro atingisse a violência necessária.
Em seguida fez com que um muito imberbe ser lhe tocasse em todas as partes íntimas do corpo, havendo direito (obrigação) a contacto com vagina desnudada e a sua cara.
Apesar da Mónica ter colocado as mãos entre a genitália e a vítima, pareceu-me pouco diplomático.

A caganita-de-cabra no topo do bolo-de-terra foi quando Mónica decidiu inverter os papéis.
Posicionou o menino num ângulo de 90 graus, agarrado ao varão, e vá de lhe aviar no rabo com um cinto de cabedal. Foram três vergastadas, bem espaçadas, de forma a permitir que o terror crescesse dentro de si.

Não deixem de lá levar todos os vossos colegas de trabalho mais irritantes.

2017-02-28

Misantropia: A verdadeira solução final.

Para mim 2016 não foi especialmente mau por causa das diversas mortes de personalidades famosas.
O que verdadeiramente me deitou abaixo neste ano e que me causou dores mais lancinantes do que puxar uma hemorróida até que ela dê uma volta completa à perna, foi a aceleração da estupidificação e infantilização da população mundial.

Trump
Uma criança carregada de testosterona com um número de seguidores que ascende a várias dezenas de milhões, ganhou as eleições tornando-se no homem mais poderoso do Mundo.
Quando um homem destes quer gelado ou um chupa-chupa, não importa se tem que ir buscá-lo com um tanque de guerra, ele irá.
Para quem acha que o que se passa do lado de lá do atlântico é um problema dos outros, que está lá longe, que nada disto se passaria na Europa ou em Portugal, deixo-vos alguns nomes de pessoas de conduta altamente duvidosa que, ainda assim, contaram ou contam com apoio muito vocal da fauna local:
  • Vladimir Putin
  • Sílvio Berlusconi
  • Recep Erdoğan
  • Viktor Orbán
  • Nicolas Sarkozy
  • José Sócrates
Pretos, monhés, imigrantes mais morenos e mulheres viram em Trump, se estiveram atentos, que é possível dizer tudo o que há de errado e repugnante no que toca ao tratamento do ser humano e, mesmo assim, continuar a cativar mais apoiantes.

Jornalismo
Está ligado à máquina e luta desesperadamente para sobreviver.
Sou bombardeado diariamente por pop-ups com notícias que não o são, que terminam com um ponto de interrogação fazendo lembrar um anzol que quer integrar-se no meu escroto para que em seguida me possa arrastar para dentro dos seus sites, obrigando-me a clicar em todo o tipo de publicidade.
Os jornalistas são agora meros agregadores de coisas "que estão a incendiar as redes sociais" ou que estão a "comover o Mundo".
Estes ex-profissionais promovem agora, sem qualquer sentido do ridículo, os "fact-checkers" (verificadores de factos), não se apercebendo que esta é a perfeita definição daquilo que deveria ser a sua função primordial.

Redes Sociais
São em simultâneo uma bênção digital e um punhal na sensibilidade de quem gosta de lidar com pessoas inteligentes.
As redes sociais dão-nos o desagradável privilégio de conhecer todas as pessoas como se estivessem severamente embriagadas, revelando quase tudo o que não têm coragem para expressar na sua convivência física.
Apesar deste benefício de grande valor, sinto cada vez mais uma alergia a esses espaço.

Para os leitores que começaram a seguir este blog apenas pelo título do mesmo, deixo aqui uma frase que certamente vos ocupará a mente durante muitas horas:
Cócó, xixi.

2016-06-26

Pilosidade sinalética

Não sei em que estudo científico se baseia a ideia de que remover um pêlo de um sinal pode enviar uma SMS ao cancro para que ele se aloje no corpo do hospedeiro, mas estou convencido que se trata apenas de medicina fantasiosa.
Se não querem arrancar ou passar uma lâmina pelo pêlo que escolheu um sinal para sua residência oficial, pelo menos cortem essa merda com uma tesoura.
A ausência de cuidados nas zonas arborizadas do corpo é tão repugnante como ouvir a mãe do Cristiano Ronaldo a ser entrevistada como se a genética ascendente fosse alguma propriedade de validação intelectual.

2016-06-20

7 segundos de Conde de Redondo

Desço a rua Conde de Redondo às tantas da madrugada quando avisto a uns escassos 50 metros, no sentido da minha marcha, uma mulher a agredir um homem enquanto grita histericamente.
Nos poucos segundos que me restavam antes de ter que passar por eles, enumero as hipóteses de acção que tenho à minha disposição:
  • Atravesso a estrada para mudar de passeio
  • Passo por eles tentando evitar levar estilhaços de discussão
  • Passo por eles e intervenho de alguma forma
Pergunto-me "What would Conceição Lino do?" e de forma instantânea perco a consciência naquilo que se suspeita que tenha sido um choque anafilático induzido por extrema alergia a tretas e moralismo de merda.
Quando retomo os sentidos e recupero o controlo do meu corpo que naquele momento já se encontrava a escassos milímetros de afagar o pavimento, a mulher atira ao homem uma pedra da calçada, falhando o alvo, e estilhaçando a montra de uma lavandaria.
Os gritos param durante cerca de 1 segundo dando-me a noção de que todo aquele descontrolo é completamente insanável a menos que haja a necessidade de formular um plano de fuga para evitar despesas.
Tomada que está a decisão de que é imperativo que se afastem do local antes que chegue a polícia mas sem dar parte fraca porque neste momento já há muito público a assistir nas janelas, a gritaria recomeça e preparam-se lentamente para atravessar a estrada mas não sem que antes o homem começasse a sua participação na peça de teatro, dando um pontapé nas costas da mulher, como quem arromba uma porta.

Oiço novamente a música do Carlão e do Boss AC e recorro a um pouco de fezes de cão para tapar os canais auditivos, recuperando assim algum conforto.
O que faço? Enfrento um gajo consideravelmente maior do que eu para pôr termo à agressão arriscando tornar-me num muito provável saco de pancada para dois ou ignoro o que se está a passar?
Não tive que esperar tempo algum pela resposta porque a mulher não se protege, não se afasta, nem de forma momentânea e reflexiva. Volta de imediato a dar tudo o que tem contra um gajo 30cm mais alto do que ela. Como não há muito que possa fazer contra a ausência de instintos de auto-preservação, mesmo que haja uma dependência emocional ou financeira, decido passar por eles e telefonar à polícia um pouco adiante, muito mais pelos danos na lavandaria do que pelo convívio sadomasoquista.

(E sim, estou bastante convencido que assisti a uma disputa que só poderia ser mediada pela ACT.)

2016-06-19

Todo patriótico

Tirando no dia a dia das suas operações comerciais normais nas quais espremem os produtores nacionais até ao tutano, o Continente está sempre ao lado dos portugueses e da nação.

Recebi há dias como oferta juntamente com as compras que encomendei, um canecão semelhante aos que os alemães usam para beber cerveja, com a cruz de Cristo, o símbolo que continua a ser apropriado para representar o nosso país, para me estimular o espírito patriótico de apoio à selecção nacional.


Comunhão entre religiões em Orlando

Deus ficou bastante desapontado com os seus fieis. Ninguém gosta de ver um trabalho bem feito, com rigor e bom gosto, a ser executado por um elemento da equipa contrária.


Mas nem tudo foi mau em Orlando.
O sacrifício foi muito grande e perderam-se muitas vidas, é certo, mas foi com muito gosto que presenciei um silêncio ensurdecedor nas redes sociais.
Muitos dos meus "amigos" que foram Charlie e Bataclan não encontraram o botão que faria deles Orlando. É claro que chapar um filtro numa foto é uma merda irrelevante, mas não fazê-lo, quando se tem um historial de falsa indignação e de populismo rameiro, quer dizer alguma coisa.
Charlie? Liberdade de expressão? Sim por favor, desde que isso não descambe em panascaria.

2016-06-18

10 coisas que me andam a foder a cabeça na internet e na vida em geral

10 - Listas numeradas, elaboradas por um qualquer aborto com acesso ao Google e com uma experiência de vida equiparável à de um periquito numa gaiola, que assim são estruturadas para nos atrair, apanhando-nos pelo garrote da preguiça intelectual.

9 - Todas as formas de caça ao clique que estão espalhadas na presença nas redes sociais de qualquer ex-organização jornalística (Expresso, Telegraph, SIC Notícias, Diário de Notícias, CNN) que cederam à mediocridade dos seus hipotéticos leitores, passando a adoptar a linha editorial do Tá Bonito.

8 - O baixo preço dos serviços de acesso à internet que permite que tanta gente com ausência de ideias próprias regurgite, de forma impune, toda a repulsa que tem por si própria na forma de comentários irados por tudo e por nada.

7 - A Conceição Lino.

6 - Fotografias espalha-felicidade.
Quando me esfregam fotografias com paisagens paradisíacas, gastronomia colorida e amores-perfeitos (não me refiro à flora), à parte de perceber que há ali uma projecção considerável de falta de auto-estima, sinto em mim o forte desejo de que aquele cenário seja varrido por um bando de sem-abrigo com os dentes falhados e muitas metanfetaminas no bucho.

5 - O politicamente correcto que o é e outras vezes o deixa de ser só para que pareça bem de uma forma rebelde mas mesmo assim bacoca.

4 - Títulos enganosos.

2016-03-14

A importância da atribuição de massa à consternação

Penso muito pouco de quem transmite a sua tristeza à família ou ao próprio morto utilizando para isso as caixas de comentários dos jornais. É por isso que ler com tanta frequência a palavra "pesamos" é uma forma de conforto e de validação do meu juízo.

2016-03-13

Terapia

É sempre doloroso desenvolver interesse por uma mulher e ter que aniquilar os sentimentos ao tomar conhecimento de que pratica yoga, pois será diminuta probabilidade de não ser maluca.

Ao ler a edição de Sexta-feira do reputado jornal "Metro" dei com um artigo acerca da terapia do riso.
De imediato perguntei-me quem será mais perturbado: quem faz terapia do riso ou quem pratica yoga.
Vem de lá a realidade e exclama:
- Tens a mania que és esperto meu palhaço?