2016-06-26

Pilosidade sinalética

Não sei em que estudo científico se baseia a ideia de que remover um pêlo de um sinal pode enviar uma SMS ao cancro para que ele se aloje no corpo do hospedeiro, mas estou convencido que se trata apenas de medicina fantasiosa.
Se não querem arrancar ou passar uma lâmina pelo pêlo que escolheu um sinal para sua residência oficial, pelo menos cortem essa merda com uma tesoura.
A ausência de cuidados nas zonas arborizadas do corpo é tão repugnante como ouvir a mãe do Cristiano Ronaldo a ser entrevistada como se a genética ascendente fosse alguma propriedade de validação intelectual.

2016-06-20

7 segundos de Conde de Redondo

Desço a rua Conde de Redondo às tantas da madrugada quando avisto a uns escassos 50 metros, no sentido da minha marcha, uma mulher a agredir um homem enquanto grita histericamente.
Nos poucos segundos que me restavam antes de ter que passar por eles, enumero as hipóteses de acção que tenho à minha disposição:
  • Atravesso a estrada para mudar de passeio
  • Passo por eles tentando evitar levar estilhaços de discussão
  • Passo por eles e intervenho de alguma forma
Pergunto-me "What would Conceição Lino do?" e de forma instantânea perco a consciência naquilo que se suspeita que tenha sido um choque anafilático induzido por extrema alergia a tretas e moralismo de merda.
Quando retomo os sentidos e recupero o controlo do meu corpo que naquele momento já se encontrava a escassos milímetros de afagar o pavimento, a mulher atira ao homem uma pedra da calçada, falhando o alvo, e estilhaçando a montra de uma lavandaria.
Os gritos param durante cerca de 1 segundo dando-me a noção de que todo aquele descontrolo é completamente insanável a menos que haja a necessidade de formular um plano de fuga para evitar despesas.
Tomada que está a decisão de que é imperativo que se afastem do local antes que chegue a polícia mas sem dar parte fraca porque neste momento já há muito público a assistir nas janelas, a gritaria recomeça e preparam-se lentamente para atravessar a estrada mas não sem que antes o homem começasse a sua participação na peça de teatro, dando um pontapé nas costas da mulher, como quem arromba uma porta.

Oiço novamente a música do Carlão e do Boss AC e recorro a um pouco de fezes de cão para tapar os canais auditivos, recuperando assim algum conforto.
O que faço? Enfrento um gajo consideravelmente maior do que eu para pôr termo à agressão arriscando tornar-me num muito provável saco de pancada para dois ou ignoro o que se está a passar?
Não tive que esperar tempo algum pela resposta porque a mulher não se protege, não se afasta, nem de forma momentânea e reflexiva. Volta de imediato a dar tudo o que tem contra um gajo 30cm mais alto do que ela. Como não há muito que possa fazer contra a ausência de instintos de auto-preservação, mesmo que haja uma dependência emocional ou financeira, decido passar por eles e telefonar à polícia um pouco adiante, muito mais pelos danos na lavandaria do que pelo convívio sadomasoquista.

(E sim, estou bastante convencido que assisti a uma disputa que só poderia ser mediada pela ACT.)

2016-06-19

Todo patriótico

Tirando no dia a dia das suas operações comerciais normais nas quais espremem os produtores nacionais até ao tutano, o Continente está sempre ao lado dos portugueses e da nação.

Recebi há dias como oferta juntamente com as compras que encomendei, um canecão semelhante aos que os alemães usam para beber cerveja, com a cruz de Cristo, o símbolo que continua a ser apropriado para representar o nosso país, para me estimular o espírito patriótico de apoio à selecção nacional.


Comunhão entre religiões em Orlando

Deus ficou bastante desapontado com os seus fieis. Ninguém gosta de ver um trabalho bem feito, com rigor e bom gosto, a ser executado por um elemento da equipa contrária.


Mas nem tudo foi mau em Orlando.
O sacrifício foi muito grande e perderam-se muitas vidas, é certo, mas foi com muito gosto que presenciei um silêncio ensurdecedor nas redes sociais.
Muitos dos meus "amigos" que foram Charlie e Bataclan não encontraram o botão que faria deles Orlando. É claro que chapar um filtro numa foto é uma merda irrelevante, mas não fazê-lo, quando se tem um historial de falsa indignação e de populismo rameiro, quer dizer alguma coisa.
Charlie? Liberdade de expressão? Sim por favor, desde que isso não descambe em panascaria.

2016-06-18

10 coisas que me andam a foder a cabeça na internet e na vida em geral

10 - Listas numeradas, elaboradas por um qualquer aborto com acesso ao Google e com uma experiência de vida equiparável à de um periquito numa gaiola, que assim são estruturadas para nos atrair, apanhando-nos pelo garrote da preguiça intelectual.

9 - Todas as formas de caça ao clique que estão espalhadas na presença nas redes sociais de qualquer ex-organização jornalística (Expresso, Telegraph, SIC Notícias, Diário de Notícias, CNN) que cederam à mediocridade dos seus hipotéticos leitores, passando a adoptar a linha editorial do Tá Bonito.

8 - O baixo preço dos serviços de acesso à internet que permite que tanta gente com ausência de ideias próprias regurgite, de forma impune, toda a repulsa que tem por si própria na forma de comentários irados por tudo e por nada.

7 - A Conceição Lino.

6 - Fotografias espalha-felicidade.
Quando me esfregam fotografias com paisagens paradisíacas, gastronomia colorida e amores-perfeitos (não me refiro à flora), à parte de perceber que há ali uma projecção considerável de falta de auto-estima, sinto em mim o forte desejo de que aquele cenário seja varrido por um bando de sem-abrigo com os dentes falhados e muitas metanfetaminas no bucho.

5 - O politicamente correcto que o é e outras vezes o deixa de ser só para que pareça bem de uma forma rebelde mas mesmo assim bacoca.

4 - Títulos enganosos.

2016-03-14

A importância da atribuição de massa à consternação

Penso muito pouco de quem transmite a sua tristeza à família ou ao próprio morto utilizando para isso as caixas de comentários dos jornais. É por isso que ler com tanta frequência a palavra "pesamos" é uma forma de conforto e de validação do meu juízo.

2016-03-13

Terapia

É sempre doloroso desenvolver interesse por uma mulher e ter que aniquilar os sentimentos ao tomar conhecimento de que pratica yoga, pois será diminuta probabilidade de não ser maluca.

Ao ler a edição de Sexta-feira do reputado jornal "Metro" dei com um artigo acerca da terapia do riso.
De imediato perguntei-me quem será mais perturbado: quem faz terapia do riso ou quem pratica yoga.
Vem de lá a realidade e exclama:
- Tens a mania que és esperto meu palhaço?


2016-03-08

Salvador Martinha

Salvador Martinha tinha uma rubrica muito boa na RFM intitulada "Pensa Rápido".
No Verão passado ouvi dezenas de edições e fiquei a gostar bastante do tipo de humor do moço, proporcionou-me muitas horas divertidas de viagem.

A rubrica deixou de ser confortavelmente gravada e passou a ser feita em directo com os animadores da RFM.
Para quem não conhece estes profissionais passo a informar que eles são como sapatos de betão usados por um nadador olímpico, são a diarreia explosiva que surge no instante após termos tomado banho, são o zoom-out que é feito no vídeo do Pornhub e que revela o rosto da tua mãe quando já não podes fazer nada para parar o processo de detonação.

É uma pena que se tenha estragado um bom programa ao fazê-lo rebolar na lama com estes tumores hertezianos.

2016-03-01

Vânia Nunes

 
Vânia Nunes é uma mulher bonita, com boa aparência e que, tal como milhões de outras pessoas, tem dezenas de fotos no Facebook visíveis por qualquer anónimo (mais precisamente 108), numa rede social relativamente neutra no que toca ao tipo de pessoas que a ela aderem.




Vânia Nunes é também uma mulher que deve ter sorte no amor pois parece ser casada.



Vânia Nunes é também a jornalista que decidiu ser o veículo de uma não-notícia que procura apenas atrair cliques à custa da intimidade de uma deputada. É, portanto, uma besta.

Escarafunchar as vidas de pessoas que, ao contrário dos concorrentes de reality shows não aceitaram abdicar de boa parte da sua privacidade em troca de dinheiro e fama, é grave. Este caso é especialmente perverso e passo a explicar porquê.

O Tinder não é propriamente uma rede social. O Tinder é uma aplicação onde as pessoas procuram parceiros para a nobre arte da fornicação sem compromisso e sem percas de tempo. Não é esse o propósito oficial mas é do conhecimento generalizado que assim o é.
O Tinder mostra aos utilizadores perfis compatíveis com a orientação sexual dos mesmos. Se alguém anda à procura de homens, não te receberá perfis de mulheres.

Vânia Nunes não parece ser lésbica. Tal como escrevi anteriormente parece ser casada com um homem (há uma fotografia pública do casamento). Quer isto dizer que a jornalista decidiu redigir esta notícias a partir da dica dada por alguém que andasse à procura de senhoras para ter uns orgasmos.
Sendo suficientemente mau achar que uma mulher aceita fazer isto a outra mulher sem antes espernear perante o editor até ao limite das suas forças, pior será imaginar que esta pessoa possa ter-se introduzido no Tinder com um perfil falso precisamente para conseguir este tipo de informação. Passa da produção de uma notícia a partir de um conhecimento tomado por via acidental para a perseguição voluntária deste tipo de jornalismo.

Estar no Tinder é um eventual embaraço que se supera com facilidade pelo facto de que todas as pessoas que por lá se passeiam não poderem apontar a vara da humilhação a ninguém. "Se sabes que estou aqui é porque andas à procura do mesmo."
Vânia Nunes decidiu retirar esse manto protector a esta deputada mostrando fotografias da mesma em bikini e expondo-a contra a sua vontade a quem não está dentro daquele "clube".


A propósito, Vanda Nunes também tem fotos em bikini, públicas e numa rede social neutra.

Não quero com isto dizer que há algum mal em que uma mulher queira ter sexo descomprometido e rápido. O que não deverá é haver muitas que queiram assumi-lo publicamente por ainda haver uma carga negativa associada muito elevada.
É sempre bom que cada um(a) possa decidir por si e não estar à mercê das vontades de Vânia.


O director desta espuma-de-canto-da-boca à qual chamam Correio da Manhã, Octávio Ribeiro, não tem, para grande infelicidade minha, presença na net suficientemente íntima para que possa fazer uso da mesma neste post.

Se por acaso algum dia a Vânia vier a sentir-se desconfortável ao tomar conhecimento da existência deste post e pelo facto de conter fotografias suas, não fique, por favor.
É que, como disse inicialmente, é uma mulher bonita e com boa aparência. O que é realmente embaraçoso, sujo e repugnante é o trabalho que faz. É essa a parte da sua vida que expõe voluntariamente e que deveria estar coberta com uma gigante parra.

2016-01-18

Bandeira

Olá pessoas-que-gostam-à-brava-de-utilizar-estrangeirismos-de-forma-completamente-desnecessária.

Parece que surgiu uma nova ferramenta para se sinalizarem como otários profissionais: chama-se síndrome de burnout ou, se preferirem, "muito cansaço" (sabemos que vão ficar pela primeira hipótese, a mais natural para descendentes de primos direitos).

Agora meus pequenos passarinhos depenados, agarrem nisto e espalhem por aí, ao sabor do vento. Irritem-me, vá!

2016-01-03

Desejos para 2016

Que surja um homicida em série que abata pessoas que assinam os e-mails utilizando apenas as suas iniciais com o pretensiosismo de que aquilo é, de certa forma, um cunho pessoal.

Como se a puta da assinatura que está logo abaixo não fosse suficiente para identificar o remetente.

2015-12-24

Sondagens de mesa

Quer-se saber quais serão as razões dos machos e fêmeas para não estarem já casados e com filhos.

Estará ela encalhada para todo o sempre?
Será ele maricas?

- Com tua idade já estava eu despachada!
- Com a tua idade, se não estivesse a cumprir pena, estaria a uma pergunta de morrer com uma facada no baço.

É Natal, é Natal!

Limpem esse sorriso estúpido da cara. Não gosto do Natal, ok?

Se durante as festividades tudo estiver a decorrer na maior harmonia e com grande felicidade, façam-me o favor de não dar notícia alguma.

Se como eu vêem no Natal uma época de profundo sacrifício e tiverem, num golpe de sorte, uma avó que se chegou demais à lareira e pegou fogo ao casaco, venham ter comigo.

Eu sou aquele que vai soltar convosco grandes gargalhadas ao ver as fotografias da velha a correr enquanto dela emanam labaredas de considerável tamanho.

2015-12-19

As personagens que se recusam a morrer

Depois de uma mini-série e muito recentemente uma série, falhadas, eis que estão de volta.
É claro que se isto for mesmo a sério serei forçado a ceder aos meus impulsos pueris de 1990 (sim, eu não vi esta merda pela primeira vez na TVI, esta era a minha série de Domingo ao final da tarde no Canal 1, não me venham com aquela merda do "kit, vem mi buscá") e terei que ir ver o velhote e a sucata.